sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A SANTA CRUZ DE BALASAR E O CONTEXTO RELIGIOSO E POLÍTICO AO TEMPO DA SUA APARIÇÃO - 7

Este primeiro documento é do já conhecido António Pires de Azevedo Loureiro, o segundo talvez dum amigo dele, o Mata-Frades, Joaquim António de Aguiar. E isto tinha de ser copiado nos livros paroquiais. Era uma Igreja à inglesa, autónoma, cismática.

António Pires de Azevedo Loureiro, Provisor Vigário Capitular Interino do Arcebispado e Braga, etc.

Tendo em consideração a tranquilidade das consciências dos fiéis deste Diocese e desejando sobremodo que os seus Pastores e Confessores aprovados achem toda a amplitude do poder sagrado que lhes era concedida nas bulas pontifícias a fim de os absolver de suas culpas e que havendo todas as graças que pela Bula da Cruzada são comedidas nos dias da Santa Quaresma, usando da autoridade que nos compete, concedemos a todos os Rev. Párocos e mais Confessores aprovados deste Arcebispado jurisdição de absolverem na próxima futura Quaresma os reservados que, pela Bula da Cruzada, podiam absolver e a todos a todos os nossos diocesanos faculdade de gozarem de todas as graças que na mesma bula se acham expressas nos dias nela declarados.
E para que chegue à notícia de todos ordenamos aos Desembargadores Vigários Gerais e Arciprestes que façam remeter por cópia a todos os Rev. Párocos de suas jurisdições a fim de que o registem e publiquem à estação da Missa Conventual e cumpram.
Dada em Braga sob o sinal somente, aos 15 de Fevereiro de 1836.
António Pires de Azevedo Loureiro
Joaquim António de Aguiar


Ministério dos Negócios Eclesiásticos e de Justiça
Repartição dos Negócios Eclesiásticos

Foi presente a Sua Majestade a Rainha a informação dada em 12 deste mês pelo Provisor Vigário Capitular do Arcebispado de Braga sobre a representação de vários Párocos do concelho de Ponte da Barca, os quais pedem providências a respeito da falta de pagamento das oblatas e primícias por parte dos seus respectivos paroquianos, que se julgam hoje desobrigados de as satisfazer, e manda Sua Majestade declarar ao referido Provisor Vigário Capitular que não há dúvida de que na extinção dos dízimos não foram compreendidas as primícias e oblatas e quaisquer outros direitos paroquias, tanto assim que no artigo 3.º da Carta de Lei de 20 de Dezembro de 1834 se manda descontar a importância desses direitos nas prestações arbitradas provisoriamente pela mesma Lei aos Párocos do Reino. Sua Majestade espera que os povos se não esquivem ao pagamento a que estão obrigados e que, convencidos da sua obrigação e da importância do objecto a que é destinado o mesmo pagamento, se prestarão de bom grado a contribuir para a sustentação dos seus respectivos Párocos. No caso porém de que suceda o contrário, acham-se nas leis estabelecidas os meios de que deve usar-se para os obrigar a satisfazer o pagamento de que se trata, o que se participe ao Provisor Vigário Capitular para sua inteligência e para que assim o faça constar aos Rev. Párocos suplicantes.
Paço das Necessidades, em 18 de Maio de 1836.
Joaquim António de Aguiar

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Nó da A7 em Balasar?

O antigo presidente das Junta de Balasar, Lino Araújo, bateu-se por um nó na A7 que servisse Balasar. Serviria esta freguesia, mas também Rates, por exemplo. Mas não conseguiu, interesses que nunca ficaram claros levaram o nó para Touguinhó, ondem, bem vistas as coisas, não servia a ninguém.

A questão foi trazida à ordem do dia pelo presidente eleito da Póvoa. Agora que a Paróquia de Balasar tem tão largos planos de obras, seria complementar e mais que benéfico que ele se concretizasse.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

“HÁ MAIS DE UM SÉCULO QUE MOSTREI A CRUZ A ESTA TERRA AMADA”

São conhecidas as palavras que Jesus dirigiu à Beata Alexandrina a respeito da Santa Cruz[1]; a Cruz de terra anunciava-a. No colóquio de 5 de Dezembro de 1947, falou-lhe assim:


És a minha vítima a quem confiei a mais alta missão. E como prova disso atende bem ao que te digo para bem o saberes dizer.
Quase um século era passado que eu mandei a esta privilegiada freguesia a cruz para sinal da tua crucifixão. Não a mandei de rosas, porque a não tinha, eram só espinhos; nem de oiro, porque esse com pedras preciosas serias tu com as tuas virtudes, com o teu heroísmo a adorná-la. A cruz foi de terra, porque a mesma terra a preparou.
Estava preparada a cruz; faltava a vítima, mas já nos planos divinos estava escolhida; foste tu.
O mal aumentou, a onda dos crimes atingiu o seu auge, tinha que ser a vítima imolada; vieste, foi o mundo a sacrificar-te.
E agora partes para o Céu e a cruz fica até ao fim do mundo, como ficou também a minha.
Foi a maldade humana a preparar-Me a minha, e a mesma maldade humana preparou a tua.
Oh, como são admiráveis os desígnios do Senhor! Como são grandes e admiráveis! Que encantos eles têm!

Oito anos à frente, em 21 de Janeiro de 1955, insistiu:

Há mais de um século que mostrei a cruz a esta terra amada, cruz que veio esperar a vítima. Tudo são provas de amor!
Oh, Balasar, se Me não correspondes!...
Cruz de terra para a vítima que do nada foi tirada, vítima escolhida por Deus e que sempre existiu nos olhares de Deus!
Vítima do mundo, mas tão enriquecida das riquezas celestes que ao Céu dá tudo e por amor às almas aceita tudo!
Confia, crê, minha filha! Eu estou aqui. Repete o teu "creio". Confia!

No Ala-Arriba de 3 de Dezembro de 1955, o P.e Leopoldino foi o primeiro a publicar a associação entre a Santa Cruz e as palavras proferidas por Jesus sobre a aparição de 1832.

Os Signoriles, no prólogo do livro Figlia del dolore, madre di amore, sob o título de “A Cruz e a Crucificada”, depois de traçar uma ampla descrição de Balasar, escreveram:

Desde 1832, por vários anos, Balasar foi meta de peregrinações em honra de uma Cruz aparecida misteriosamente na terra, a poucos metros da actual igreja. Para protecção desta Cruz foi construída uma Capela, ainda existente, que tem na frente a data 1832, esculpida em pedra. Durante anos houve também uma Confraria, com o fim de promover a festa da Santa Cruz de Balasar.
Pouco mais de um século depois, Balasar torna a ser meta de numerosas peregrinações: o povo é atraído pela fama de Alexandrina Maria da Costa, que aí viveu muitos anos “crucificada”.
Os amigos da Beata Alexandrina não podem ignorar a história – verídica, bem documentada – da aparição da Santa Cruz de Balasar e o culto que dela nasceu; esse estudo foi começado há muito.
Há notícia do aparecimento de cruzes em vários locais, ao longo dos tempos. O caso de Barcelos é dos mais notáveis. Sobre ele se alonga um Tratado Panegírico, escrito pelo franciscano Fr. Pedro de Poiares e publicado em 1672, mais de século e meio após o acontecimento. O livro é mesmo um panegírico, procurando o autor elevar até ao inverosímil a grandeza vinda à cidade pelas Cruzes aí aparecidas. Tem naturalmente o cuidado de dar à aparição a mais convincente base de veracidade.






[1] Publicaram-nas o P.e Humberto, o P.e Leopoldino e outros autores. O P.e Pinho, nos seus livros, não relaciona a Santa Cruz com a sua antiga dirigida.

domingo, 29 de setembro de 2013

Palestra na Liaba

Na Liaba falámos hoje sobre a Santa Cruz. Trata-se de um tema que nos tem merecido aturada investigação a ponto de o trabalho que sobre ela desenvolvemos se aproximar já das 70 páginas.
A recente descoberta dos livros do juiz de paz muito nos ajudou. De facto, o importante estudo do P.e Leopoldino, onde publicou os documentos fundamentais, ignora largamente o contexto em que decorreram os acontecimentos: não fala da perturbante situação política que se vivia, do cisma que estava a chegar, desconhece qualquer informação biográfica sobre párocos como os padres António José de Azevedo ou Domingos José de Abreu, não sabe quem era o administrador do concelho António José dos Santos nem o que se passava nas paróquias do arciprestado (que se iria criar talvez em 1835), etc., etc. Os tempos eram mesmo muito difíceis.
Em 1832 e até final de 1836, Balasar pertencia a Barcelos, mas no arquivo desse concelho não há nada de interesse para esses anos. Em 1836, creio que chegou por breve espaço de tempo a pertencer a Vila Nova de Famalicão, mas o arquivo respectivo... ardeu há muito. Desde 1837, passa a haver alguma coisa nas actas da câmara da Póvoa e há depois as mensagens do regedor. Desconhece-se o paradeiro das actas da junta, que o P.e Leopoldino ainda consultou.
É neste quase deserto informativo que avultam as "conciliações" do juiz de paz.
Não se deve contudo esquecer que houve o Tombo da Comenda de Balasar, de entre 1830 e 1833, as devassas de 1824 e 1831, que o P.e Franklim Neiva Soares publicou, e algo mais. Os assentos paroquiais quase nada acrescentam de válido.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Sagrado Coração de Jesus

Já tínhamos visto em Balasar uma bandeira da Associação do Coração de Jesus e vimos agora outra – pareceu-nos que não era a mesma – que continha as célebres palavras: “Eis o Coração que tanto amou os homens”. Se não eram exactamente estas, remetiam para elas. Mas na bandeira havia uma data, 1936, e isso valoriza-a muito.
1936 foi o ano em que o P.e Mariano Pinho entendeu que era para tomar a sério o pedido da consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria – e nesse pedido entrava o nome de Santa Margarida Alacoque, a quem Jesus fizera as revelações acerca do seu Sagrado Coração.
E o P.e Pinho veio a Balasar esse ano pelo menos três vezes, em Janeiro, Maio e Agosto.
Sobre esta última vinda a Balasar, o P.e Leopoldino escreveu em 31 daquele mês para o Idea Nova (a notícia saiu em 12 de Setembro):

Revestiu-se de grande brilhantismo a festa do Sagrado Coração de Jesus ontem realizada. As conferências do Sr. P.e Mariano Pinho foram concorridas principalmente pelos homens, que ocupavam a maior parte do templo. O assunto – o Apostolado da oração e a Acção Católica – versado com grande mestria pelo grande orador, foi ouvido com atenção e agrado. Em três dias houve reunião de confessores, sendo a comunhão geral de domingo numerosíssima, tomando nela parte mais de dois terços da freguesia.
Durante o tríduo, distribuíram-se 2.000 comunhões. A missa da festa, canta pelo Rev. Abade, acolitado pelo Rev. Abade de Macieira e S. Martinho do Outeiro, teve grande concorrência, estando encarregado da parte cantante o coro das mulheres, acompanhadas a harmónio pelo Rev. Abade de Rates.
De tarde, houve sermão, acto de consagração, bênção papal e procissão em que Jesus-Hóstia foi levado em triunfo por todo o povo da freguesia, entoando cânticos e passando por um tapete de verdura, vendo-se um artístico tapete de flores em frente à casa da Sra. Rosa Murado. Na larga igreja, foi dada ma bênção pública depois de uma brilhante alocução do Rev. Pinho, sendo Jesus sacramentado muito vitoriado com palmas, vivas e acenar de lenços. As crianças da Cruzada Eucarística empunhavam uma linda bandeira com a cruz de Cristo, entusiasmando-se muito ao saudar com ela Jesus-Hóstia. Enfim, foi uma festa que deixou saudades e deva agradar ao Sagrado Coração de Jesus a quem foi dedicada.
Parabéns aos zeladores do Apostolado da Oração.

Datará de então a bandeira?
Em 1 de Outubro de 1954, a um ano de falecer, a Alexandrina ouvi Jesus pedir-lhe que espalhasse a devoção ao seu Coração e ao da sua Mãe:

“Faz, esposa querida, que se espalhe no mundo todo o amor dos nossos Corações”.
Quem nos arranja fotografias das bandeiras que mencionámos acima?

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Depois de morrerem, são todos bons

Uma vez acusaram-nos de julgar o P.e Francisco. Não nos lembramos de algumas vez o ter feito, pelo menos por escrito. Mas agora vamos colocar à consideração dos leitores alguns factos a ele referentes. Cada um tire as conclusões que quiser.
Dizia-nos uma vez um sacerdote que, “depois de morrerem, (os sacerdotes) são todos bons”. Quem quiser aceitar este ponto de vista é livre de o fazer.
O P.e Francisco, a nosso ver, deixou algumas realizações positivas: promoveu a transladação dos restos mortais da Beata Alexandrina para a igreja paroquial, que foi coisa importante; criou-se em seu tempo o Boletim de Graças (criou-o o Dr. Dias de Azevedo), decorreu o Processo Informativo Diocesano (obra sobretudo dos Salesianos), foi feita a proclamação do Decreto das Virtudes Heróicas, teve lugar a Beatificação. 
Mas também foi extinto em seu tempo o mesmo Boletim de Graças, numa altura em que tinha uma tiragem de mais de 30.000 exemplares. As obras que realizou na igreja paroquial foram de muito discutível oportunidade, fazendo desaparecer por exemplo o interior dela que a Alexandrina conheceu. Não escreveu qualquer obra, maior ou menor, mas de algum fôlego sobre Beata.
Mas há um pormenor que nos parece particularmente negativo na sua passagem pela freguesia – o seu comportamento na chamada "guerra dos eucaliptos". Se é verdade o que nos contaram (e existe um dossiê a registar isso) e que se vê, pelo menos em parte, confirmado pelo relatório do júri avindor, ele portou-se aí muito mal.
Dizemos isto porque já uma vez se chegou a pensar em colocar em Balasar três bustos, um do P.e Mariano Pinho, outro do P.e Humberto e um terceiro do P.e Francisco. Em nossa opinião, não se deve fazer nada que se pareça com isso.
Que descanse em paz!
Veja-se aqui outro ponto de vista sobre o P.e Francisco.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Faleceu o P.e Francisco

Vimos agora numa página do Facebook que faleceu o P.e Francisco de Azevedo.
A missa exequial celebra-se na próxima quarta-feira pelas 10h, na igreja paroquial de Balasar (Póvoa de Varzim). 

Dados Biográficos
Natural de Oliveira, Famalicão.
Nascimento: 23-01-1928
Ordenação presbiteral: 02-07-1953
Falecimento: 23-09-2013

Serviço Pastoral
7/8/1953: Vigário Cooperador de Santiago de Castelões, V. N. de Famalicão;
15/9/1956: Pároco de Balazar, Póvoa de Varzim;
18/7/2004: Dispensado da paroquialidade de Balasar, Póvoa de Varzim.