Acompanhe as novidades que, quase dia a dia, nos vão chegando sobre esta surpreendente mística do nosso tempo, "luz e farol do mundo", como Jesus lhe chamou.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Leo Madigan
Muitos amigos da Beata Alexandrina de
língua inglesa conheceram-na através do livro que Leo Madigan lhe dedicou, que
existe à venda em Balasar e que tem tradução para letão. A Wikipedia dedicou uma curta biografia a este escritor especialista de Fátima e
ele criou recentemente um novo site. Paga a pena ver. Veja-se e
ouça-se ainda aqui.
Entrega dos pertences da Igreja de Gresufe ao pároco de Balasar
A entrega dos pertences da igreja de
Gresufes ao pároco de Balasar ocorreu aquando da morte de Gonçalo Durães, último
abade da freguesia anexada. Este foi com certeza o último a ser sepultado
dentro da igreja.
Os livros mencionados no documento são
ainda cópias feitas à mão, que ainda não havia reprodução tipográfica.
E foram logo aí
pelo dito Bento Gonçalves apresentados estes ornamentos que se seguem:
Item, um cálice
de estanho.
Item, duas
vestimentas perfeitas.
Item, uns pichos
e uma caldeira de benzer água.
Item, três
ofícios novos.
Item, um livro
de benzer água e de baptizar e de encomendar.
Item, um santal
e domingal de rezar.
Item, um saleiro
francês.
Item, outro
saleiro galego.
Item, outros
dois livros de sobre altar, que vêm a saber, santal e outro domingal, segundo
que o dito João da Fonte e o dito Gil Esteves abades diziam que os ditos livros
eram cada dos ditos ofícios de sobreditos.
Item, foram aí
mais achados estes bens que se seguem, a saber, uma arca vazia com sua
cobertoura.
Item, outra arca
velha, desfeita.
E dos ditos bens
aí mais não foram vistos nem achados.
Os quais
ornamentos e arcas velhas, assim tudo entregue pelo dito Bento Gonçalves ao
dito João da Fonte, abade de Balssar
e da dita igreja de Gressuffe, como
dito é, o dito Bento Gonçalves disse que eu tabelião lhe desse assim dele um
instrumento de como se o dito João da Fonte dava entregue dos sobreditos
ornamentos e coisa de suso ditas para lhe a ele dito Bento Gonçalves ao depois
não serem mais demandas, posto que se ao depois perdessem.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Dentro da Igreja Paroquial de Gresufe
O Arcebispo de Braga determinou a
anexação de Gresufe a Balasar por carta de 7 de Maio de 1422, mas esta só se tornou efectiva em 27 de Novembro de 1430 por falecimento do último abade. Foi então apresentada a carta emitida pelo Arcebispo Primaz que impunha a anexação e lida dentro da desaparecida Igreja de
Gresufe:
Saibam quantos
este instrumento virem que no ano da era do nascimento de Nosso Senhor Jesus
Cristo de mil e quatrocentos e trinta anos, vinte e sete dias do mês de
Novembro, dentro na Igreja de Gresufe, terra de Faria, termo da vila de
Barcelos, em presença de mim Afonso Martins, tabelião na dita vila e em seus
termos pelo senhor Conde D. Afonso, senhor da dita vila e termos, e testemunhas
que adiante são escritas, estando aí presente João da Fonte, abade de Balassar e raçoeiro do Mosteiro de São
Pedro de Rates, e outrossim estando aí presente um homem que se por nome dizia
Gil Esteves, abade que se dizia que era da Igreja de Laundos, outrossim da dita
terra e termo, e logo aí pelo dito João da Fonte, abade de Balassar, foi apresentada uma carta de anexação de Dom Fernando,
Arcebispo de Braga, escrita em pergaminho e selada do selo pendente redondo,
posto em cera branca, colgado por uma fita miscrada de linhas pretas e brancas
e subscrita pelo dito senhor Arcebispo, segundo pela dita carta parecia (…)
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Nó da A7
O jornal A Voz da Póvoa anuncia que o ansiado nó da A7 se irá concretizar, em Balasar ou nas proximidades. Traz mesmo este título: "A construção do Nó da A7 está em marcha". Quando porém se lê a notícia até ao fim, parece que continua tudo bastante vago.
O Tombo da Comenda de 1830 e a antiga Igreja Paroquial de São Salvador de Gresufe
Ao tempo do Tombo de 1542, estava
ainda de pé o edifício da Igreja Paroquial de Gresufe, mas não era assim em
1830, ao tempo do Tombo da Comenda. Vejam-se porém as “medições” correspondentes aos prédios de 1542 assinalados na penúltima mensagem. Aquele campo sem nome onde ficava a igreja é agora o Campo da
Oliveira de São Salvador:
Item o Campo da
Oliveira de São Salvador no mesmo lugar de Além que sendo medido do nascente ao
poente, pelo lado norte, junto do caminho que vai para a igreja fazendo um
cotovelo de fronte da entrada do caminho que vai para o Campo da Searinha, tem
oitenta e seis varas; do norte ao sul pelo poente tem oitenta e duas varas; do
poente ao nascente pelo sul tem setenta e duas varas; e do sul ao norte pelo
nascente tem noventa e uma varas e meia.
Parte do norte
com o caminho que vai para a igreja, do poente com o Campo do Ribeiro deste
mesmo casal, que possui Manuel Francisco Malta, e pelo sul parte com o Campo
dos Valacos, do casal de Vila Pouca, que possui António da Costa Raposo; pelo
nascente parte com o primeiro assento deste casal, que possui António
Domingues. Levará de semeadura doze alqueires de centeio. Tem árvores de vinho
em volta e possui-o o caseiro António Domingues.
O Campo do Ribeiro cuja medição se segue
era o antigo Cortelho da Igreja:
Item o Campo do
Ribeiro, circundado sobre si, no mesmo lugar de Além, que sendo principiado a
medir junto do caminho que vai para a igreja, tem de comprido pelo lado do
nascente oitenta varas, pelo poente tem oitenta e nove varas, de largo pelo
norte tem trinta e cinco varas, pelo sul tem trinta varas.
Parte pelo
nascente com o Campo da Oliveira deste mesmo Casal, que possui António José
Domingues, pelo poente parte com ribeiro, pelo norte parte com caminho que vai
para a igreja e pelo sul parte com o Campo chamado da Água, foreiro ao Mosteiro
de Landim, que possui Manuel Francisco Ferreira. É terra lavradia com árvores
de vinho e dentro tem um moinho. Levará de semeadura quatro alqueires de
centeio e possui-o Manuel Francisco Malta.
Por fim o Campo da Searinha era o antigo
Cortelho da Searinha embora a medição não condiga:
Item o Campo da
Searinha no mesmo lugar de Além, lavradio, com uveiras por todos os lados à
excepção do norte, o qual medido do norte ao sul pelo lado do nascente tem
dezoito varas, e do nascente ao poente pelo norte tem setenta e sete varas, e do
poente ao nascente pelo sul tem setenta e nove varas.
Parte do
nascente com o caminho da serventia para os campos desta comenda e do norte
parte com o Campo da Vinha do Abade, que antigamente se chamava a Vinha Velha
deste casal e com a Vinha do caseiro que antigamente se chamava o Cortelho do
Pevidal do casal de Vila Pouca desta Comenda, que possui António da Costa
Raposo, do poente parte com o ribeiro, e do sul parte com o caminho que vai
para a igreja. Levará de semeadura quatro alqueires de centeio e o possui o
caseiro António José Domingues.
Nestas medições o caminho que vai para a
igreja é o que vem de Além para Vila Pouca, pois por igreja entendia-se então a
do Matinho. Pela maior parte das confrontações vê-se facilmente que que os
prédios são os mesmos de 1542.
Para o presente caso, o Campo da
Oliveira de São Salvador é o que mais interessa. São Salvador parece continuar
a equivaler a Igreja Paroquial de São Salvador de Gresufe. A oliveira deve
lembrar as antigas oliveiras do adro destinadas a concorrer para a manutenção da
lamparina do Santíssimo.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Quem foi Gresufe?
A Beata Alexandrina nasceu em Gresufes e
daí a importância que queremos dar à identificação do local preciso em que
ficava a desaparecida Igreja Paroquial de Gresufe. Era questão que há muito,
sem grande expectativa, gostávamos de ver esclarecida.
Gresufe, ou Gresufo ou talvez
Gresulfo, era um homem, presume-se que do século X, muito abastado e devia ter
residência no actual lugar de Gresufes, de que era dono; mas era ainda dono de Vila
Pouca, de Além, de Vila Nova e Outeiro, talvez de parte de Agrelos, com certeza
de toda a Santa Marinha de Vicente e boa parte de Cavalões. E porque era assim
abastado pôde dotar com largueza a paróquia que criou.
Doou-lhe dois casais em Além e um em
Vila Pouca. Por casais, neste caso, entende-se amplas casas de lavoura. Mas a
sua generosidade ainda foi mais longe: doou-lhe a Quinta de Cruges, em Santa
Marinha de Vicente (hoje, Gondifelos).
Um dos casais que ficava em Além chamou-se
Casal de Gresufe, sem dúvida por ser do tal Gresufo, e foi nele que fez construir
a pequena igreja. Ela devia ser mesmo muito pequena: bastaria que lá coubessem,
certamente de pé, umas 30 a 40 pessoas. Talvez tivesse dimensões não muito
diferentes das da Capela da Senhora das Neves ou da Igreja de Santa Marinha de Ferreiró (a antiga, não a da
Santíssima Trindade).
Nas Inquirições de D.
Dinis a Gresufo chama-se “Grissoffy”: “freeguisia de Sam Salvador de Grissoffy”. Mas devia-se ler
Grisofe. Muito antes, no Censual do Bispo D. Pedro, escreveu-se “Gresulfi”.
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