quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A dez anos da Beatificação

Completam-se em 25 de Abril dez anos sobre a memorável data da Beatificação da então Venerável Alexandrina. Será uma boa oportunidade para se repensar a caminhada feita na última década.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Leo Madigan


Muitos amigos da Beata Alexandrina de língua inglesa conheceram-na através do livro que Leo Madigan lhe dedicou, que existe à venda em Balasar e que tem tradução para letão. A Wikipedia dedicou uma curta biografia  a este escritor especialista de Fátima e ele criou recentemente um novo site. Paga a pena ver. Veja-se e ouça-se ainda aqui.

Entrega dos pertences da Igreja de Gresufe ao pároco de Balasar


A entrega dos pertences da igreja de Gresufes ao pároco de Balasar ocorreu aquando da morte de Gonçalo Durães, último abade da freguesia anexada. Este foi com certeza o último a ser sepultado dentro da igreja.
Os livros mencionados no documento são ainda cópias feitas à mão, que ainda não havia reprodução tipográfica.

E foram logo aí pelo dito Bento Gonçalves apresentados estes ornamentos que se seguem:
Item, um cálice de estanho.
Item, duas vestimentas perfeitas.
Item, uns pichos e uma caldeira de benzer água.
Item, três ofícios novos.
Item, um livro de benzer água e de baptizar e de encomendar.
Item, um santal e domingal de rezar.
Item, um saleiro francês.
Item, outro saleiro galego.
Item, outros dois livros de sobre altar, que vêm a saber, santal e outro domingal, segundo que o dito João da Fonte e o dito Gil Esteves abades diziam que os ditos livros eram cada dos ditos ofícios de sobreditos.
Item, foram aí mais achados estes bens que se seguem, a saber, uma arca vazia com sua cobertoura.
Item, outra arca velha, desfeita.
E dos ditos bens aí mais não foram vistos nem achados.

Os quais ornamentos e arcas velhas, assim tudo entregue pelo dito Bento Gonçalves ao dito João da Fonte, abade de Balssar e da dita igreja de Gressuffe, como dito é, o dito Bento Gonçalves disse que eu tabelião lhe desse assim dele um instrumento de como se o dito João da Fonte dava entregue dos sobreditos ornamentos e coisa de suso ditas para lhe a ele dito Bento Gonçalves ao depois não serem mais demandas, posto que se ao depois perdessem.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Dentro da Igreja Paroquial de Gresufe


O Arcebispo de Braga determinou a anexação de Gresufe a Balasar por carta de 7 de Maio de 1422, mas esta só se tornou efectiva em 27 de Novembro de 1430 por falecimento do último abade. Foi então apresentada a carta emitida pelo Arcebispo Primaz que impunha a anexação e lida dentro da desaparecida Igreja de Gresufe:

Saibam quantos este instrumento virem que no ano da era do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil e quatrocentos e trinta anos, vinte e sete dias do mês de Novembro, dentro na Igreja de Gresufe, terra de Faria, termo da vila de Barcelos, em presença de mim Afonso Martins, tabelião na dita vila e em seus termos pelo senhor Conde D. Afonso, senhor da dita vila e termos, e testemunhas que adiante são escritas, estando aí presente João da Fonte, abade de Balassar e raçoeiro do Mosteiro de São Pedro de Rates, e outrossim estando aí presente um homem que se por nome dizia Gil Esteves, abade que se dizia que era da Igreja de Laundos, outrossim da dita terra e termo, e logo aí pelo dito João da Fonte, abade de Balassar, foi apresentada uma carta de anexação de Dom Fernando, Arcebispo de Braga, escrita em pergaminho e selada do selo pendente redondo, posto em cera branca, colgado por uma fita miscrada de linhas pretas e brancas e subscrita pelo dito senhor Arcebispo, segundo pela dita carta parecia (…)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Nó da A7

O jornal A Voz da Póvoa anuncia que o ansiado nó da A7 se irá concretizar, em Balasar ou nas proximidades. Traz mesmo este título: "A construção do Nó da A7 está em marcha". Quando porém se lê a notícia até ao fim, parece que continua tudo bastante vago.

O Tombo da Comenda de 1830 e a antiga Igreja Paroquial de São Salvador de Gresufe


Ao tempo do Tombo de 1542, estava ainda de pé o edifício da Igreja Paroquial de Gresufe, mas não era assim em 1830, ao tempo do Tombo da Comenda. Vejam-se porém as “medições” correspondentes aos prédios de 1542 assinalados na penúltima mensagem. Aquele campo sem nome onde ficava a igreja é agora o Campo da Oliveira de São Salvador:

Item o Campo da Oliveira de São Salvador no mesmo lugar de Além que sendo medido do nascente ao poente, pelo lado norte, junto do caminho que vai para a igreja fazendo um cotovelo de fronte da entrada do caminho que vai para o Campo da Searinha, tem oitenta e seis varas; do norte ao sul pelo poente tem oitenta e duas varas; do poente ao nascente pelo sul tem setenta e duas varas; e do sul ao norte pelo nascente tem noventa e uma varas e meia.
Parte do norte com o caminho que vai para a igreja, do poente com o Campo do Ribeiro deste mesmo casal, que possui Manuel Francisco Malta, e pelo sul parte com o Campo dos Valacos, do casal de Vila Pouca, que possui António da Costa Raposo; pelo nascente parte com o primeiro assento deste casal, que possui António Domingues. Levará de semeadura doze alqueires de centeio. Tem árvores de vinho em volta e possui-o o caseiro António Domingues.

O Campo do Ribeiro cuja medição se segue era o antigo Cortelho da Igreja:

Item o Campo do Ribeiro, circundado sobre si, no mesmo lugar de Além, que sendo principiado a medir junto do caminho que vai para a igreja, tem de comprido pelo lado do nascente oitenta varas, pelo poente tem oitenta e nove varas, de largo pelo norte tem trinta e cinco varas, pelo sul tem trinta varas.
Parte pelo nascente com o Campo da Oliveira deste mesmo Casal, que possui António José Domingues, pelo poente parte com ribeiro, pelo norte parte com caminho que vai para a igreja e pelo sul parte com o Campo chamado da Água, foreiro ao Mosteiro de Landim, que possui Manuel Francisco Ferreira. É terra lavradia com árvores de vinho e dentro tem um moinho. Levará de semeadura quatro alqueires de centeio e possui-o Manuel Francisco Malta.

Por fim o Campo da Searinha era o antigo Cortelho da Searinha embora a medição não condiga:

Item o Campo da Searinha no mesmo lugar de Além, lavradio, com uveiras por todos os lados à excepção do norte, o qual medido do norte ao sul pelo lado do nascente tem dezoito varas, e do nascente ao poente pelo norte tem setenta e sete varas, e do poente ao nascente pelo sul tem setenta e nove varas.
Parte do nascente com o caminho da serventia para os campos desta comenda e do norte parte com o Campo da Vinha do Abade, que antigamente se chamava a Vinha Velha deste casal e com a Vinha do caseiro que antigamente se chamava o Cortelho do Pevidal do casal de Vila Pouca desta Comenda, que possui António da Costa Raposo, do poente parte com o ribeiro, e do sul parte com o caminho que vai para a igreja. Levará de semeadura quatro alqueires de centeio e o possui o caseiro António José Domingues.

Nestas medições o caminho que vai para a igreja é o que vem de Além para Vila Pouca, pois por igreja entendia-se então a do Matinho. Pela maior parte das confrontações vê-se facilmente que que os prédios são os mesmos de 1542.
Para o presente caso, o Campo da Oliveira de São Salvador é o que mais interessa. São Salvador parece continuar a equivaler a Igreja Paroquial de São Salvador de Gresufe. A oliveira deve lembrar as antigas oliveiras do adro destinadas a concorrer para a manutenção da lamparina do Santíssimo.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Quem foi Gresufe?


A Beata Alexandrina nasceu em Gresufes e daí a importância que queremos dar à identificação do local preciso em que ficava a desaparecida Igreja Paroquial de Gresufe. Era questão que há muito, sem grande expectativa, gostávamos de ver esclarecida.
Gresufe, ou Gresufo ou talvez Gresulfo, era um homem, presume-se que do século X, muito abastado e devia ter residência no actual lugar de Gresufes, de que era dono; mas era ainda dono de Vila Pouca, de Além, de Vila Nova e Outeiro, talvez de parte de Agrelos, com certeza de toda a Santa Marinha de Vicente e boa parte de Cavalões. E porque era assim abastado pôde dotar com largueza a paróquia que criou.
Doou-lhe dois casais em Além e um em Vila Pouca. Por casais, neste caso, entende-se amplas casas de lavoura. Mas a sua generosidade ainda foi mais longe: doou-lhe a Quinta de Cruges, em Santa Marinha de Vicente (hoje, Gondifelos).
Um dos casais que ficava em Além chamou-se Casal de Gresufe, sem dúvida por ser do tal Gresufo, e foi nele que fez construir a pequena igreja. Ela devia ser mesmo muito pequena: bastaria que lá coubessem, certamente de pé, umas 30 a 40 pessoas. Talvez tivesse dimensões não muito diferentes das da Capela da Senhora das Neves ou da Igreja de Santa Marinha de Ferreiró (a antiga, não a da Santíssima Trindade).
Nas Inquirições de D. Dinis a Gresufo chama-se “Grissoffy”: “freeguisia de Sam Salvador de Grissoffy”. Mas devia-se ler Grisofe. Muito antes, no Censual do Bispo D. Pedro, escreveu-se “Gresulfi”.