quarta-feira, 30 de março de 2016

No aniversário da Beata Alexandrina


A Beata Alexandrina completaria hoje 112 anos se fosse viva.
Coloco aqui um breve texto dela. Não fala do aniversário, mas dum outro nascimento, de quando esperava ir para o Céu:

Quando chegará o meu dia,
O dia do meu noivado?
Oh, feliz dia,
Em que posso sempre ver o meu Deus
E gozá-Lo eternamente,

Face a face!

sexta-feira, 25 de março de 2016

A Crucifixão na obra da Beata Alexandrina

Trespassaram as minhas mãos e os meus pés. Cerca-me um bando de malfeitores
(Salmo 21, 17)

Estenderam-me na cruz.
Senti como se fosse eu mesma a deitar-me sobre o madeiro e a estender as mãos e os pés para ser crucificada. Era um abraço eterno à cruz, a obra da redenção.
Os membros de Jesus estavam nos meus, o       Seu divino Coração no meu estava. Éramos os dois num só corpo a sofrer. Foi violentíssima a cru­cifixão. Sentia quase como que se me arrancassem os braços e pernas fora, tal era a força com que eram puxados para chegarem ao ponto marcado da cruz.
Que brado tão doloroso de socorro saiu de dentro de mim para o Eterno Pai! Que olhares tão enternecidos saíam dos meus olhos a fitarem o firmamento, a movê-lo à compaixão!
Vi o soldado que com grande crueldade dava as marteladas: era destemido, de olhar cruel e aterrador.
Via-o levantar o martelo ao alto e com toda a força o deixava cair no cravo.
Ecoava dentro em meu peito o som estron­doso do bater dos cravos. Fiquei com os meus pul­sos e pés abertos como se fossem por eles tres­passados[i]:
Sentia que das feridas dos cravos corriam fontes de sangue.
Sentia como se outro cravo, mais duro e doloroso, me cravassem no coração.

As marteladas ecoam ao longe mas não movem os corações

Foi dolorosíssima a abertura das chagas.
Senti como se os cravos me trespassas­sem todos os nervos.
Não senti só os pés e as mãos rasgadas: todo o peito o foi também. Parecia nada ter dentro: tudo tinha sido esgotado.
 dor aumentou, e o último momento da vida, se não fosse um milagre, era no mesmo instante.
Ao ser a cruz voltada para revirar os cra­vos, foi meu rosto no solo muito ferido e uma gol­fada de sangue me veio aos lábios.
Que doloroso foi o retirar dos cravos!
Todas as dores das feridas e fúria dos sol­dados vinham bater no meu coração; e sentia como se os soldados mo despedaçassem e esmigalhas­sem a dentada, tal era a sua raiva.
Via as línguas blasfemadoras que blas­femavam contra mim.
O meu Calvário, o meu Calvário!
Foi Jesus, não fui eu, que assim foi ferido. Mas não sei exprimir-me doutra forma.
As pancadas que apertavam os cravos não eram só para o Calvário: pareciam ecoar no mundo inteiro.
Nem o som das fortes marteladas sobre os cravos que entoavam ao longe, nem a vista de tanto padecer, moviam os corações!

Com Ele crucificaram mais dois, um de cada lado (Jo. 19, 18)

Crucificada, fui levantada ao alto.
Que grandes dores eu senti em todas as chagas ao deixar a cruz cair na cova com tanta força! Pareceu cair num poço.
Com o estremecer da cruz, avivaram-se mais as feridas dos espinhos. E uma chuva de san­gue caía deles, banhava-me o rosto.
Todo o meu corpo restava coberto de espi­nhos como um ouriço: tudo era dor, tudo era sangue.
Não cessei mais o meu brado ao Céu: “Socorro, socorro!”.
Fiquei com Jesus tão presa à Sua dor e agonia, que nada havia que nos separasse.
Ao lado de Jesus foram crucificados os dois ladrões. Eu sentia que os sofrimentos, as cru­zes deles sobrecarregavam sobre mim, sobre a cruz de Jesus que em mim estava. Sentia sair do Cora­ção divino de Jesus o mesmo amor, as mesmas graças: um aceitava-as, o outro repelia-as.




quinta-feira, 24 de março de 2016

O Lava-pés e a instituição da Eucaristia na obra da Beata Alexandrina


Depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos (Jo. 13, 5)

Vi-O depois tomar em suas divinas mãos uma bacia grande, redonda; cingir o seu pescoço com uma toalha e seguir o lava-pés.
Senti que um[i] a quem causava muita impressão lavar-lhe os pés, a um olhar e poucas pala­vras, até já se despia para, se preciso fosse, lavar-lhe todo o corpo.
No lava-pés, Jesus não só lhos lavava, mas o seu divino Coração baixava tanto que até lhos queria beijar. Eu sentia que Jesus com o seu espírito lhos beijava. Que lição para mim! Que humildade a de Jesus!
Fui aprender a ser pequenina. Jesus, o Senhor de tudo, fez-se o mais pequenino no meio dos apóstolos Ele amava tanto, tanto!
Ah! Se eu pudesse exprimir aqui todo o amor, toda a bondade e ternura de Jesus, que bem podia fazer às almas! Mas não sei melhor.
Jesus dava do seu divino Coração para cada um dos seus discípulos o seu divino amor, em raios luminosos como sol a aparecer no horizonte. Todos os discípulos o receberam e deixaram-se por ele iluminar. Apenas Judas se fechou e recusou o Seu brilho e luz.

Tomai e comei: isto é o meu Corpo… Bebei dele todo. Porque este é o meu Sangue... (Mt. 26, 26-72)

Que noite, que santa noite! A maior de todas as noites. A noite do maior milagre, do maior amor de Jesus! O seu divino Coração estava preso àqueles que lhe eram tão queridos. Para poder partir, tinha que ficar entre eles; para subir ao Céu, tinha que ficar na Terra. [ii] Assim O obrigava o seu amor divino.
O sofrimento amado, quem te compreenderá?
Queria que todos conhecessem aquele mistério de pão e vinho transformados no Corpo e Sangue do Senhor! Que milagre prodigioso! Que abismo insondável de amor! Apesar de se sentir mergulhada nele, não o compreendia para o saber explicar; só o soube sentir, e só no Céu o compreenderei.
Vi o doce Jesus a abençoar o pão.
Queria saber dizer, poder mostrar, no memento da bênção, os olhares que Jesus levantou ao Céu.
De olhos fitos no Céu, em chamas de fogo, orou por tanto tempo a seu Eterno Pai.
Vi o seu rosto de tal forma inflamado, que mais parecia ter em Si só a vida do Céu, do que ser uma semelhança nossa: não perecia homem, mas sim só Deus: amor, só amor.
Que encanto! O seu santíssimo rosto era se luz, parecia que só fogo o rodeava; com os olhos encantadores fitos no Céu e um Sorriso doce abençoava o pão, que pouco depois por todos distribuía.
Foi tal a luz, foi tal o amor que a todos embebeu: Jesus, os apóstolos e eu!
E naquele momento de amor e maravilha sem igual, senti que o mundo era outro. Jesus dava-se a ele em alimento e partia para o Céu, e com ele ficava; aquele amor estendeu-se por toda a humanidade.

Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue fica em Mim e Eu nele (Jo. 6, 56)

Que cena tão tocante, que cena só de amor, só de um Deus! E a Eucaristia, meu Deus, que maravilha, quando Jesus a instituiu!
Nunca senti tanto ao vivo as ternuras e o amor de Jesus com os seus discípulos. Todos os discípulos comungaram das mãos de Jesus, abrasados em amor. Hei-de dizer que Judas comungou também. Ele estava mais afastado: Jesus estendeu a Sua divina mão para o lado dele com o Manjar celeste.
Judas ficou logo como um condenado do inferno, tal era o seu desespero.
Jesus falava sempre com a mesma doçura e meigos sorrisos.
E os apóstolos, naquela hora mais que nunca, se encheram de Jesus [iii], se inflamaram de amor e chegaram a compreender tudo quanto Ele lhes dizia.
na sala da Ceia experimentei, por alguns momentos, a grandeza do Seu amor, grande como o Céu e a Terra, grande como a mesma grandeza de Deus.
Como Ele amou; como Ele ama! Os Seus desejos, que vivêssemos d’Ele e para Ele.
A Mãezinha, retirada um pouco, mas pre­sente, compartilhava de tudo isto.




[i]  O apóstolo Pedro (Jo. 13, 6)
[ii]  “Sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, no qual ‘Cristo, nossa Páscoa foi imolado’ (I Cor. 5, 7), realiza-se também a obra da nossa redenção” (LG,3).
[iii]  “Deu-lhes um alimento do Céu… Comeram até se saciarem…” (Salmo 77, 24-29).

quarta-feira, 23 de março de 2016

Santa Páscoa!

Desejamos a todos os visitantes desta página uma Santa Páscoa, com Jesus morto e ressuscitado e com a sua alma-vítima Beata Alexandrina.

sexta-feira, 4 de março de 2016

DA PAIXÃO À RESSURREIÇÃO


Desde o Pe. Humberto, os autores que elaboraram vias-sacras a partir da obra da Beata Alexandrina costumam concluí-las com um epílogo sobre a ressurreição, pois é esta que dá sentido ao sofrimento de Quinta e Sexta-Feira Santas. Veja-se o que D. Eugénia Signorile criou (a sigla S designa a obra Sentimentos da Alma):

Por entre aquelas nuvens da morte,
rompeu Jesus, sobressaiu,
foi brilhar mais além.
Venceu tudo e de tudo triunfou (...)
Ele foi, mas ficou sempre comigo...
Transformado em mim, sofria. S (9-11-45)

Jesus morreu e viveu sempre.
Senti que Ele morreu e senti que Ele vivia.
Oh vida, vida celeste! S (23-12-49)

Ficou o Céu reconciliado com a Terra. S (20-5-49)

O Céu abriu-se quando Jesus expirou.
Já todos do Calvário podíamos passar ao Céu. S (3-10-47)

O Sangue regou a Terra (...)
Ia ser para as almas,
no decorrer dos tempos,
orvalho de vida e de salvação. S (4-7-47)

Jesus declara:
"Quem com Jesus vive com Jesus morre.
Quem com Ele morre
com Ele ressuscita

para a verdadeira vida". S (4-7-47) 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Um pensamento da Beata Alexandrina


Encontrámos hoje na Póvoa uma pessoa que possuía três santinhos com pensamentos da Beata Alexandrina. Num deles, de data muito próxima do Natal, lia-se assim:

Balasar, 27.12.942
Amiga Maria da Conceição 
Jesus semeou no meu caminho, por entre os espinhos que me ferem e me causam tanta dor, uma pequenina alegria. Amo-O tanto quando sofro como quando estou consolada. 
Pobre Alexandrina