quarta-feira, 17 de julho de 2013

Fotografias

As fotografias da Beata Alexandrina têm às vezes uma pequena história. Das que se colocam a seguir, a primeira foi tirada pelo P.e Pinho e deu azo a falatório de pessoas menos bem-intencionadas.
Na segunda, a Alexandrina estava com febre e isso beneficiou-a no rosto.

A terceira foi tirada na Trofa em casa do Sr. Sampaio e sob a acção dum milagre, como a própria Alexandrina escreveu, o que lhe permitiu estar sentada.

terça-feira, 16 de julho de 2013

P.e Mariano Pinho

Já possuímos um exemplar do recente opúsculo sobre o primeiro director espiritual da Beata Alexandrina, o P.e Mariano Pinho: vem colmatar uma falha que era urgente eliminar. Escreveu-o o P.e Dário Pedroso.
Em formato pequeno e ilustrado, tem 150 páginas e aborda diversos temas, sem esquecer “a grande polémica” dos que quiseram acusar o P.e Pinho sobre a sua castidade e a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria.
Este opúsculo deixa ainda por cumprir a tarefa de uma larga biografia que dê conta do variado percurso biográfico deste grande jesuíta, da sua produção bibliográfica e sobretudo documente o seu continuado empenho apostólico.
Parece-nos que o artista que era o biografado justificava uma capa mais atraente.
Uma das glórias do P.e Pinho é a revistinha Cruzada, ininterruptamente publicada desde 1930 e que actualmente é enviada para 82 países.
Capa da nova publicação sobre o P.e Mariano Pinho.
Capa do nosso trabalho saído no Boletim Cultural Póvoa de Varzim sobre o P.e Mariano Pinho.

Altar-mor da igreja da paróquia onde o P.e Mariano Pinho nasceu e foi baptizado.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Cisma liberal

O cisma liberal iniciou-se no país cerca de um mês após a aparição da Santa Cruz no Calvário. Dois anos depois, em 1834, veio para Balasar um pároco novo, nomeado pela autoridade diocesana intrusa e que só deixaria a freguesia quando o cisma terminou.

Conforme o cartaz que se copia abaixo, nós vamos proferir uma palestra em Rates, na próxima segunda-feira, às 21h00, onde historiaremos  a resistência ratense ao cisma. Damos aqui a notícia pelo interesse que o tema tem para conhecer o enquadramento histórico dos primeiros anos da devoção à Santa Cruz.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Poesia do reitor que baptizou os pais da Beata Alexandrina (5)

 Mais poemas do P.e António Martins de Faria. Estes, agrupámo-los sob o título de Amor de Deus.

Amor de Deus

Undique me circumdat amor[1].
São Boaventura

Ou me sente, à noite, à mesa,
Os meus livros folheando;
Ou ande o meu giro dando
De manhã pela devesa –

Ou suba, com sol, ao monte,
Para ver rolar o mar;
Ou desça ao val’, com luar,
Para ouvir gemer a fonte –

Ou a colher violetas
Me quede no meu jardim;
Ou, feito criança, enfim,
Corra atrás das borboletas –

Em toda a parte, Senhor,
Como diz um grande santo,
Me sinto com doce encanto
Cercado do teu amor.


Brados da Natureza

Coelum et terra et omnia quae in eis sunt, ecce undique mihi dicunt ut amem te[2].
S. Agostinho

Que Vos ame, Senhor, em toda a vida –
Diz-me o céu de safiras cravejado –
Que Vos ame, Senhor, e sem medida –
Diz-me a terra também em alto brado.

Em coro com a concha, arremessada
À praia pelo mar sempre inconstante,
Do monte a crista pelo sol doirada
O mesmo brado solta altissonante.

Casado com a fonte cristalina,
Que rega noite e dia o verde prado,
O mesmo brado solta na campina
O bem e mal-me-quer tão consultado.

O mesmo brado solta em seu gorjeio
O meigo rouxinol – la na devesa –
O mesmo brado solta de seu seio
Por toda a parte toda a natureza.

Amar-Vos, pois, Senhor, cordialmente,
Como pede a natureza e Vós mandais,
Doravante será unicamente
O meu empenho todo e nada mais.

Sem Vós, porém, Senhor, por mais que faça,
Amar-Vos como devo, é-me impossível.
Dai-me, porém, Senhor, a vossa graça
E o impossível se fará possível.


Anelos

Do corpo liberta, deixada do mundo,
Diante da corte do reino dos Céus,
Minha alma deseja num hino cadente
Dizer o que sente de Ti, ó meu Deus.

No meio dos Anjos, que ao três vezes Santo,
Entoam louvores sem nunca cessar,
Minha alma teu nome, sagrado, bendito,
Teu ser infinito deseja louvar.

Os teus atributos, os teus predicados,
As tuas grandezas, meu Deus e Senhor,
Deseja minha alma cantar com anseio,
Dos santos no meio, num canto de amor.

Deseja que todos bendigam teu Braço,
O Braço possante que tudo criou –
Que céu, mar e terra, que cousas infindas,
Quais delas mais lindas, do nada criou.

Que deu ao luzeiro formoso do dia
Um lúcido manto do mais fino ouro –
Que deu à rainha d anoite um vestido
De prata tecido, que vale um tesouro.

Que deu liberdade, que deu livre curso
Às aves ligeiras que cruzam o ar –
Que deu aos peixinhos, por vasta morada,
A água salgada das ondas do mar.

Que deu a macela, que deu a bonina
Ao prado mimoso, coberto de relva –
Que deu arvoredo frondoso, sombrio
À margem do rio nascido na selva.

Que deu aos canteiros, de murta bordados,
Matizes das rosas das mais lindas cores –
Que deu às campinas, aos bosques fechados
Os doces trinados de alados cantores.

Que deu alma ao homem, imagem fundida
No molde divino dum Ser Imortal –
Imagem que pode, na vida futura,
Gozar da ventura da luz eternal.

Tais são os desejos, tais são os anelos
Que sente minha alma com santo fervor
Ao ver tantas obras, ao ver tantas filhas,
As mil maravilhas do seu Criador.

[1] O amor (de Deus) envolve-me de toda parte.
[2] O céu, a terra e tudo o que neles há, eis que em meu redor me dizem que Vos ame.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Canonização de João Paulo II

João Paulo II, o Papa que beatificou a Beata Alexandrina, está definitivamente a caminho da canonização. Veja aqui.

Poesia do reitor que baptizou os pais da Beata Alexandrina (4)

O P.e António Martins de Faria “foi insigne jornalista, mimoso poeta, orador apostólico e pároco exemplar.
Como jornalista, bem cedo, ainda no verdor dos seus anos, entrou na arena da imprensa, pugnando como atleta vigoroso sempre em prol da boa causa, terçando às vezes armas com adversários, enérgica e alevantadamente, mas sempre com fina educação. Na vila de Barcelos, com seus queridos condiscípulos Rev.dos António Fernandes Pais de Villas-Boas e João Evangelista de Lima, ambos já falecidos, fundou um jornal que dirigiu com superior critério, ao qual se deveu a ruidosa decisão duma vitória eleitoral, e onde se admirava a par dum estilo sublime e brilhante a energia de combatentes denodados e a firmeza duma argumentação cerrada.
Como poeta, tão alto falam as variadas composições suas, desferidas em alaúde duma ternura incomparável e de um ritmo cadencioso, que comovia, enlevava e prendia, que existem dispersas em várias revistas e jornais e algumas coligidas nas suas “Vozes de Alma” e “Últimas Vozes”. Este jornal por muitas vezes se honrou com as inspiradas poesias, arrancadas da sua lira de poeta de raça.
Como orador, limando admiravelmente os seus sermões, de um português castigado, e ornando-os de ideias sublimes, que não só de palavras vazias de sentido, nunca se esquecia que era dever seu pregar a palavra de Deus e espargir a jorros os ensinamentos e as doutrinações da Igreja.
Como pároco, também alto apregoam as suas virtudes e a sua bondade as lágrimas que os povos da freguesia de Mariz, do concelho de Barcellos, e de Balasar, deste concelho, as primeiras que pastoreou, verteram à sua despedida, e as lágrimas que o honrado povo de Beiriz deixou cair sobre a sua urna funerária, testemunho altíloquo do amor que consagrava àqueles que, sempre com zelo, tomou a peito (n)o cumprimento íntegro do seu espinhoso múnus.
De trato lhano e familiar, ele era o protótipo da caridade, que é filha excelsa do Céu”. Estrela Povoense, 19/10/1913

Mais poesia cristológica:

Noite de Natal

Debaixo dum céu de estrelas
Erga embora uma canção
O poeta às noites belas,
Às lindas noites de verão.
Erga embora, mas na lira
Um canto também desfira,
Doce, terno, festival –
Um canto que diga bem
Toda a magia que tem
Esta noite de Natal.

Se nessas noites serenas,
À meiga luz do luar,
Dançam brancas e morenas,
À compita, com seu par,
Dando voltas graciosas,
Como dão as mariposas
Que procuram com ardor,
Com frenesi, com delírio
Imprimir no branco lírio
Um doce beijo de amor,

Também junto da lareira,
Nesta noite de alegria,
À luz branda da fogueira,
Acesa inda com dia,
Beija o velho de contente
A netazinha inocente
Que, não tendo mais que dar,
Em paga de tais carinhos,
Abre a sorrir os bracinhos
Para o poder abraçar.

Se não faltam namoradas
Na noite de S. João,
Tão loucas, tão desvairadas
Pelo fumo da paixão
Que deitam, que riram sortes,
Que chegam mesmo aos transportes
De querer adivinhar
Pelo luzir das estrelas
Se todas, se alguma delas
Hão-de solteiras ficar,

Nas aldeias e cidades,
Nesta noite de Natal,
Não faltam também beldades
De pureza angelical
Que, lidas nas profecias
De Jacob e de Isaías
Acerca do Redentor,
Em honra do Deus-Menino,
Alegres cantam um hino,
Um hino todo de amor.

Um hino que diz – Bendito
Seja Deus que hoje nos deu,
Conforme fora predito,
Por irmão o Filho seu –
Um hino que diz – Louvado
Por todos e bem amado
Seja seu Filho também –
Seu Filho com forma humana,
Nascido numa cabana
Dos subúrbios de Belém.

Um hino que mil louvores
Diz também, como cumpria,
Sejam dados aos primores
De José e de Maria –
Um hino que, depois disto,
Depois de Deus e de Cristo,
Maria e José louvar,
Saúda, por derradeiro,
A noite que o cativeiro
Da culpa viu acabar.

E quem pode neste mundo,
Tendo fé e coração,
Deixar, sem sinal profundo
Da mais feia ingratidão,
De saudar a noite bela
Que, ao cabo de atra procela,
Nos trouxe bonança e luz?
Que depois do culto velho
Nos trouxe o novo Evangelho
Na pessoa de Jesus?

Erga pois embora um canto
Às lindas noites de verão
Quem puder chegar a tanto
Pela sua inspiração –
Erga embora, mas na lira
Um canto também desfira,
Doce, terno, festival –
Um canto que diga bem
Toda a magia que tem
Esta noite de Natal.

VA


O cego de Jericó

Num caminho, que dizia
Ir direito a Jericó,
Todo coberto de pó,
Esmola um cego pedia.

Sentindo gente a correr,
Em tropel, em confusão,
Perguntou o pobre então –
Aquilo que vinha a ser.

- É Jesus de Nazaré,
Que passa, lhe responderam,
Com muitos que resolveram
Abraçar a sua fé.

Mal ouviu tal novidade,
Gritou com grão frenesim:
- Jesus, Filho de David,
Tende de mim piedade!

E tanto, tanto gritou
Que alguém que vinha na frente
Ao pobre então vivamente
Que se calasse mandou.

Sem dar, porém, atenção
A quem calar o mandava,
Mais alto o pobre gritava:
- Tende de mim compaixão!

Ouvindo a voz da desgraça,
Jesus então o chamou
E sem mais lhe perguntou:
- Que queres que eu te faça?

- Que quero? Que hei-de eu querer?
Um cego, Senhor, quer luz.
- Pois bem, lhe tornou Jesus,
Se queres luz, a luz vais ter.

E logo, logo em seguida
O cego de nascimento
Ficou desde esse momento
A ver sempre em toda a vida.

Nisto nos mostra qual é
São Marcos, e muito bem,
O grande poder que tem
Aos olhos de Deus a fé.

VA


Do Pretório ao Calvário


Condenado a morrer como um sicário,
De pés e mãos cravado em uma cruz,
Do Pretório lá vai o Bom Jesus
A via já trilhando do Calvário.

De corda na garganta e cruz ao ombro,
É lento e vagaroso o seu trilhar;
Mas nesse estado, sem geral assombro,
Quem há que possa mais depressa andar?

Ninguém por certo, que da cruz em cima,
Além do peso que de si já tem,
Lá vão atrozes, numa enorme rima,
Do mundo os crimes a pesar também.

E tanto e tanto que no curto espaço
Que do Pretório ao Calvário vai,
Por mais que faça por firmar o passo,
Jesus em terra por três vezes cai.

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…………………………………………..
……………………………………………

Ao Calvário entretanto é já chegado
O Filho de Maria, os seus Amores,
Onde, no meio de pungentes dores,
Será em breve numa cruz pregado.


VA

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Poesia do reitor que baptizou os pais da Beata Alexandrina (3)

O P.e António Martins de Faria causou grande impressão nos contemporâneos como a imprensa deu conta por altura do seu falecimento. Ele não foi um teórico, um Fr. Tomás que pregasse para os outros sem dar o exemplo: podia ter enriquecido, mas perdoava as côngruas a que tinha direito e por isso morreu quase pobre; falou dos seus problemas como homem da Igreja, falou da sua devoção: estão na sua poesia dramas pessoais e preocupações culturais próprias do tempo. Está lá o combate ao ateísmo que então ganhava espaço, está lá a perseguição republicana dos últimos anos da sua vida, está o seu empenho em imunizar a comunidade que dirigia dos males que a podiam afectar.
Os seus poemas não visam a vaidade artística, os temas é que impõem as composições.
O P.e António Martins de Faria vinha do tempo da Questão Coimbrã (1865) e depois das Conferências do Casino (1871), que deram voz à irreligiosidade originada em certas elites europeias, e donde nasceram correntes de ateísmo, de satanismo, de ridicularização do cristianismo.
Aqui ficam mais alguns poemas seus, agora de tema cristológico:


Súplica

Coração do meu Jesus,
Que na Cruz,
Pela lança do soldado,
Ser varado
Sofreste para deixar
Um lugar
Que servisse nesta vida
De guarida
Sempre aberta ao pecador –
Por amor
Ou, melhor, por compaixão,
O perdão
A meus crimes concedei –
E fazei
Pela vossa santa garça
Que a desgraça
Eu não tenha outra vez, não,
De ofender,
Por querer,
Vosso terno Coração.


Suspiros

Quem me dera ter a lira
Do profeta de Sião
P’ra cantar com melodia
De Jesus o Coração!

Quem em dera ter a voz
Dum dos Anjos do Senhor
P’ra cantar sua bondade,
Sai ternura e amor!

Quem, me dera ter o génio
Dum, arcanjo ou querubim
P’ra cantar suas finezas
Em hinos de amor sem fim!

Mas, ai de mim, que não tenho
nem génio, nem vos, nem lira!
Apenas uma alma tenho
Que por Vós, Jesus, suspira.

Aceitai pois da minha alma,
Ó Jesus, o suspirar,
Já que Vosso Coração
Não posso nem sei cantar.

Ingratidão

Queres saber, ó pecador,
Qual a dor
Que na cruz
Mais sentiu o bom Jesus? –

Abre os livros sacrossantos
De alguns santos
E neles verás então
Que a mais forte,
Inda mais que a mesma morte,

Fora a tua – ingratidão.