domingo, 23 de junho de 2013

Os vistosos grupos da CEC, a Cruzada Eucarística das Crianças

O P.e Mariano Pinho foi um sacerdote sempre muito activo, empreendedor. Pelo Mensageiro do Sagrado Coração de Jesus e depois pela revistinha da Cruzada Eucarística das Crianças, percebe-se o fôlego novo que deu à Cruzada desde que chegou à Póvoa: passaram a instalar-se grupos por paróquias sem conta, ora próximas, ora tão distantes como as ilhas açorianas ou mesmo mais. E não eram apenas para fazer figura, eram intensamente doutrinados.
Por cá, a fotografia era ainda coisa pouco comum, mas as revistas de que era responsável publicavam frequentes e vistosas fotografias dos grupos entretanto criados. Vejam-se duas, ambas de qualidade, a primeira de estúdio, com meninas e meninos, a segunda com as meninas do Colégio, mas tirada frente ao altar-mor da Basílica do Sagrado Coração de Jesus (têm ambas a assinatura do fotógrafo Marques de Abreu). Repare-se nos faixas dos meninos e na veste das meninas e ainda na bandeira bem visível na segunda fotografia.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Carta Magna da Acção Católica Portuguesa

O P.e Mariano Pinho foi um santo: sabemo-lo porque Jesus o disse. E naturalmente foi um grande jesuíta, activo, entusiasta, imparável. Pregou muito, escreveu muito, ensinou, orientou revistas da Companhia, criou outras. A direcção da Beata Alexandrina, que lhe chamava o Paizinho, foi a sua realização mais alta.
Carta Magna da Acção Católica Portuguesa data de 1939, quando o país regressava a uma autenticidade católica que a República quisera apagar.
Ouçamos o prefácio deste livro, que o autor intitula “Antes de começar”:
Ficará indelevelmente vincado na história da Igreja em Portugal o ano de 1934.
Os Venerandos Prelados Portugueses, na clara compreensão da hora que passa, à voz do Santo Padre Pio XI, que “é a luz, a alegria, a glória da Igreja cristã”, estabeleceram nessa data memorável as bases sobre que devia erguer-se o grande edifício da Acção Católica.
Eram as linhas gerais a ordenar autenticamente a rota que deve seguir, por esse Portugal além, a Nova Cruzada.
Sua Santidade Pio XI, em Carta dirigida ao Eminentíssimo Cardeal Patriarca de Lisboa, manifestou-se regozijado ao ver essas linhas gerais e aprova-as e abençoa-as.
A Carta pontifícia, como dizia Sua Eminência, nas palavras com que acompanhava a sua publicação, é um “notabilíssimo documento com que o Vigário de Cristo quis aprovar, orientar, abençoar os trabalhos de lançamento da nova Cruzada por Cristo e a sua Igreja, que é a Acção Católica… Documento que todo o católico deve ler de joelhos, para bem o compreender e fielmente realizar. É a Carta Magna que fica alimentando a nossa inteligência e dirigindo a nossa acção.
Nele o Supremo Pastor não se detém sobre questões de ordem geral a respeito da Acção Católica, já tratadas em vários documentos anteriores: antes se ocupa paternalmente de pontos práticos de acção imediata, que mais particularmente nos interessam a nós portugueses.
Agradeçamos rendidamente ao Soberano Pontífice a Sua paternal solicitude; e dêmos graças a Deus neste dia de júbilo por ter dado à sua Igreja o grande “Pontífice da Acção Católica”.
É com essa devoção e nessa atitude de reconhecimento ao Senhor que vamos, com o leitor, comentar pausadamente, em tom muito simples, essa Carta Magna, para melhor a assimilarmos e vivermos.
A edição da Carta Magna da Acção Católica Portuguesa data de 1939 e saiu em Braga, à responsabilidade do Apostolado da Oração.
O nosso exemplar porém tem uma preciosa dedicatória que o liga ao Brasil, a São Salvador da Baía:
Aos Teólogos da Vice-Província do Norte.
Oferta do autor.

Colégio A. Vieira, 5-I-947.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Regresso ao Lar

O livro Regresso ao Lar do P.e Mariano Pinho é um grosso volume de quase 600 páginas. Teve duas edições, uma em Portugal em 1944, poucos anos depois de o seu autor ter sido proibido de dirigir a Beata Alexandrina, e outra na Baía, no segundo ano do seu exílio no Brasil. O nosso exemplar, encadernado a capa dura, é da edição portuguesa, mas pertenceu a uma casa jesuíta do Brasil, a Casa de Retiros de São José, Beribe, Recife.
Já tentámos digitalizá-lo, mas ficámos pelas primeiras dezenas de páginas. Veja-se contudo este começo do prefácio onde se cita a mensagem de Pio XII quando fez a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria:
“Bendizei ao Deus do Céu e glorificai-o no conspecto de todos os viventes, porque Ele usou convosco das suas misericórdias”.
Com estas palavras, ditas outrora pelo anjo S. Rafael a Tobias, principia Sua Santidade Pio XII a mensagem dirigida à Nação portuguesa, no encerramento do jubileu de Fátima.

E afirmando que “o primeiro e maior dever do homem é a gratidão”, aponta-nos imediata­mente para a profusão intérmina dos benefícios outorgados a Portugal por Maria Santíssima: “Numa hora trágica de trevas e desvairamento, quando a nau do Estado Português, perdido o rumo das suas mais gloriosas tradições, desgar­rada pela tormenta anticristã e antinacional, parecia correr a seguro naufrágio, inconsciente dos perigos presentes, e mais inconsciente dos futuros — cuja gravidade aliás nenhuma prudên­cia humana, por clarividente que fosse, podia então prever — o Céu, que via uns e previa os outros, interveio piedoso, e das trevas brilhou a Portugal se desentranha em prodígios físicos e em maiores e mais numerosos prodígios de graças e conversões, e floresce, nessa primavera perfumada de vida católica, prometedora dos melhores frutos, hoje com bem mais razão devemos confessar que a Mãe de Deus vos acumulou de benefícios real­mente extraordinários; e a vós incumbe o sagrado dever de lhe renderdes infinitas graças”.

terça-feira, 18 de junho de 2013

O P.e Mariano Pinho no III Congresso Eucarístico Arquidiocesano de Viana do Castelo, em 1929

No número de Julho e Agosto de 1929, o Mensageiro Eucarístico, que o P.e Abílio Gomes Correia fundara e dirigia, saiu um resumo da intervenção do P.e Mariano Pinho no III Congresso Eucarístico Arquidiocesano de Viana do Castelo, em 1929. O P.e Pinho chegara em fins do ano anterior do seu exílio imposto pela República.

O tema desenvolvido foi “A Comunhão frequente e as Vocações”. Veja-se agora o resumo:
O Rev. P.e Mariano Pinho, que a seguir usou da palavra, foi também obrigado a resumir o seu trabalho, pelo que distribuiu uma separata do Mensageiro sobre a tese.
O trabalho deste orador pode resumir-se no seguinte:
     Introdução. Cristo na Eucaristia e na Comunhão é a solução de todas as dificuldades de ordem religiosa, moral e social. Daí a importância dos congressos eucarísticos: logo ao tratar-se das vocações tínhamos necessariamente que estudar este problema à luz da Eucaristia.
I.                   A Comunhão frequente prepara o terreno das vocações.
A.   O que é a vocação; breve apologia da mesma (palavra de Pio XI); Portugal e as vocações religiosas.
B.   A vocação pressupõe inocência, grande amor a Jesus Cristo, grande generosidade em amar a sua cruz.
C.   A Comunhão prepara as vocações: a) fazendo germinar a inocência e desembaraçando a alma de todo o hábito de pecado mortal e venial (Decreto da Comunhão Frequente III); b) desprendendo a pouco e pouco das coisas caducas; c) despertando grande amor a Jesus e à sua Cruz.
II.                A Comunhão é o momento mais oportuno para escutar e corresponder ao chamamento divino.
A.   Pelos desejos que desperta em nós de nos parecermos com Jesus.
B.   Porque a vocação é da parte de Deus a melhor prova de que nos ama.
C.   Pelas ânsias que sente a alma de pagar amor com amor.
Se não há vocações é porque a vida eucarística não é o que deve ser.
III.             Organização prática da Comunhão frequente em vista da vocação ou a Cruzada Eucarística das Crianças (CEC).
Necessidade de uma conclusão bem prática neste assunto. 
A Cruzada Eucarística: o que ela é, como se organiza um CEC; transcendência da CEC não só no assunto das vocações, mas para o ressurgimento do fervor nas paróquias, para salvaguardar a juventude dos dois escolhos da irreligião e da imoralidade; a CEC, penhor seguro do ressurgimento da Pátria, porque “qui a l’enfant a l’avenir” (quem tem a criança tem o futuro).

De reparar que temas como o amor à Cruz, o valor da Eucaristia, etc., foram queridos da Beata Alexandrina.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Virgem pura, tua ternura

A Beata Alexandrina escreveu na Autobiografia:
Até me recordo do primeiro cântico que entoei na igreja, que foi “Virgem pura, tua ternura”, etc.
Mas nem todos conhecem esses versos e a sua música. Como os encontrámos num antigo livro, aqui os pomos à disposição dos leitores.



Virgem pura, tua ternura
É de alívio ao meu penar.
Noite e dia, de Maria
A beleza hei-de cantar.

É donzela toda bela,
A mais santa em seu primor,
Desde a hora em que ela fora
Concebida ao Criador.

Foi criada, abençoada,
Sem pecado e escravidão;
Foi querida, do Céu enchida
De mil graças de bênção.

Da inimiga serpe antiga
A cabeça ela pisou:
Foi sua glória, sua vitória
Que seu Filho lhe alcançou.

Do divino seu Menino
Toda a graça Ela nos dá:
Mãe piedosa, carinhosa,
Nos olhando sempre está.

Aos pedidos dos queridos
Abre o terno coração;
Aos pedidos dos afligidos
Ela é toda compaixão.

Aos errantes navegantes
Ela acode no alto mar;
Pecadores, nos terrores,
Ela ensina-nos a esperar.

Sobre a cama, onde a chama,
A voz perto de morrer,
Abre o manto e  por encanto
Muda as dores em prazer.

Quando a lida desta vida
For connosco  a terminar,
Mãe piedosa, poderosa,
Vem teus filhos amparar!

Saúde certa, porta aberta
Para o reino do Senhor,
Virgem pia, nossa guia,
Serás sempre nosso amor!

De Balasar para o mundo

Com o título de “De Balasar para o mundo”, há um texto nosso que se encontra no antigo Sítio Oficial, no sítio da Arquidiocese de Braga e no da Ecclesia. Mas existe também em inglês e em francês pelo menos.

Esta grande figura da Beata Alexandrina, que viveu em Balasar, mas para quem só o mundo inteiro basta, é a que temos estudado.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Doze anos

Faz agora doze anos que começámos a estudar e a divulgar a Beata Alexandrina. A princípio fizemo-lo porque havia como que um pacto de silêncio sobre ela: todos se calavam. Até em Balasar deixara de sair o boletim. Era uma falha grave, era uma enorme injustiça quando já tanto se estudara e escrevera.
Demos colaboração a jornais, falámos dezenas de vezes numa rádio, integrámos o secretariado da Beatificação, publicámos então um livro. 
Vieram a seguir as humilhações, mas resistimos.
Chegaram entretanto os tempos áureos do ex-Sítio Oficial, quando disponibilizámos para ele imensa informação relativa aos mais diversos aspectos da vida e obra da novel Beata, quando se chegou a traduzir um livro, por  parcelas mensais, em mais de cinco línguas, quando os colaboradores passavam duma dúzia e os visitantes vinham mensalmente de mais de 100 países, quando publicámos novo livro. Foi também o tempo das relações internacionais, com contactos para muitos e distantes países. E as humilhações regressaram.
Recentemente estudámos a história de Balasar.
De momento, domina-nos um sentimento de frustração. Mas há-de passar.
Que ao longo destes anos não tenhamos ganho nada é o nosso maior motivo de honra. Alguns gostariam de nos atacar por aí.