terça-feira, 5 de novembro de 2013

Um estranho livro

Um destes dias indicaram-nos um trabalho de Alfredo Pimenta saído no seu Terceiro Livro de Estudos Filosóficos (Livraria Cruz, Braga, 1958) sob o título de “Abscôndita”. Uma referência ainda que breve ao livro Abscôndita: diário da Irmã Inês do Coração de Maria, da Congregação de S. José de Cluny nos estudos da Beata Alexandrina parece-nos inevitável. E nós já a tínhamos publicado aqui, por exemplo. O director espiritual da Irmã Inês, o Pe. José de Oliveira Dias, SJ, era amigo do P.e Mariano Pinho e conheceu bem a Alexandrina, a quem visitou até num delicado momento, o da primeira morte mística.
O que não sabíamos é que este estranho livro, de que chegámos a possuir um exemplar, que demos ao Pe. Francisco, tinha sido colocado no Índex, o “Índice dos Livros Proibidos”. Mas foi. Confirme-se aqui. Numa página em inglês, chega-se a escrever sobre ele: Explicitly contradicts Catholic faith or morals, or is directed against the Church ("contradiz explicitamente a Fé Católica ou a moral ou é dirigido contra a Igreja"). Que terrível condenação!
Nós lemos a Abscôndita e não recordamos nada que justificasse estas enormidades. Quando muito, poder-se-ia admitir que a Irmã Inês fora uma iludida e que o seu director falhara ao não a esclarecer devidamente. Contra a Fé Católica, a moral ou contra a Igreja, pensamos que não há lá nada. E o livro chegou a receber rasgados elogios de gente muito conceituada.
O escrito de Alfredo Pimenta pareceu-nos de valor quase nulo: de mística devia saber pouco.
Quando um dia se iniciar o processo de beatificação e canonização do Pe. Mariano Pinho, no mínimo, será conveniente reler algum relatório que exista e que conduziu à inclusão da Abscôndita no Índex, registada no Osservatore Romano de 17 de Março de 1950. 
O Pe. José de Oliveira Dias também foi mandado para o Brasil, como o P.e Pinho… e tomou muito a mal a ordem recebida, segundo nos disseram. 
Na Autobiografia, contando o que se passou na sua primeira morte mística, a Beata escreveu: "O Sr. Pe. Dr. Oliveira Dias pareceu-me um anjo que veio do do Céu serenar a tempestade da minha alma". O P.e Mariano Pinho transcreve esta frase em Uma Vítima da Eucaristia e em No Calvário de Balasar.

domingo, 27 de outubro de 2013

Reunião da Liaba

Na reunião da Liaba de hoje voltámos ao tema da Santa Cruz para falar do momento religioso e político que se viveu antes e depois da aparição, nomeadamente do cisma que se abateu então em Portugal sobre a Igreja, das figuras mais destacadas do cisma no Arciprestado de Vila do Conde, das expulsões de párocos que então ocorreram (metade foram suspensos ou expulsos), do que se passou em concreto na área da palestra de São Simão da Junqueira (a que Balasar pertencia), etc. Um vendaval sacudiu a diocese desde os alicerces e a Santa Cruz, na sua humildade, era uma luz que brilhava na escuridão.
Lembre-se que o poder político cortou então relações  com a Santa Sé, colocou à frente das dioceses eclesiásticos da sua confiança, fechou os seminários e extinguiu as ordens religiosas.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Um belíssimo diálogo entre Jesus e a Alexandrina

O diálogo entre Jesus e a Alexandrina que se coloca abaixo decorreu em 2 de Março de 1945, depois de esta reviver a Paixão. É belíssimo. Repare-se também no que Jesus anuncia para o futuro, pois contém um especial motivo de esperança.
 - Minha filha, sol da terra, fogo dos corações, honra e alegria do Céu!
Sol que, com os seus raios brilhantes, aqueces e iluminas toda a humanidade!
Fogo que abrasas e purificas os corações! (sic)
Honra e alegria do Céu, porque, ao ver a tua dor, ao ver o teu martírio, que já lá está escrito agora e por toda a eternidade, alegra-me, honra-me, glorifica-me.
Todo o Céu bendiz o meu santo nome pela vítima imolada, pela vida das vidas, pela vítima das almas.Vim do Céu, minha filha, desci do meu trono divino, vim ao meu palácio, ao meu céu da terra, subi ao trono da minha rainha. Venho da minha glória desabafar contigo as minhas mágoas.
Diz-me, amada minha, queres consolar-me? Queres alegrar o meu divino Coração tão triste? Queres dar-me tudo até a consolação que de Mim devias receber?
Fala-me, fala-me com a tua língua de ouro, o teu coração de fogo.
- Jesus, que me pedireis que eu não Vos dê? Conto sempre com a vossa graça para com ela poder sofrer tudo e dar-Vos tudo o que de mim desejais.
Viva eu sempre na tristeza e na amargura, para Vós, meu Jesus, viverdes só na consolação e na alegria!
- Ó meu anjo da terra, tu falas aqui e o que tu dizes escrevem os anjos no Céu a letras de oiro e pedras preciosas.
Vê o mundo, vê o lodo, vê a lama. A maldade que vai por aí!
Olha como sofre o meu divino Coração. Olha como está ferido.
Já que de tão boa vontade, tão alegremente dás tudo, privo-te da minha alegria, da minha consolação, assim como te privei da consolação e alegria daqueles que te são queridos.
Só receberás o meu conforto para poderes sofrer, para poderes vencer.
Só receberás espinhos, de todos os lados espinhos: foi a visão que te mostrei.
Viverás entre eles e entre eles expirarás.
A tua alma pura romperá por entre eles, voará ao Céu a arder de amor. É um anjo seráfico que voa à sua pátria.
Os teus espinhos não são espinhos que secam, a tua dor cultiva o terreno desse bosque imenso que eu te mostrei; o teu sangue rega-os; são espinhos que brotam, são espinhos que dão rosas.
Que jardim brilhantíssimo deles vai nascer!
O orvalho que sobre esse jardim cai é orvalho de sangue, é maná celeste que vem abrilhantá-las, conservá-las, dar-lhes a vida.
Tu partes para o Céu, mas a tua graça, as tuas virtudes ficam na terra: é perfume que se estende a toda a humanidade.
Tu partes para a Pátria e ficas comigo na Eucaristia: serás a pombinha eucarística que não abandona o seu ninho.
É como a pombinha e pastorinha das almas que te quero pintar nas portinhas e cortinas dos meus sacrários. Assim o quero, minha filha, rainha do mundo, rainha dos corações.
Quero, minha filha, tenho pressa, muita pressa que a tua vida seja conhecida; o mundo necessita disso.
É por ti, através de ti que eu mostro o meu amor, a minha misericórdia, as ânsias que tenho de ver salvas as almas.
Custa tanto o pai castigar o filho que erra e se revolta contra ele! Como não há-de custar ao meu divino Coração imolar, sacrificar a minha filha amada, a minha vítima inocente?
Vê, ó mundo, a minha loucura e amor por ti!
Aqueles que se opõem à minha divina causa, ao que se passa em ti, opõem-se contra Mim, opõem-se à salvação das almas.
Todo o teu martírio é por meu amor, é por amor às almas.
Depressa, depressa a salvar, pelo que opero em ti, o mundo inteiro.
Quando Jesus dizia isto, dos Seus divinos olhos corriam lágrimas com toda a abundância. Eu disse:
- Meu Jesus, quero sofrer só eu e só eu quero chorar. Deixai-me na amargura, na tristeza infinda e ficai Vós numa alegria e consolação completa.
Jesus deixou de chorar, estreitou-me a Ele fortemente e retirou-se. Eu fiquei abraçada à minha cruz, mergulhada na minha dor. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Por Maria a Jesus

Pelo P.e Mariano Pinho

Por Maria a Jesus! É o programa de todos os Con­gregados; é o lema de todos os cristãos, o roteiro seguro de todos os predestinados para a eterni­dade! Atraídos por Maria, deram com Jesus; iluminados por Maria, viram-se iluminados por Jesus; alentados por Maria à contrição, à confiança, encontraram-se no oceano das Misericórdias infinitas de Jesus.
É esta a economia divina de Maria: quer-nos muito, mas para Jesus; busca-nos, se andamos fugidos, mas para nos levar a Jesus; deseja e pede-nos o nosso cora­ção, o nosso amor, mas para que mais amemos a Jesus.
É este também o resultado da nossa devoção a Ma­ria Santíssima, se é sincera, se é ardente, se é ilustrada, se é enfim, devoção verdadeira: per Mariam ad Jesum.
Então há de ser este também o resultado principal de todas as nossas práticas marianas durante o mês de Maio, se forem práticas de verdadeira e sólida devoção a Maria.
Todo este mês deve ser um ir crescendo sempre em luz e calor: luz que nos mostre cada vez mais nítida aos olhos da nossa alma, a imagem infinitamente deslum­brante e dulcíssima de Jesus; calor que nos inflame e transforme em serafins de caridade para com o Amor que não é amado, para com o seu Coração Amantíssimo.
Assim será, se o nosso mês de Maio não se limitar só ao afã de andarmos colhendo pelos prados e cantei­ros as melhores rosas e lírios e açucenas para com elas adornarmos o altar da Virgem Pura: faz bem à alma des­cansar a vista sobre um altar de Maria, aformoseado com gosto, com sobriedade, com mimo, pelas florinhas com que Deus Nosso Senhor dá afinal também mimo e en­canto aos nossos prados: — as florinhas, as estrelas e os olhos dos inocentes, diz um autor, são as únicas lembran­ças que na natureza nos ficaram do Paraíso terreal. — Mas flores só — não são devoção a Maria.
Faz bem ao espírito escutar durante o mês de Maio os cânticos escolhidos e religiosos e dignamente executados em louvor da Mãe da Deus: porém música, tão somente, ainda não é devoção a Maria e o mês de Maio que se limitasse apenas a cantos e flores, não nos levaria a Je­sus por Maria.
O mês de Maio, para dar resultado tem que ser um mês de estudo e de oração. 
Mês de estudo. Estudo em que o Mestre é o Divino Espírito Santo e a potência que mais se aplica é a inteligência informada pela fé; estudo, que melhor lhe chamaremos meditação, desta Obra-prima do Criador, a Virgem Imaculada. Ah! e não bastará um mês, porque também não há de bastar uma eternidade, se queremos penetrar, nas grandezas, nos privilégios, no poder e nas misericórdias de Maria!
Mas por pouco que se medite, se é com reverência e humildade e desejo ardente de conhecer tão boa Mãe, logo a nossa inteligência se arrebatará, ao ver que «nada há mais esplêndido do que Aquela a quem o mesmo Di­vino Esplendor escolheu: quid splendidius ea quam Splendor elegit?» como diz Santo Ambrósio. Logo o nosso coração se sentirá prendado e preso da Sua amabilidade de Mãe do Amor Formoso, de Mãe dos pequeninos, de Mãe de Misericórdia. Em Maria condensou Deus tudo o que fora de Si há de amável, de belo e de bom.
Logo finalmente nos veremos impelidos a trabalhar por nos parecermos com tão acabado modelo: quem ao meditá-la tão bela e perfeita e ao lembrar-se que é sua Mãe, não sentirá desejos de se parecer com ela?
Mas quem não adverte que estudar e chegar pela meditação ao conhecimento de Maria é estudar e conhe­cer a Jesus? Quem não vê que imitá-la a Ela é imitar a Jesus? Maria foi quem melhor se pareceu na terra e quem melhor no céu se parece com Jesus; aproximar-se por isso das perfeições de Nossa Senhora, é caminhar para as perfeições de Jesus: per Mariam ad Jesum.
Depois, o mês de Maio há de ser mês de oração. Já o meditar nas grandezas de Maria é orar: a verda­deira meditação ascética é oração. Mas havemos de orar, louvando-a e por Ela ao Criador, vendo «quão grandes coisas operou em Maria o Todo-poderoso; a nossa alma engrandece ao Senhor, e o nosso espírito exulta em Deus nosso Salvador, ao ver a Bondade com que olhou para a humildade da sua servazinha: magnificat anima mea Do­minum et exultavit spiritus meus in Deo salutari meo: quia respexit humilitatem ancillae suae. E à porfia com todas as gerações a proclamamos Bem-aventurada, bendita entre todas as mulheres, toda bela e Imaculada, glória do nosso povo, alegria dos céus e da terra e advogada dos pecadores.
Orar louvando e orar dando graças a Deus por nos ter outorgado tão boa Mãe e dando graças a Maria por tão plenamente se desempenhar dessa sua missão de Mãe.
Orar ainda pedindo: ele há tanto que pedir! A ora­ção é a maior necessidade do género humano, e é tam­bém a nossa omnipotência: «tudo o que pedirdes em meu nome vos será dado» — dizia Jesus, «pedi e recebe­reis». Ele há tanto que pedir! Então peçamos e rece­beremos: só pedindo e pedindo muito, é que o mês de Maria será para nós o mês de graças e de bênçãos.
Então peçamos e receberemos; peçamos para nós e peçamos para os outros. Peçamos pela Igreja e pelo Papa; pelos Bispos e pelo Clero e pelos Religiosos e Religiosas, peçamos pela pátria, pela sociedade e pela família; peçamos pelos adultos e pela juventude de um e outro sexo; peçamos pela infância: ele há tanto que pe­dir! Mas peçamos e receberemos; vamos com confiança ao trono da graça. Vamos a Jesus por Maria, peçamos a Jesus por Maria. Peçamos a Maria que nos mostre a Jesus, agora, pelo conhecimento cada vez mais claro e o amor mais abrasado e depois deste exílio, face a face, para o gozarmos eternamente no Céu: et Jesum benedictum fructum ventris tui nobis post hoc exilium ostende.
Se assim se passar o nosso mês de Maio, dará o resultado de toda a verdadeira e sólida devoção, especial­mente quando essa devoção é devoção a Maria Santís­sima, que é: aproximar-nos, levar-nos a Jesus: per Ma­riam ad Jesum.
M. Pinho (Maio de 1932)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A Beata Alexandrina e a Beatificação do P.e Cláudio de la Colombière

Era de esperar que o Mensageiro desse grande realce a S. Margarida Maria Alacoque e ao seu director espiritual, o P.e Cláudio de la Colombiére: com estes é que tinha nascido a devoção da Sagrado Coração.
Em 1929, o P.e Cláudio de la Colombiére foi beatificado e o Mensageiro naturalmente exultou: durante anos (até ao fim de 1932 pelo menos), manteve uma secção sob o título de “Amigos do Sagrado Coração” onde foram publicadas principalmente as biografias do novo beato e da sua dirigida.
Que relação pode ter isto com a Beata Alexandrina?
A secção dos “Amigos do Sagrado Coração” abria com um arranjo pictórico e floral onde se enquadrava, entre outras coisas, o lema “sofrer, calar, amar”. Ora é difícil não estabelecer alguma relação entre este e o convite que a Alexandrina ouviu, repetidas vezes, pelos anos de 1931-1922, asofrer, amar, reparar”.
Quando, em 30 de Julho de 1935, Jesus lhe pede que diligencie para que o mundo seja consagrado a Sua Mãe, evoca S. Margarida.

Assim como pedi a Santa Margarida Maria para ser o mundo consagrado ao meu Divino Coração, assim o peço a ti para que seja consagrado a Ela ( à Sua Mãe) com uma festa solene.

S. Margarida não era uma santa popular. O P.e Pinho tinha adquirido uma imagem dela para a Basílica (ainda muito incompleta) do Sagrado Coração de Jesus e havia outra imagem em Bagunte. Mas não haveria mais nas redondezas.
Não é por isso de modo nenhum de excluir que a Alexandrina conhecesse o nome da santa e algo da sua vida pelo Mensageiro, ainda que indirectamente, isto é, não propriamente por o ler, mas por ouvir falar sobre ele ao tempo da beatificação do hoje S. Cláudio la Colombière.
Imagens: 
Em cima, Beato la Colombière segundo imagem publicada no Mensageiro.
A meio, fragmento duma página do Mensageiro onde se pode ver o lema "sofrer, calar amar".
Em baixo, conjunto escultórico da Basílica do Sagrado Coração de Jesus, na Póvoa de Varzim, que representa uma aparição do Sagrado Coração a S. Margarida Maria Alacoque.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Palestra sobre a Beata Alexandrina

Amanhã, dia 17, o Eng.º Luís Pizarro de Castro, da LIABA, falará da Beata Alexandrina  na Capela da "Obra de Nossa Senhora da Purificação", na Portela de Sacavém.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Os últimos anos d’O Apóstolo e a Beata Alexandrina - 1

Conheceria a Beata Alexandrina a revista O Apóstolo, que os jesuítas publicavam na Póvoa de Varzim? Ela fornecia informação que parece indispensável para a tomada da extraordinária decisão, ocorrida talvez em 1928, de se oferecer como vítima:

Sem saber como, ofereci-me a Nosso Senhor como vítima, e vinha, desde há muito tempo, a pedir o amor ao sofrimento.

“Sem saber como” deve corresponder a por inspiração, mas ela sabia em que consistia oferecer-se como vítima, o que não era comum.
Ora O Apóstolo, por essa altura, falava mensalmente da reparação e de cristãos que se ofereciam como vítimas pela salvação da humanidade.
Além disso, em Balasar, desde 2 de Julho de 1893 (tempos do P.e Sousa), havia a Associação do Coração de Jesus, o que torna provável que a revista aí fosse conhecida. A Sãozinha, a Deolinda e a Alexandrina foram membros da associação.
Há uma acta da reunião dos Zeladores e Zeladoras da Associação do Sagrado Coração de Jesus, de 1933, a que presidiu o P.e Manuel de Araújo, mas a poucos meses de deixar a paróquia, onde se valoriza a frase evangélica “Deixai vir a Mim as criancinhas!” A reunião foi secretariada pela Prof.ª Maria da Conceição Proença, a Sãozinha.
Ora esta frase não é só uma citação do Evangelho, é também citação da Cruzada, que lhe deu grande destaque na capa de números sucessivos.
Isto quase garante que a Cruzada e certamente o Mensageiro eram recebidos na freguesia, que a Sãozinha os conhecia e que a Alexandrina deles ouviria falar com insistência. Estas revistas sucederam a O Apóstolo e continuaram-no.
Na mesma acta é referido o tema da reparação – da Comunhão reparadora.
Noutra acta encontrámos a expressão deste desejo: “Oh, quem dera que Portugal do século XX fosse o Portugal dos nossos avós! Que costumes tão santos se respeitavam!...
Mas ainda bem que um movimento geral se está operando no sentido de levantar a nossa Pátria!”
Estas frases sintonizam também com o que se vê nas referidas revistas jesuítas.
Bandeira da Associação do Sagrado Coração de Jesus fotografada no Cemitério de Balasar. Esta associação completou 120 anos em Julho de 2013 e foi criada pelo pároco que baptizou a Beata, que está sepultado no jazigo cujo cimo se vê ao lado direito da bandeira.

O que era O Apóstolo?

Os Jesuítas portugueses, após a debandada imposta pela República, que os proscreveu (foram havidos por desnaturalizados e proscritos, e se mandou que fossem expulsos de todo o país e seus domínios "para neles mais não poderem entrar"),  logo que surgiu oportunidade  retomaram a sua obra e as suas publicações. O Apóstolo, surgiu em 1915 e veio tomar o lugar do Mensageiro do Coração de Jesus. Apresentava o subtítulo de “Revista Mensal – Órgão oficial do A. O., da Consagração da Família ao Sagrado Coração de Jesus e da Cruzada Eucarística das Crianças em Portugal”.
Cada número obedecia a uma grelha temática que era bastante comum. Saía com cerca de 50 páginas e considerava-se que os diversos números de um ano eram para encadernar no fim dele, por isso a numeração das páginas não era independente por edição, antes se ia acumulando mês após mês.

Temos connosco a colecção d’O Apóstolo de 1926 e 1927, mais o número de Janeiro de 1928. Em 1929, a revista retomou o título original. 
Capa d’O Apóstolo de Abril de 1926. Repare-se que saía na Póvoa de Varzim.