quinta-feira, 27 de junho de 2013

Um centenário

Completa-se este ano o centenário da morte do reitor de Balasar que baptizou os pais da Beata Alexandrina, o padre poeta António Martins de Faria. Homem simples, desapegado dos bens de fortuna, sensível, piedoso, foi muito elogiado por altura do seu falecimento, que aconteceu na Póvoa. Era então abade de Beiriz.
Um poeta poveiro evocou-o então assim:
À morte do digníssimo e muito respeitável Abade de Beiriz

Passou na terra sorrindo
Qual meteoro que passeia
Num céu diáfano, lindo...
Preocupava-o a ideia
- «Celestes graças haurindo» -
De santamente ir servindo,
Num gesto de amor infindo,
O Mártir da Galileia.

Não fraquejou um momento
Na sua missão sagrada...
Nos seios do firmamento,
Nos sorrisos d'alvorada,
Ungiu-se, cobrou alento
E, no louvável intento
Dum alado pensamento,
Abalou para a jornada.

Lutou, altivo, sereno,
Sem desviar da estacada,
Nem recear o veneno
Da gente mal-humorada...
Dum coração sem empeno,
De trato afável, ameno,
Honrou sempre o Nazareno,
Foi uma alma ilustrada. 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Duas traduções do P.e Mariano Pinho

Era comum ao tempo do P.e Pinho um sacerdote português saber francês, mas inglês creio que não. Mas ele aprendeu-o à custa do seu exílio. E certamente aprendeu também alemão. 
No seu enorme afã sacerdotal, traduziu ao menos dois livros, um do inglês, HarryDee, que publicou logo em 1932 e que teve segunda edição, e outro do francês, as Cartas de Santa Teresinha do Menino-Jesus, que publicou na Baía, pouco depois de para aí voltar.

domingo, 23 de junho de 2013

Santuário de Nossa Senhora de Fátima no Recife

Veja-se esta notícia da Arquidiocese de Olinda e Recife onde se fala do P.e Mariano Pinho e se menciona o P.e Expedito do Nascimento, o sacerdote jesuíta que trouxe os restos do mortais do P.e Mariano Pinho para Balasar.

Os vistosos grupos da CEC, a Cruzada Eucarística das Crianças

O P.e Mariano Pinho foi um sacerdote sempre muito activo, empreendedor. Pelo Mensageiro do Sagrado Coração de Jesus e depois pela revistinha da Cruzada Eucarística das Crianças, percebe-se o fôlego novo que deu à Cruzada desde que chegou à Póvoa: passaram a instalar-se grupos por paróquias sem conta, ora próximas, ora tão distantes como as ilhas açorianas ou mesmo mais. E não eram apenas para fazer figura, eram intensamente doutrinados.
Por cá, a fotografia era ainda coisa pouco comum, mas as revistas de que era responsável publicavam frequentes e vistosas fotografias dos grupos entretanto criados. Vejam-se duas, ambas de qualidade, a primeira de estúdio, com meninas e meninos, a segunda com as meninas do Colégio, mas tirada frente ao altar-mor da Basílica do Sagrado Coração de Jesus (têm ambas a assinatura do fotógrafo Marques de Abreu). Repare-se nos faixas dos meninos e na veste das meninas e ainda na bandeira bem visível na segunda fotografia.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Carta Magna da Acção Católica Portuguesa

O P.e Mariano Pinho foi um santo: sabemo-lo porque Jesus o disse. E naturalmente foi um grande jesuíta, activo, entusiasta, imparável. Pregou muito, escreveu muito, ensinou, orientou revistas da Companhia, criou outras. A direcção da Beata Alexandrina, que lhe chamava o Paizinho, foi a sua realização mais alta.
Carta Magna da Acção Católica Portuguesa data de 1939, quando o país regressava a uma autenticidade católica que a República quisera apagar.
Ouçamos o prefácio deste livro, que o autor intitula “Antes de começar”:
Ficará indelevelmente vincado na história da Igreja em Portugal o ano de 1934.
Os Venerandos Prelados Portugueses, na clara compreensão da hora que passa, à voz do Santo Padre Pio XI, que “é a luz, a alegria, a glória da Igreja cristã”, estabeleceram nessa data memorável as bases sobre que devia erguer-se o grande edifício da Acção Católica.
Eram as linhas gerais a ordenar autenticamente a rota que deve seguir, por esse Portugal além, a Nova Cruzada.
Sua Santidade Pio XI, em Carta dirigida ao Eminentíssimo Cardeal Patriarca de Lisboa, manifestou-se regozijado ao ver essas linhas gerais e aprova-as e abençoa-as.
A Carta pontifícia, como dizia Sua Eminência, nas palavras com que acompanhava a sua publicação, é um “notabilíssimo documento com que o Vigário de Cristo quis aprovar, orientar, abençoar os trabalhos de lançamento da nova Cruzada por Cristo e a sua Igreja, que é a Acção Católica… Documento que todo o católico deve ler de joelhos, para bem o compreender e fielmente realizar. É a Carta Magna que fica alimentando a nossa inteligência e dirigindo a nossa acção.
Nele o Supremo Pastor não se detém sobre questões de ordem geral a respeito da Acção Católica, já tratadas em vários documentos anteriores: antes se ocupa paternalmente de pontos práticos de acção imediata, que mais particularmente nos interessam a nós portugueses.
Agradeçamos rendidamente ao Soberano Pontífice a Sua paternal solicitude; e dêmos graças a Deus neste dia de júbilo por ter dado à sua Igreja o grande “Pontífice da Acção Católica”.
É com essa devoção e nessa atitude de reconhecimento ao Senhor que vamos, com o leitor, comentar pausadamente, em tom muito simples, essa Carta Magna, para melhor a assimilarmos e vivermos.
A edição da Carta Magna da Acção Católica Portuguesa data de 1939 e saiu em Braga, à responsabilidade do Apostolado da Oração.
O nosso exemplar porém tem uma preciosa dedicatória que o liga ao Brasil, a São Salvador da Baía:
Aos Teólogos da Vice-Província do Norte.
Oferta do autor.

Colégio A. Vieira, 5-I-947.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Regresso ao Lar

O livro Regresso ao Lar do P.e Mariano Pinho é um grosso volume de quase 600 páginas. Teve duas edições, uma em Portugal em 1944, poucos anos depois de o seu autor ter sido proibido de dirigir a Beata Alexandrina, e outra na Baía, no segundo ano do seu exílio no Brasil. O nosso exemplar, encadernado a capa dura, é da edição portuguesa, mas pertenceu a uma casa jesuíta do Brasil, a Casa de Retiros de São José, Beribe, Recife.
Já tentámos digitalizá-lo, mas ficámos pelas primeiras dezenas de páginas. Veja-se contudo este começo do prefácio onde se cita a mensagem de Pio XII quando fez a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria:
“Bendizei ao Deus do Céu e glorificai-o no conspecto de todos os viventes, porque Ele usou convosco das suas misericórdias”.
Com estas palavras, ditas outrora pelo anjo S. Rafael a Tobias, principia Sua Santidade Pio XII a mensagem dirigida à Nação portuguesa, no encerramento do jubileu de Fátima.

E afirmando que “o primeiro e maior dever do homem é a gratidão”, aponta-nos imediata­mente para a profusão intérmina dos benefícios outorgados a Portugal por Maria Santíssima: “Numa hora trágica de trevas e desvairamento, quando a nau do Estado Português, perdido o rumo das suas mais gloriosas tradições, desgar­rada pela tormenta anticristã e antinacional, parecia correr a seguro naufrágio, inconsciente dos perigos presentes, e mais inconsciente dos futuros — cuja gravidade aliás nenhuma prudên­cia humana, por clarividente que fosse, podia então prever — o Céu, que via uns e previa os outros, interveio piedoso, e das trevas brilhou a Portugal se desentranha em prodígios físicos e em maiores e mais numerosos prodígios de graças e conversões, e floresce, nessa primavera perfumada de vida católica, prometedora dos melhores frutos, hoje com bem mais razão devemos confessar que a Mãe de Deus vos acumulou de benefícios real­mente extraordinários; e a vós incumbe o sagrado dever de lhe renderdes infinitas graças”.

terça-feira, 18 de junho de 2013

O P.e Mariano Pinho no III Congresso Eucarístico Arquidiocesano de Viana do Castelo, em 1929

No número de Julho e Agosto de 1929, o Mensageiro Eucarístico, que o P.e Abílio Gomes Correia fundara e dirigia, saiu um resumo da intervenção do P.e Mariano Pinho no III Congresso Eucarístico Arquidiocesano de Viana do Castelo, em 1929. O P.e Pinho chegara em fins do ano anterior do seu exílio imposto pela República.

O tema desenvolvido foi “A Comunhão frequente e as Vocações”. Veja-se agora o resumo:
O Rev. P.e Mariano Pinho, que a seguir usou da palavra, foi também obrigado a resumir o seu trabalho, pelo que distribuiu uma separata do Mensageiro sobre a tese.
O trabalho deste orador pode resumir-se no seguinte:
     Introdução. Cristo na Eucaristia e na Comunhão é a solução de todas as dificuldades de ordem religiosa, moral e social. Daí a importância dos congressos eucarísticos: logo ao tratar-se das vocações tínhamos necessariamente que estudar este problema à luz da Eucaristia.
I.                   A Comunhão frequente prepara o terreno das vocações.
A.   O que é a vocação; breve apologia da mesma (palavra de Pio XI); Portugal e as vocações religiosas.
B.   A vocação pressupõe inocência, grande amor a Jesus Cristo, grande generosidade em amar a sua cruz.
C.   A Comunhão prepara as vocações: a) fazendo germinar a inocência e desembaraçando a alma de todo o hábito de pecado mortal e venial (Decreto da Comunhão Frequente III); b) desprendendo a pouco e pouco das coisas caducas; c) despertando grande amor a Jesus e à sua Cruz.
II.                A Comunhão é o momento mais oportuno para escutar e corresponder ao chamamento divino.
A.   Pelos desejos que desperta em nós de nos parecermos com Jesus.
B.   Porque a vocação é da parte de Deus a melhor prova de que nos ama.
C.   Pelas ânsias que sente a alma de pagar amor com amor.
Se não há vocações é porque a vida eucarística não é o que deve ser.
III.             Organização prática da Comunhão frequente em vista da vocação ou a Cruzada Eucarística das Crianças (CEC).
Necessidade de uma conclusão bem prática neste assunto. 
A Cruzada Eucarística: o que ela é, como se organiza um CEC; transcendência da CEC não só no assunto das vocações, mas para o ressurgimento do fervor nas paróquias, para salvaguardar a juventude dos dois escolhos da irreligião e da imoralidade; a CEC, penhor seguro do ressurgimento da Pátria, porque “qui a l’enfant a l’avenir” (quem tem a criança tem o futuro).

De reparar que temas como o amor à Cruz, o valor da Eucaristia, etc., foram queridos da Beata Alexandrina.