terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Novo número do Boletim

Saiu o número do Boletim de Graças. Vem lá esta coisa bem simples, a lista dos “locais a visitar” em Balasar: Túmulo da Beata Alexandrina e Capela de Adoração na Igreja Paroquial; Capela da Santa Cruz; casa onde nasceu e casa onde viveu a Beata; capela-jazigo onde foi sepultada e que agora é capela-jazigo do Padre Mariano Pinho.
Mas depois vêm programas para um dia, uma manhã ou uma tarde com a Beata Alexandrina e propostas para retiros.
Os interessados deverão contactar a Fundação Beata Alexandrina:
Tel: (00351) 252951601 ou (00351) 252956100
Saiu também novo número de A Voz da Matriz, da Póvoa de Varzim, onde falamos da construção da actual Igreja Paroquial de Balasar.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Alejandrina. Alma de víctima y de apóstol


Sabíamos que o livro do P.e Humberto Alejandrina. Alma de víctima y de Apóstol tinha sido publicado em espanhol pela Edibesa, mas não possuíamos nenhum exemplar; recebemos agora um. Ele é semelhante a Sob o Céu de Balasar, mas é também diferente. De qualquer modo é um bom livro para apresentar a nossa Beata no mundo da língua espanhola.
Uma curiosidade: acerca da fotografia da Alexandrina datada de 1943, o livro dá esta informação muito oportuna: nesse dia ela encontrava-se com febre alta; uma ligeira inchação da cara aformoseia-lhe o rosto.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Pedido


Também temos uma página de notícias em inglês, mas poucas mensagens lá colocamos por falta dum tradutor que nos obtenha traduções correctas e sem grande demora. Se algum dos visitantes desta página se considerar capaz de nos ajudar nesta tarefa, muito grato lhe ficaríamos.
Entretanto, desejamos um Santo Natal e um óptimo Ano Novo a todos os amigos da Beata Alexandrina.
Para o nosso contacto, clique aqui.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Hino de louvor à Alexandrina


São de 5 de Janeiro de 1945 estas belíssimas palavras que Jesus dirigiu à Alexandrina. Quem senão Ele ousaria proferir tamanho elogio?


Minha filha, cheia de graça, pureza e amor.
Minha filha, rico tesouro daquilo que é divino.
És cheia de graça, pureza e amor, és rica do que é divino, porque guardaste em ti com todo o cuidado, esmero e amor, o que do Céu te foi dado.
Correspondeste à graça, és cheia de graça.
Minha filha, fonte divina, fonte de toda a humanidade.
És fonte divina, porque em ti existe tudo o que é divino.
És fonte da humanidade, porque a ti vem ela beber e purificar-se; és água pura, és fonte salvação.
Minha filha, hino de louvor, de amor e reparação.
Se pudesses ver o louvor que recebi, a vassalagem e homenagens angélicas que Me foram dadas no Céu pela reparação que Me deste, pelas almas que salvaste com a dor com que te deixaste imolar!
Foi um ano cheio de amor, foi um ano cheio de salvação.
Minha filha, flor angélica, mimo da Trindade divina, mimo de Maria, mimo de toda a corte celeste.
A dor que sofreste embelezou o Céu, está adornado com ela, está escrita a letras de oiro e pedras preciosas.
[…]
Bate as tuas asinhas brancas, as tuas asas de alvura como a pombinha canseirosa voa ao longe à procura de alimento que dá a vida aos seus filhinhos.
Tu és a vida das almas, a mãe dos pecadores, a rainha do mundo, a rainha do amor.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A Alexandrina – uma irmã mais velha


                                        P.e Humberto Pasquale

Enquanto a Igreja, única autoridade competente, não emitir um parecer contrário, continuarei a pensar que a experiência mística da Alexandrina deve ser incluída entre as mais extraordinárias das que foram vividas pelas almas-vítimas dos últimos séculos.
É Cristo, o Bom-Pastor da Humanidade, quem suscita e forma criaturas de tão singular grandeza, tendo em conta as necessidades dos tempos e dos homens. Por isso Ele dizia a esta sua serva:

Deixa-Me que te crucifique com uma crucifixão sem igual, para o desempenho da tua missão, para acudires ao mundo que te dei, que te confiei. Ai dele, ai dele se não lhe acodem (26/7/1946).

Aquela palavra deixa sugere-nos uma observação de particular importância para a justa apreciação das almas assinaladas por fenómenos invulgares: Deus não opera sem o consentimento e a colaboração das criaturas; muito pelo contrário, e neste campo mais do que em qualquer outro, Ele opera na proporção da correspondência da alma.
Todos quantos acompanharam de perto a vida da Alexandrina confirmam ter sido através da sua fidelidade de todos os dias – uma fidelidade tão generosa que causava assombro – que ela chegou ao heroísmo e aos mais excelsos dons do Céu.
Desta fidelidade já eu tratei na sua biografia; e também dela se ocupou o seu primeiro director em duas obras editadas no Brasil.
Todavia, nada exemplifica melhor tão extraordinária fidelidade do que alguns trechos da autoria da própria Alexandrina, escolhidos entre o abundantíssimo material que tenho no meu arquivo e que se devem tornar conhecidos do público, para assim obedecer a um conjunto de exortações do próprio Jesus, exortações que julgo, pelo menos, edificantes.

Minha filha, em que está escrito tudo o que é divino: em ti aprenderão a amar, em ti apenderão a sofrer, em ti aprenderão como Eu Me comunico às almas (11/9/1944).

Em outro êxtase, Jesus afirma à sua serva:

Tu serás mestra das almas-vítimas.

Era meu desejo que, através destes trechos dos seus escritos, a Alexandrina, como irmã mais velha, falasse ao coração de tantas almas humildes e ignoradas, que se consagram à vida de imolação.
Noutros colóquios, Jesus disse-lhe:

Especialmente as almas dos sacerdotes aprenderão de ti o que seja a vida divina numa criatura.

E em 22 de Dezembro de 1944:

Era meu desejo quer todos os meus discípulos estudassem estas ciências divinas. Não as estudam, não as compreendem. Dou-lhes as luzes precisas, tentam apagá-las. Em vão, nada conseguem. Em todos os tempos necessitei de vítimas; agora, mais que nunca, preciso delas.

Já algum tempo antes Jesus lhe chamara “Doutora e mestra das ciências divinas, cheia de sabedoria celeste”.
Assim, a Alexandrina tem algo a dizer aos sacerdotes, “os discípulos queridos de Jesus, acerca da vida divina nas almas. De umas dezenas de anos para cá, têm aparecido livros edificantes, pletóricos desta doutrina. Mas… quanta abstracção! Pois, na humildade aldeã de Balasar, os sacerdotes poderão ver esta graça ou vida divina nas suas realizações concretas, naquele desenvolvimento a que aludem S. Pedro e S. Paulo quando nos aconselham a “crescer Jesus Cristo, na graça, como templo santo do Senhor”. Eles poderão vê-la, esta graça, nas suas obras mais altas.
A Alexandrina, uma quase analfabeta (tinha uns escassos meses de frequência das classes primárias), descreve, admiravelmente, como opera e se desenvolve esta vida a que damos o nome expressivo e real de graça e que, em regra, é explicada duma maneira abstracta, sem jamais atingir a concretização das acções vitais que Jesus opera nas almas, nessas almas em que nós, os sacerdotes, a devemos cultivar.
Numa das suas florinhas em honra do Sagrado Coração de Jesus, em 20n de Junho de 1947, a Alexandrina escreve:

Sofrer e rezar para que haja mais vida interior e os sacerdotes compreendam a vida de Jesus nas almas.

Thomas Merton escreveu:

A graça não é qualquer coisa com que fazemos boas obra e chegamos até Deus. Não é uma coisa ou uma substância completamente estranha a Deus. É a própria presença e acção de Deus em nós… portanto, não é mercadoria que tenhamos necessidade de Lhe comprar para chegar até Ele. Tendo em conta o sentido prático das coisas, bem se pode dizer que a graça é a qualidade do nosso ser que resulta da energia santificante de Deus a operar dinamicamente na nossa vida.

Assim no-la apresenta a Alexandrina, de forma a tornar-nos sensíveis a toda a verdade contida na afirmação de S. Paulo, quando o apóstolo nos fala do cristão que realiza em si mesmo e de maneira plena os desígnios de Deus:

Não vos pertenceis a vós mesmos, pertenceis a Cristo.

Guiada pela graça, a Alexandrina compreendeu que a santidade, à qual aspirava desde a infância, não é constituída apenas por boas obras e pelo heroísmo moral, mas também – e principalmente – pela união com Deus “em Cristo”, para formarmos em nós a “nova criatura”. Com todo o fervor possível, procurou consentir a Jesus que manifestasse nela a sal virtude e a sua santidade, removendo todos os obstáculos do egoísmo, da desobediência, de todo o apego, obstáculos que contrariam o amor. Ela sentia que devia ser santa, mas que seria Jesus a sua santidade, porque é através de Jesus que nos tornamos “participantes da natureza divina” (II Pedro, 1,4). Eis a luz que esclarece umas frases muito frequentes nos lábios da Alexandrina:

Não quero pôr obstáculos à causa, não quero prejudicar a causa, é a causa de Jesus que o quer.

Santa Maria Madalena de Pazzi descreve-nos as diversas fases da vida da graça vivida por uma criatura humana na sua mais alta expressão:

O Verbo desce à alma, a Ele unida e configurada, e nela opera espiritualmente, tudo quanto de facto operou na sua humanidade, desde a encarnação até à morte. Isto é, a alma morre, ressuscita, sobre com Ele ao Céu, muito embora permaneça na terra (1ª parte, cap. 3, 4)

Com o baptismo, desponta em todo o cristão a vida mística que traz consigo o gérmen das graças místicas e contemplativas. Tudo quanto Maria Madalena de Pazzi afirma, e já S. Paulo nos revelara ao estimular o cristão a “crescer até à maturidade de Cristo, a ter os mesmos sentimentos de Cristo, a revestir-se dele, a completar em si mesmo o que falta à paixão de Cristo”, acontece de um modo impossível de verificar e também em diferentes proporções – em cada um dos baptizados. Realiza-se, porém, de um modo experimental, embora velado por certo mistério, na alma que atingiu certo desenvolvimento de graça e um alto grau contemplativo, especialmente se essa alma se encontra investida duma particular missão junto dos seus irmãos. E isto também acontece para que a todos se revele a obra realizada por Jesus, ocultamente, em cada um dos baptizados. A Alexandrina pertence ao número destas almas eleitas: “Em ti Eu reproduzo toda a minha paixão”, diz-lhe Jesus em 19 de Abril de 1945. “És a cópia mais fiel de Cristo-Redentor. Eu sigo passo a passo o caminho do teu calvário… Como é bela a tua missão!... Como ela é eficaz para as almas; tens muito que fazer, tens tantas a salvar!”
Esta experiência vivida pela Alexandrina é uma mensagem directa ao homem de hoje. Isto mesmo o confirma o seguinte trecho, cujo tema aflora, não poucas vezes, nos diários da Serva de Deus:

Dezanove séculos são passados que Eu vim ao mundo; e trouxe agora a nova redentora, escolhida por Mim, para relembrar ao mundo o que Cristo sofreu, o que é a dor, o que é o amor e loucura pelas almas… Minha filha, livro onde estão escritas com dor e sangue, letras de oiro e pedras preciosas, todas, todas as ciências divinas!

Foi pelo amor e pela imitação de Jesus crucificado que ela atingiu a sua transformação nele. “Com Cristo me encontro crucificado. Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gál 2, 19-20).
Uma vez encontrado o caminho para a própria salvação, não mais cessou o Apóstolo de o apontar aos seus irmãos:

Nós pregamos a Cristo crucificado!

E, todavia, esse Cristo aparecera-lhe a ele, Saulo, aureolado pelos fulgores da ressurreição (1 Cor 15,8). Não obstante, o Apóstolo aferra-se, pertinazmente, a um pensamento: “Cristo, nossa Páscoa, foi imolado” (Gál 5,7).
Mas uma Páscoa só de luz não existe, nem nunca existirá. É mera invenção humana, sem raízes na história dos tempos. Da cruz à luz; por meio da cruz chegaremos à luz.
É assim que o cristão se torna para “espectáculo para o mundo, para os anjos e para homens” (1 Cor 4,9).

Boletim de Graças, 1966, n.os 110-111

Algumas quadras soltas e uma notícia sobre a Comenda de Balasar

Estas quadras não são da Beata Alexandrina, mas são tão cheias de sabedoria cristã que merecem figurar aqui.

Tu chamas amor-perfeito
Às coisas que a terra cria;
Amor-perfeito há só um,
Filho da Virgem Maria.

No ventre da Virgem Mãe
Encarnou divina graça;
Entrou e saiu por ela
Como o sol pela vidraça.

Sou cigana do Egipto
O meu ofício é furtar.
Hei-de furtar Deus Menino
Prà minha alma se salvar.

Tu dizes que não há Deus,
Afirmas que nunca O viste.
Inda não foste ao Brasil
E bem sabes que ele existe.

Amar e saber amar,
Amar e saber a quem:
Amar a Nossa Senhora,
Não amar a mais ninguém.

Quem quiser amar a Deus
Não diga que não tem tempo:
Pode andar no seu trabalho
Com Jesus no pensamento.

Se este mundo for ao fundo,
Cheio das ondas do mar,
Inda fica o Outro Mundo
Que a gente ganha a rezar.

Já pedi a morte a Deus
Que disse que não ma dava,
Que pedisse a salvação
Pois que a morte certa estava.

Peço a Deus, mas não me atrevo,
Quero pedir, fico mudo:
Me pague o que a Ele eu devo,
Me troque nada por tudo.

Tudo o que for verde seca,
Vindo o rigor do Verão;
Tudo no mundo se acaba,
Só a graça de Deus não.

Ó Rosa, já hoje em dia
Quem mais faz menos merece!
É a terra que nos cria,
Deus do Céu quem nos conhece.

A Comenda de Balasar
No séc. XVI, a paróquia de Balasar foi entregue à Ordem de Cristo e sobre os seus réditos constituída uma Comenda. Esta situação prejudicou imenso a Igreja que, no séc. XVIII, entrou em ruína, sendo o Comendador obrigado judicialmente a reconstruí-la, bem como a fazer uma residência nova para o pároco. Situava-se esta igreja no lugar do Matinho onde hoje está o cemitério”; a reconstrução da igreja foi-lhe imposta pela “Mesa da Consciência”.
A Comenda fez dois tombos, um em 1608 e outro cerca de 1830; o segundo encontra-se em linha. Veja aqui.
Também estão em linha as Memórias Paroquiais de 1758.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Talvez a penúltima fotografia


Também não sabemos quase nada desta fotografia. Esta cópia em concreto é digitalização dum original que nos deram. Se a fotografada está já muito debilitada, o retrato tem qualidade e está em razoável estado. Nas mãos a Alexandrina segura o célebre crucifixo; também é importante que esteja bem visível a cama, que era a sua cruz.

Creio que há ainda uma fotografia posterior, mas nessa a Alexandrina está já num estado lastimoso.
A qualidade das fotografias pode ser determinante, pois podem afastar quem as contempla, como já aconteceu.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A mais conhecida fotografia da Alexandrina


Esta é talvez a mais conhecida fotografia da Alexandrina. Sabemos apenas que foi tirada já nos anos finais da sua vida, certamente pelo fotógrafo bracarense Pelicano.
Em tempos circularam cópias muito fracas dela; a que apresentamos, forneceu-no-la uma senhora de Balasar.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Três fotografias sem data


Das fotografias que se apresentam hoje, desconhece-se a data, mas devem ser todas posteriores a 1943.
Na primeira, estão ao lado da Alexandrina a mãe e mais quatro parentas. Na parede posterior à cabeceira da cama há visíveis sinais da acção da humidade.
Na segunda, surge o P.e Humberto em cena, que só veio em meados de 1944; talvez a fotografia seja do ano adiante. Ele era um homem ainda muito jovem. Na parede posterior à cama parece que apagaram tudo: os sinais de pobreza e os próprios quadros.
Na terceira, a grande família do Dr. Azevedo rodeia a Alexandrina: ele, a esposa e os 14 filhos. Para isso houve que a retirar do quarto e trazê-la para o pequeno pátio exterior. O Dr. Azevedo, que tomara a Alexandrina por madrinha, sabia quanto poderia esperar dela.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Grandes semelhanças, diferenças de pormenor


Comparem-se estas duas imagens.
A primeira é uma cópia fraca do conhecido “registo” da Santa Cruz de Balasar; seria uma espécie de pagela.
A segunda é um conjunto escultórico que se encontra na matriz de Balasar e que deve provir da Capela da Santa Cruz que existiu onde agora está a igreja. As semelhanças são grandes, as diferenças são de pormenor.
A segunda deve ser o original, a primeira uma recriação de pintor.
O registo ainda deve vir do tempo das lutas miguelistas, da Maria da Fonte e da Patuleia.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Fotografia de 1943


Esta fotografia data de Abril de 1943, de quando o P.e Pinho já tinha sido afastado. A Alexandrina já entrou no jejum, mas ainda não foi à observação à Foz: iria em 10 de Junho. Nesse dia ela encontrava-se com febre alta; uma ligeira inchação da cara aformoseia-lhe o rosto. Reparar no seu sorriso e também no seu belo rosto.
Atenção à nova cama, que nem parece muito nova.
Um pouco de sol que entra pela janela não permite que a Deolinda fique tão bem como a mãe. Repare-se na mãe: encorpada e serena, apesar do fardo que a traição do pai das filhas fez carregar sobre os seus ombros. O seu “luto” não é tão carregado como se poderia pensar.
A primeira das duas digitalizações é dum profissional, que usou os tons de cinzento, a segunda mostra mais os pormenores do interior avelhado do quarto.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Amostra de poesia mariana da Beata Alexandrina

Honra e glória ao Senhor nos altos Céus!
Chegou enfim o dia da minha alegria
e de todos os que são verdadeiramente devotos da querida Mãezinha!
Ó Virgem da Assunção, ó Mãezinha Imaculada,
mais que os Anjos pura e bela!
Criou-Vos o Senhor tão pura, tão pura,
com a sua mesma pureza,
criou-Vos para serdes sua Mãe.
Oh, como és bela e imaculada,
em Ti não há mancha de pecado!
Ó Céus, falai de mim,
por mim aclamai à Mãe do Senhor e Mãe nossa,
a Rainha dos Céus e da Terra!
Mãezinha, sou tua, faz-me pura!

Parabéns, parabéns, ó Mãezinha!
Renovo a consagração da minha oferta total:
corpo, alma, virgindade, pureza e todo o meu ser.
Colocai tudo nos braços de Jesus.
Agradecei em meu nome à SS. Trindade:
ao Pai, por Vos ter criado;
ao Filho, por Se ter dignado baixar ao vosso seio;
e ao Divino Espírito Santo, por gerar a Jesus, de quem sois Mãe.
Mãezinha, vede os meus desejos,
aceitai as minhas preces,
ouvi os meus segredos,
e tende compaixão de mim.
Dai-me a vossa bênção e o vosso amor!

Ó minha bendita Mãezinha,
eu Vos saúdo e Vos dou os meus parabéns!
Sou vossa, toda vossa
e tudo Vos dou por Jesus.
Não posso mais,
lede em mim o que o meu coração
quer dizer-Vos e oferecer-Vos.
A pobre Alexandrina

Ó minha querida Mãezinha,
quantos favores, quantas graças me tendes dispensado!
Sois Mãe, mas, oh, que Mãe sem igual!
Com que carinho, com que amor
me tendes guiado para Jesus!
Ó Mãezinha,
e que mal eu tenho correspondido ao vosso amor!
Dai-me pureza, dai-me amor.

Ó Jesus, ó Mãezinha,
eu não Vos amo, não sinto que Vos amo,
mas quero fazer de conta que Vos amo muito, muito.
E para Vos dar consolação,
sofro hoje pelo mundo inteiro,
para que não peque,
Vos ame e se salve.

Mãezinha, bendita e louvada sejais!
Eu Vos saúdo, ó cheia de graça!
Parabéns, ó Mãezinha!
Quando passarei este dia convosco no Céu!
Ai, que saudade, ai, que saudade!
Eu queria neste dia dar-Vos,
ó minha doce Mãezinha,
uma prenda do mais alto valor;
pobrezinha, nada tenho.
Consagro-Vos mais uma vez
a minha virgindade e a minha pureza,
o meu corpo e a minha alma,
com todo o seu ser.
Aceitai também o ramalhete das minhas dores,
as agonias da minha alma,
as angústias e os punhais
que já e logo me cravam o coração.
São flores tristes, muito tristes, Mãezinha,
mas de resignação.
Tirai-as à minha inutilidade,
porque foi ela que tudo me roubou.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Fotografias tiradas na Trofa (1941)

Em Julho de 1941, a Alexandrina foi a consulta ao Porto, ao Dr. Gomes de Araújo. Levou-a o industrial trofense Sr. Sampaio, amigo da casa e do Dr. Azevedo.
Na Autobiografia, ela conta a viagem; veja-se o que se passou na Trofa:

Era já dia claro quando parámos em casa do senhor que nos acompanhava, na Trofa. Era aí que eu ia descansar e receber o meu Jesus, esperando pela hora de seguir para o Porto. Antes de continuar a minha viagem, levaram-me ao jardim do Sr. Sampaio. Amparada e sob a mesma acção divina, fui até junto de umas florinhas, que colhi, dizendo:
Quando Nosso Senhor criou estas florinhas, já sabia que hoje as vinha aqui colher.
Depois, fui fotografada em dois lugares escolhidos. Desloquei-me de um lugar para o outro por meu pé, o que nunca pude fazer depois que acamei, pois nem sequer podia voltar-me de lado, na cama. Só um milagre divino, porque sem ele não me mexia, nem sequer consentia que me tocassem.
Ela tirou ao menos cinco fotografias, mas falta-nos uma. Têm a originalidade de no-la mostrarem fora do seu quarto e da sua cama.
Ela parece uma mulher ainda jovem, nos seus 38 anos, sem moléstias especiais. Mas é não é assim: na fotografia que nos falta ela assemelha-se a uma planta que desenterraram e expuseram ao sol. Como as folhas e os ramos da planta caem, sem o vigor da seiva que lhes dava força, também a Alexandrina se mostra incapaz de segurar direitos a cabeça, o tronco e os membros. Ela sabia o que dizia quando falava em "milagre divino".
Creio que é deste mesmo ano o famoso filme que existe em Balasar.


Na primeira fotografia, a Alexandrina está ladeada pela irmã, a Deolinda, à esquerda, e pela professora Sãozinha, à direita.
Na segunda vêem-se mais o pároco da Trofa, o Dr. Azevedo e o Sr. Sampaio com a esposa.
Na terceira, já não estão o pároco nem o Dr. Azevedo, mas vê-se agora o filho do casal Sampaio.
Na última, figuram as mesmas pessoas da anterior, menos o pequeno, mais o Dr. Azevedo.
As três últimas fotografias pertenceram ao espólio do P.e Mariano Pinho e vieram do Recife, Brasil, quando foram trazidos para Balasar os seus restos mortais.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Uma fotografia de 1939


Do período em que a Alexandrina reviveu a Paixão com movimentos há mais fotografias do que as que vamos colocar aqui. Mas sobre esta, de 1939, não queremos deixar de dizer algumas palavras.
A Alexandrina está em êxtase e, junto à cama, o P.e Pinho, de quem só se vê parte duma mão, a caneta e um caderno, toma apontamentos.
Um dia a D. Eugénia Signorile pediu-me que a esclarecesse se a fotografia era mesmo de 1939 ou anterior, de 1934, como alguém tinha escrito.
A princípio, não sabia, mas depois notei que por cima da cabeceira da cama estava um quadro – e nalgumas cópias da fotografia ele vê-se mais até cima. Então pensei que ele poderia ter uma data e se a tivesse possivelmente ajudaria a resolver o caso. Não foi fácil localizá-lo, pois estava por cima da porta que dá acesso ao andar do quarto e naturalmente é recanto em que pouco se repara. Mas tinha mesmo uma data, de 1937. Naturalmente a fotografia era posterior, logo de 1939.
Não é preciso ser detective para chegar até aqui...

Esta deve ser do mesmo dia. O cabelo está bastante desalinhado como na anterior, a coberta da cama parece a mesma, diversos pormenores nas almofadas e na parede apontam para a mesma ocasião.
Mas agora não está mais em êxtase e a sua mão direita segura o crucifixo.
Se imaginarmos o permanente tormento por que passa e soubermos que lhe é pedido um contínuo sorriso, concluiremos que o que aqui mostra é mais do que o comum sorriso para a fotografia.

domingo, 4 de dezembro de 2011

25 anos da Consagração de Vila do Conde ao Imaculado Coração de Maria

Realizou-se hoje, nas Caxinas, a cerimónia dos 25 anos da Consagração de Vila do Conde ao Imaculado Coração de Maria. Estava já prevista a vinda do Sr. Arcebispo, mas, dado o dramático episódio dos caxineiros que passaram dois dias e meio perdidos no mar, optou o prelado bracarense por fazer anteceder a consagração duma Missa de Acção de Graças.
Como é sabido, a nossa Beata pugnou por que o mundo inteiro fosse consagrado ao Imaculado Coração de Maria.
Na imagem de cima, multidão a entrar para a Missa de Acção de Graças pelo salvamento dos náufragos caxineiros; na debaixo, grande painel da fachada da igreja, que mostra Jesus a acalmar a tempestade.

sábado, 3 de dezembro de 2011

As fotografias dos êxtases da Paixão


Veja-se a cronologia dos principais acontecimentos contemporâneos do período em que a Alexandrina reviveu a Paixão com movimentos:

1938: em 3 de Outubro, em êxtase, a Alexandrina revive a Paixão pela primeira vez, desde o meio-dia às 15 horas. Em 24 de Outubro o Pe. Pinho, em consequência do fenómeno, escreve ao Papa Pio XI a pedir a consagração do mundo. Em 6 de Dezembro, terceira viagem ao Porto, para radiografias (Dr. Roberto de Carvalho); depois, estada no Colégio das Filhas de Maria Imaculada, com exame da parte do Dr. Pessegueiro. Volta para casa em 11 de Dezembro. Em 26 de Dezembro, vem visitá-la o Dr. Elísio de Moura, psiquiatra.
1939: em 5 de Janeiro, primeira visita do cónego Vilar enviado da Santa Sé para a estão da consagração do mundo. Aumento dos sofrimentos físicos.
1940: em 4 de Julho oferece-se vítima, com outras almas-vítimas, para obter que ao menos Portugal seja poupado à guerra. Em 5 de Setembro, escreve de seu punho, com grande sacrifício, uma carta ao Patriarca Cerejeira e uma outra a Salazar.
1941: em 29 de Janeiro, primeiro encontro com o médico Azevedo, que se tornará o seu médico assistente até à morte. Em 1 Maio, o Dr. Azevedo chama para consulta o Dr. Abel Pacheco. Em 15 de Julho, quarta viagem ao Porto; consulta com o Dr. Araújo. Em 29 Agosto, o Pe. José Alves Terças assiste ao êxtase da Paixão e toma notas para depois o publicar.
1942: a 7 de Janeiro, visita de despedida do Pe. Pinho.
A 27 de Março revive pela última vez a Paixão com movimentos.

A Paixão impressionava vivamente as pessoas; pelos vistos a sua violência escandalizava-as. O Pe. Pinho limitou o número dos que a ela assistiam, para evitar a publicidade do caso.
Mas a recuperação dos movimentos numa paralítica acamada há 13 anos era coisa estranhíssima. Ele quis ouvir os médicos, que acorreram.
É natural que se quisesse registar fotograficamente o fenómeno, e há de facto várias fotografias deste período. As que aqui se colocam pertenceram ao espólio do Pe. Pinho e devem datar ainda de 1938.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Uma fotografia de 1935

Esta fotografia data de 1935 e foi tirada pelo Pe. Mariano Pinho, que dirigia a Alexandrina desde 1933. Sabe-se que foi tirada por ele porque se sabe que alguém pretendeu ver no acto menos rectas intenções…
Uma fotografia era então coisa rara nos meios rurais, mas o Pe. Pinho precisava duma máquina para obter as ilustrações para as revistas que dirigia ou para a Cruzada, que fundara.
Ao tempo, padecia a família uma penúria extrema, não detectável na imagem. De facto, aquelas almofadas hão-de ser de empréstimo; também há-de ser de ocasião a cortina que se nota à direita, pois a Deolinda era costureira. A Alexandrina passava então frio e fome sob a pressão da dívida contraída pela mãe.
É possível que a fotografia já tenha sido tirada no quarto.
Desta vez já não tem flores na mão, mas o crucifixo de alma-vítima; no rosto porém abre-se-lhe um sorriso, o célebre e forçado sorriso que Jesus lhe pedia.
Até 1941, manter-se-á na cama cuja cabeceira aqui se vê; será depois substituída, embora se mantenha ainda na casa.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A mais antiga fotografia da Beata Alexandrina


Quem repara nas fotografias da Beata Alexandrina que encontra na Internet, nos vídeos, por exemplo, verifica que elas têm às vezes má qualidade. Nós organizámos há tempos uma colecção muito seleccionada dessas fotografias e vamos colocá-la aqui; esperamos que ajude a valorizar a sua imagem.
Ela tirou a mais antiga fotografia em 1928 ou 1929, quando tinha aproximadamente 25 anos. Era uma jovem, mas acamada desde há uns cinco. Desconhece-se quem foi o fotógrafo, mas não é impossível que fosse Cândido dos Santos. Foi com certeza tirada ainda na sala – a sala do Salto, pois ainda não havia o seu futuro quarto – mas uma peça preta de pano colocada por trás da cabeceira impede que se identifiquem pormenores do lugar.
Ainda é tempo do P.e Manuel de Araújo.
Na fotografia, vê-se a imagem de Nossa Senhora de Fátima que ela adquiriu com muito custo. A Alexandrina tem aqui um ramo de flores na mão - ela gostava muito de flores; de futuro, em seu lugar, terá o crucifixo.
A Alexandrina pelos vistos era uma moça alta, vigorosa, boa figura, como a mãe.
À data, já desistira de obter a cura e pedia agora amor ao sofrimento. Jesus ia começar em breve as suas comunicações com ela.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Nem só de pão...

Nem só de pão vive o homem e muito menos a Igreja. Observe-se este painel que vimos hoje em Balasar.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Manuel Carneiro da Grã e Manuel Carneiro da Grã Magriço, o avô paterno de D. Benta

Os registos paroquiais de Balasar permitem-nos saber pormenores dos Grã Magriços que não estavam divulgados. E permitem-no-lo a partir de documentos em primeira mão. Neles, o pai de D. Benta, Alexandre Carneiro ou Alexandre Carneiro da Grã Magriço, não está muito presente, mas o avô da mesma D. Benta, Manuel Carneiro da Grã Magriço, esse parece ter sido uma figura muito popular.
Deveria ser sobrinho de Manuel Carneiro da Grã, também uma figura popular em Balasar, e que o precedeu na casa e que lha terá doado, porventura por não ter descendência.
O avô de D. Benta casou em Balasar, mas, pelos vistos, nem ele nem a noiva eram de lá. Veja-se o que consta do registo de casamento:

Aos dois dias do mês de Maio de 1699 anos, se receberam em minha presença e das testemunhas abaixo mencionadas, na forma do Sagrado Concílio Tridentino, Manuel Carneiro da Grã Magriço, filho legítimo de António de Castro Raimonde e de sua mulher Mariana Carneira Magriça, já defuntos, moradores que foram no Couto de Arentim, e D. Paula de Sousa Barbosa, filha legítima de Manuel da Rocha Barroso, já defunto, e de sua mulher D. Felícia de Barros Barbosa, da freguesia de Meixedo, do termo de Viana, estando por testemunhas António Carneiro, do Couto de Arentim, e Jacinto Fernandes (?), solteiro, do Matinho, e Manuel Martins, do Matinho, desta freguesia, de que fiz este assento, que assinei, dia e era ut supra.
Silvestre da Costa Montalvão

Era ele então de Arentim, não longe de Braga, e a noiva de Meixedo, não longe de Viana. Provavelmente, porém, se o anterior Grã Magriço lhe queria deixar a casa, já o teria a viver nela.
Esse anterior Grão Magriço assinava apenas Manuel Carneiro da Grã e era casado com D. Mariana de Barros.
Em 29 de Março de 1676, Manuel Carneiro da Grã e D. Mariana apadrinham uma criança de Vila Pouca.

Três anos antes Manuel Carneiro da Grã fora também padrinho de baptismo:

Aos 24 dias do mês de Setembro de 1673 anos, baptizei João, filho de António de Castro, do Couto de Cambeses, e de sua mulher, Maria Carneira. Foram padrinhos Manuel Carneiro da Grã, seu irmão, e João de Caldas.
João da Silva

Em 1683, Manuel Carneiro da Grã foi juiz da Confraria do Santíssimo Sacramento de Rates e nessa qualidade decidiu, com a esposa, comprometer-se com uma pensão perpétua para essa confraria. Essa pensão incidia sobre uma sua propriedade sita no Outeiro de Revelhe, em Balasar, foreira à Casa de Bragança.

Verdade seja que isto não tem muito a ver com a Beata Alexandrina, mas, ao que dizem, estas pessoas são suas antepassadas e fala-se aqui no Santíssimo...

A Vila de Rates em 1669.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Basílica de Fátima, o Cardeal Cerejeira, o P.e Dr. Sebastião Cruz, um místico de Salamanca, o D. Abade de Singeverga… num fragmento duma carta ao P.e Mariano Pinho


O Sr. Cardeal é muito meu amigo. Mandou-me, há dias, umas palavras muito, muito reconfortantes: que ao inaugurar a Basílica de Fátima pensou em Balasar. Que me colocou na patena e me ofereceu ao Senhor como vítima pelos pecadores. E mais coisas ainda.
O secretário do Sr. Arcebispo, que é o Dr. Sebastião Cruz, trouxe aqui um cónego e professor de Salamanca. Dizem que ia muito satisfeito. O Sr. Dr. Sebastião disse-me diante dele que sempre esteve e estava ao meu lado. Parece que vem um místico de Salamanca, para estudar o caso junto com ele e com o Dom Abade de Singeverga, que já anda a contas com os escritos.
Carta ao P.e Mariano Pinho de 3 de Novembro de 1953

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Duas quadras


O materialismo de esquerda ou outro, aliado ao hedonismo, corrói os fundamentos cristãos da nossa cultura. E há nela coisas tão bonitas e tão verdadeiras! Vejam-se estas duas quadras populares:

Tu dizes que não há Deus,
Afirmas que nunca O viste.
Inda não foste ao Brasil
E bem sabes que ele existe.

Quem quiser amar a Deus
Não diga que não tem tempo:
Pode andar no seu trabalho
Com Jesus no pensamento.

Que tem isto a ver com a Beata Alexandrina? Tem certamente muito.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Um Soneto

Nós sabíamos que José Régio tinha publicado uma antologia de poesia religiosa, mas só agora tomamos conhecimento dela. Tem por título Na Mão de Deus e por subtítulo Antologia da Poesia Religiosa Portuguesa. Na organização da recolha colaborou Alberto Serpa.
É um trabalho de autores conhecedores da matéria e só é pena que há muito esteja fora do mercado.
Colocamos aqui um soneto, de lá transcrito, de que é autora uma poetisa anónima do séc. XVII; a nossa Beata ficaria radiante se o lesse.


A vós correndo estou, Braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que para receber-me estais abertos
E por não castigar-me estais cravados.

A vós, divinos Olhos, eclipsados,
De tanto sangue e lágrimas cobertos,
Que para perdoar-me estais despertos
E para não devassar-me estais fechados.

A vós, pregados Pés, por não fugir-me,
A vós, Cabeça baixa, por chamar-me,
A vós, Sangue vertido, para ungir-me,

A vós Lado patente, quero unir-me,
A vós, preciosos pregos, quero atar-me,
Para ficar unida, atada e firme.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Um poster da Beata Alexandrina à venda

É difícil de saber se há alguém que possa reclamar direitos de autor sobre as fotografias da Beata Alexandrina; provavelmente ninguém o poderá fazer. Nesta página, há quem se proponha ganhar dinheiro com uma: valha-nos ao menos que é de boa qualidade.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Maria e Marta


Conhecemos uma vez uma senhora que gostava de repetir:
- Morra Marta, morra farta!
A frase envia para o episódio evangélico da ressurreição de Lázaro e mais em particular para as duas irmãs do ressuscitado, Maria e Marta.
Tradicionalmente, Maria, que se senta a ouvir Jesus, e Marta, que se atarefa com as lidas da casa, são vistas como imagens respectivamente da vida contemplativa e da vida activa. Acontece contudo que grandes místicos, como S. Paulo ou Santa Teresa de Ávila, não deixaram de ser pessoas muito activas.
Que se passou com a nossa mística Beata Alexandrina? Viveu ela fechada no seu quarto, alheada do que acontecia no mundo?
Bem sabemos que não. Quando morreu, em Balasar, dizia-se:
- Morreu a mãe dos pobres!
E pároco via nela a sua mais activa colaboradora.
Era Maria sem deixar de ser Marta.
Leiam-se por isso estas suas frases:

O meu pobre coração,
apesar de ser tão mau,
sofre, sofre, morre por não poder desfazer-se
em pão, agasalhos, em conforto, alegria, consolação e bálsamo
para quantos sofrem.
S (16-1-48)

Eu queria ser bálsamo para todas as feridas,
consolação para todas as tristezas,
conforto para todos os desalentos,
alimento para toda a fome,
agasalho para todo o frio,
remédio para todo o mal.
Eu não sou ninguém, não sou nada, nada valho.
S (21-5-48)

Queria correr o mundo
e enxugar todas as lágrimas,
consolar todos os tristes,
vestir a todos os nus,
saciar todos os famintos.
Queria espalhar pela humanidade inteira,
para os corpos e para as almas,
a caridade de Cristo.
Ó santa caridade do meu Senhor,
como tu és bela,
quanto tu podes alegrar e consolar o meu Jesus!
S (12-11-48)