sexta-feira, 26 de julho de 2013

Colóquio de Jesus com a Beata Alexandrina (23 de Fevereiro, sexta-feira, 1945)

Veio Jesus. Senti-O entrar no meu coração e nele se sentar ainda antes de O ouvir. Sentou-se e, como para descansar, inclinou nele a Sua santíssima cabeça e disse:
- Minha filha, desce o amor à dor, a luz à noite, à escuridão, às densas trevas. Dor, noite, escuridão e densas trevas permitidas por Mim. É o remédio, é a medicina das almas. Aqui posso descansar, aqui não pode o mundo ferir o meu Divino Coração, aqui recebo tudo, tudo o que pode dar uma criatura ao seu Deus; aqui consolo-Me, delicio-Me.
- Meu Jesus, custa-me tanto, tanto ouvir-Vos falar assim. Sou tão miserável, sou só miséria! Como podeis dizer isso? Como podeis consolar-Vos depois de tanta maldade e ingratidão que encontrais em mim, para me falardes desta forma?
- Escuta, filhinha amada, não quero, não posso consentir que voltes a dizer-Me o que encontro em ti para assim te falar. Não posso eu honrar-te com honrosos títulos, levar-te à maior altura, à mais alta dignidade?
És minha filha, falo do que é meu. És minha esposa, esposa que possui as qualidades do seu Esposo, esposa que só ao Esposo se assemelha. Enriqueci-te das minhas riquezas, elogio e honro as minhas coisas, o que é meu. Tu és a minha pomba bela, um coração de fogo, fogo que queima, fogo que purifica, fogo que atrai a Mim os corações, fogo que é capaz de incendiar o mundo, o mundo que te confiei, o mundo que é teu.
Pede, pede, minha filha, pede oração e penitência e emenda de vida, pede, e que peçam aqueles que desejam ver o reinado do meu Divino Coração!
Oh, o que espera o mundo, se não se levanta e se reconcilia comigo!
Jesus levantou-se do meu coração, ergueu as Suas santíssimas mãos e dos Seus santíssimos olhos corriam lágrimas em grande abundância: pareciam duas fontes. A soluçar muito, continuou:
- Vês o meu Divino Coração aberto? É o pecado, é o prazer da carne; é o pecado, é o mundo. Salva-o, salva-o, minha filha, não deixes perder o meu Sangue!
Pede-lhe que se converta, faz que as almas venham a Mim, reúne em meu divino Coração as minhas ovelhas, todo o meu rebanho! Pede, pede em nome de Jesus! Penitência, oração e sincera reconciliação!
- Jesus, Jesus, basta, não façais isso.
Ofereço-Vos a minha vida e a minha morte; ofereço-Vos todo o meu corpo e todo o meu sangue; dou-Vos o meu amor, aceito quanto Vos aprouver dar-me, toda esta vida de sofrimento, mas levantai-Vos já, meu Jesus, descei as Vossas santíssimas mãos, estancai as Vossas lágrimas. Que horror, meu Jesus, não posso ver-Vos assim! Como pode a grandeza infinita ajoelhar-se diante da maior miséria, do mais pequenino nada?!
Jesus levantou-Se, sentou-Se de novo em meu coração, estendeu sobre os meus ombros o Seu santíssimo braço e uniu o Seu santíssimo rosto ao meu, apertou-me fortemente, cobriu-me de beijos e incendiou no meu coração o fogo que no d’Ele ardia.
- Quanto consolou o meu Divino Coração a tua oferta, o teu amor! Vejo em ti a graça, a pureza, a heroicidade das almas!
- Não é isso que eu quero, Jesus. Dizei-me a razão por que procedestes assim? Sendo Deus, ajoelhaste-te diante da criatura mais pobre e miserável. Só Vós sabeis quanto isso me atormenta.
- Minha pura, minha bela, maior é o sacrifício, mais tens que oferecer-Me. Escuta então. Não é de joelhos, de mãos postas e com lágrimas que se movem os corações à compaixão? É tão grande o amor que tenho às almas como grande é o meu poder. O meu procedimento é a sede das almas. Não se pode comparar a sede humana à sede divina.
Quantas vezes as criaturas, para saciarem a sua sede ardente, ajoelham-se, mergulhando seus lábios em água nojenta, lodosa e em lama. Eu, a Grandeza sem igual, para saciar minha sede, para pedir a salvação das minhas almas, ajoelhei-Me na minha esposa querida, revestida de Mim, transformada em Mim, a pedir-lhe as almas, a pedir-lhe o mundo, esse mundo que é lodo e lama nojenta. Assim transformada em Mim, nada via em ti de miséria; vi as minhas maravilhas, a minha grandeza.
Não é verdade que Eu disse “o que é grande faça-se pequeno”? Tu és o espelho que tudo reflecte. Em ti, como quando passei no mundo, vou dando o exemplo. Maravilhosa lição, ensina-a às almas! És tu, filha minha, que lhe dás o passaporte para a eternidade.
Ai do mundo, ai de Portugal, se não corresponderem às graças que lhes dou!
Ai do mundo, mas ai mais ainda de Portugal, se não agradecer os benefícios que por ti recebe!
Espalha pureza, espalha a graça, incendeia amor, amor, amor!
E descansa, vítima inocente, em meu Divino Coração, toma conforto para a tua dor sem igual e inigualável martírio.
Inclinei-me eu então para Jesus, descansei no seu Divino Coração, e nova efusão de amor, vinda dele, abrasou o meu coração.
Já vai alta a noite, sinto-o a arder, mas já mal posso dizer palavra.
- Tomai, meu Jesus, tomai em conta o meu sacrifício. Se em mim houvesse querer, preferia andar sempre, sempre de rosto em terra e nada dizer do que se passa em minha alma.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Exposição sobre o Ano da Fé

No Museu da Póvoa de Varzim está patente uma exposição alusiva ao Ano da Fé. Veja aquiDedica algum espaço à Beata Alexandrina.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Grupos inspirados na vida e obra da Beata Alexandrina


Recentemente, duas pessoas manifestaram vontade de criar grupos sob a inspiração da vida e obra da Beata Alexandrina. Para o lançamento dum deles, sabemos que estão já a ser dados alguns passos. Estes grupos podem-se tornar meios eficazes de realizar o desejo de Jesus que quer que a inspiração da Alexandrina chegue a todo o mundo.

O P.e Humberto deu notícia de alguns destes grupos na Itália, que não sabemos se sobrevivem.
Um antigo, que se mantém, na Irlanda e na Escócia, é a Alexandrina Society, que edita um boletim e alcançou uma projecção intercontinental.
Em Gorgonzola, na Itália, sabemos que ultimamente um tem vindo a ser associado à publicação dos livros da D. Eugénia Signorile.
Em Balasar, dá os seus primeiros passos a LIABA.

Pensamos que na América Latina pode haver vários, sob inspiração salesiana. 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Causa da Beata Alexandrina na Agência Salesiana de Notícias

Veja esta notícia publicada pela Agência de Notícias Salesiana (ANS):

17 de Julho de 2013 - Portugal - Iniciativas para promover a causa da Beata Alexandrina Maria da Costa

(ANS - Balasar) – No domingo 14 de Julho, houve em Balasar celebrações para assinalar o 50.º aniversário da morte do padre Mariano Pinho, jesuíta e primeiro director espiritual da Beata Alexandrina Maria da Costa. Participaram alguns membros da Família Salesiana de Portugal e Itália, como o padre Pierluigi Cameroni, postulador geral das causas dos santos da Família Salesiana.

Para comemorar este grande director espiritual da Beata Alexandrina, foi organizada uma exposição sobre a sua vida e proferidas duas palestras, uma pelo padre Dário Pedroso, SJ, e outra pela cooperadora salesiana Maria Rita Scrimieri. O dia terminou com uma concelebração solene.
Tem vindo a crescer o interesse pela espiritualidade e mensagem da Beata Alexandrina desde a sua beatificação em 2004. Nos fins-de-semana, entre 3.000 e 5.000 pessoas visitam os locais que preservam a memória da sua vida e testemunho. Em resposta aos pedidos de alojamento e acompanhamento espiritual de muitos peregrinos, em 14 de Julho, a diocese de Braga, com o arcebispo D. Jorge Ortiga, com o pároco de Balasar, Manuel Casado Neiva, e a Fundação Alexandrina de Balasar, inaugurou um concurso para o planeamento e construção de um Santuário Eucarístico dedicado à Beata Alexandrina.
Também foi iniciado o trabalho para a edição crítica dos escritos da mística de Balasar. A Família Salesiana está presente em Balasar com o Centro de Espiritualidade Da mihi animas, cetera tolle (Dá-me almas, tira o resto), aprovado pela Província Portuguesa e promovido e servido por Maria Rita Scrimieri.
A Beata Alexandrina, grande devota da Eucaristia e porta-voz para a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, teve como seu segundo director espiritual o Pe. Humberto Maria Pasquale, SDB, que também se tornou um grande promotor da sua causa de beatificação. Ele encorajou a Alexandrina a continuar a ditar o seu diário, quando percebeu as alturas espirituais que ela tinha alcançado. Ela fez isso em espírito de obediência até à sua morte.

Em 1944, a Alexandrina tornou-se membro da Associação dos Cooperadores Salesianos. Ela queria o seu diploma de inscrição colocado "onde estivesse sempre diante de seus olhos", de modo a poder colaborar com o seu sofrimento e a sua oração na salvação das almas, especialmente as dos jovens. O seu testemunho sublinha a necessidade de conversão pessoal constante e ela oferece um excelente exemplo da dimensão sacrificial do carisma salesiano.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Fotografias

As fotografias da Beata Alexandrina têm às vezes uma pequena história. Das que se colocam a seguir, a primeira foi tirada pelo P.e Pinho e deu azo a falatório de pessoas menos bem-intencionadas.
Na segunda, a Alexandrina estava com febre e isso beneficiou-a no rosto.

A terceira foi tirada na Trofa em casa do Sr. Sampaio e sob a acção dum milagre, como a própria Alexandrina escreveu, o que lhe permitiu estar sentada.

terça-feira, 16 de julho de 2013

P.e Mariano Pinho

Já possuímos um exemplar do recente opúsculo sobre o primeiro director espiritual da Beata Alexandrina, o P.e Mariano Pinho: vem colmatar uma falha que era urgente eliminar. Escreveu-o o P.e Dário Pedroso.
Em formato pequeno e ilustrado, tem 150 páginas e aborda diversos temas, sem esquecer “a grande polémica” dos que quiseram acusar o P.e Pinho sobre a sua castidade e a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria.
Este opúsculo deixa ainda por cumprir a tarefa de uma larga biografia que dê conta do variado percurso biográfico deste grande jesuíta, da sua produção bibliográfica e sobretudo documente o seu continuado empenho apostólico.
Parece-nos que o artista que era o biografado justificava uma capa mais atraente.
Uma das glórias do P.e Pinho é a revistinha Cruzada, ininterruptamente publicada desde 1930 e que actualmente é enviada para 82 países.
Capa da nova publicação sobre o P.e Mariano Pinho.
Capa do nosso trabalho saído no Boletim Cultural Póvoa de Varzim sobre o P.e Mariano Pinho.

Altar-mor da igreja da paróquia onde o P.e Mariano Pinho nasceu e foi baptizado.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Cisma liberal

O cisma liberal iniciou-se no país cerca de um mês após a aparição da Santa Cruz no Calvário. Dois anos depois, em 1834, veio para Balasar um pároco novo, nomeado pela autoridade diocesana intrusa e que só deixaria a freguesia quando o cisma terminou.

Conforme o cartaz que se copia abaixo, nós vamos proferir uma palestra em Rates, na próxima segunda-feira, às 21h00, onde historiaremos  a resistência ratense ao cisma. Damos aqui a notícia pelo interesse que o tema tem para conhecer o enquadramento histórico dos primeiros anos da devoção à Santa Cruz.