sábado, 20 de abril de 2013

História de Balasar

Dois marcos

Conseguimos agora fotografias sofríveis de dois importantes marcos delimitadores da freguesia de Balasar e por isso queremos tecer sobre eles algumas considerações.
Ao mais vistoso, já uma vez fizemos alguma referência: é da Casa de Bragança, esteve algum tempo deitado no chão, mas foi recentemente colocado na vertical e com a face que tem a coroa e o escudo nacional voltada para Rates, o que nos parece certo, pois cremos que delimitava o reguengo de Agistrim (Gestrins), em Balasar.
O outro, menos vistoso sem dúvida, pode ser um monumento de rara importância. Em 1258 é mencionado como a Pedra Negra e a partir dele é feita a delimitação do reguengo. Também é mencionado com o mesmo nome de Pedra Negra em 1542.
Era nestas datas um marco do couto de Rates, mas o facto de ter a face voltada para Balasar, para o lado de onde nasce o sol, pode apenas ter a ver com a sua função original. Realmente, deve tratar-se de um menir e vir portanto do tempo das mamoas que existiram nos limites de Balasar com Macieira e com S. Marinha de Vicente, isto é, de cerca de 2000 antes de Cristo. A parte superior tem algum carácter antropomórfico.
A palavra menir tem em português como sinónimo a palavra pedrafita ou perafita. Ora, a nascente de Balasar, houve S. Veríssimo de Pedrafita.
Há razões para crer que este marco teve um papel histórico notável, já em tempo dos romanos e depois ao tempo dos visigodos. Não era por acaso que o Arcediagado de Vermoim terminava em Guardinhas... era com certeza por causa da Pedra Negra.

Clique sobre as imagens para as ver em tamanho maior.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A IGREJA PAROQUIAL DE BALASAR (6)


Em 1839, o regedor de Balasar expôs ao administrador do concelho um rol de necessidades que se verificavam na paróquia. Não se vê bem porque é que isso devia passar pelo administrador e, ainda mais, pelo administrador geral do distrito.
A redacção da exposição é bastante deficiente.
Paroquiava Balasar ainda o P.e Domingos José de Abreu e era administrador António José dos Santos, de Vila Nova.
A igreja estava mal, mas as obras não se devem ter realizado.

Ilustríssimo Sr. Administrador do Concelho da Póvoa de Varzim
(para constar ao Ilustríssimo Sr. Administrador Geral do Distrito)

Ilustríssimo Senhor
Por ordem que recebi de 26 de Janeiro deste corrente ano para fazer o orçamento da receita e da despesa que pertence pagar aos paroquianos neste corrente ano, é de maior e de mais extrema necessidade o seguinte:
Em primeiro lugar têm obrigação os paroquianos de pagar a cera que é para administrar os sacramentos aos enfermos e a que gasta cada um quando falece e mais funções da igreja, que costuma regular em cada ano, uns por outros, de cinco até sete mil réis pouco mais ou menos.
E também é da maior necessidade rebocar os telhados da igreja, porque chove muito nas madeiras e dentro nela, e compor o solho, que está todo podre, que já o ano passado se quis lançar e se louvou por um trolha e um carpinteiro, que dizem que são precisos seis ou sete sacas de cal e doze centos (?) de telhas novas e telheiras para o cume e de mais ou menos doze mil réis para compor o solho, pelo maior, e pregadura, mãos e madeiras ao menos seis mil réis, que isto é da maior necessidade.
E mais são obrigados por não haver rendimentos na paróquia a pagar ao secretário e tesoureiro, que sempre se lhe tem julgado ao secretário pelo seu trabalho mil réis por mês e ao tesoureiro trezentos réis por mês.
E são estas as despesas que de necessidade se devem pagar neste corrente anos por serem as de mais necessidade.
É o que posso informar a V. Senhoria.
Deus guarde V. Senhoria.

Balasar, 27 de Fevereiro de 1839.
Do Regedor de Balasar
José da Costa Reis

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Um bandoleiro balasarense


Este blogue está ao serviço da Beata Alexandrina. Em consequência disso deve também estudar e divulgar a Santa Cruz. O que vamos escrever a seguir, como outras mensagens que já aqui colocámos e que falam do tempo de Custódio José da Costa, têm relação com os anos que se seguiram à aparição da Santa Cruz e ajudam a perceber o contexto da sua atribulada divulgação inicial.
Em Agosto de 1842, havia um desertor balasarense que degenerara em bandido, era o Luís Saramago. Os desertores como ele queriam evitar o serviço militar e quando chegava a hora de serem chamados fugiam para os montes, para terras distantes ou até embarcavam, se pudessem, para o Brasil. A tropa não tinha boa fama. Além disso, eram principalmente os muito pobres que eram convocados.
O Luís parece ter refinado no banditismo: pelo menos é o que se deduz desta mensagem que o administrador da Póvoa enviou ao seu colega de Vila do Conde em 29 de Agosto:
Tendo agora a notícia de que o desertor de Balasar Luís, por apelido o Saramago, que tanto trabalho tem dado, tendo esperado nas estradas deste concelho, achava-se ontem próximo, à noite, na Estalagem do Galego, do Casal de Pedro, e também me consta que frequenta a de Joaquim Pito e outras mais tabernas daquele lugar, rogava a V. Senhoria se dignasse mandar ordem imediatamente ao Regedor daquela freguesia a fim de ver se o captura, ao que V. Senhoria fará um serviço muito grande aos povos do seu Concelho.
Os sinais são os seguintes: altura regular, cor pálida, cabelos castanhos, barba cerrada com passa-perolhos (?).
Este Saramago era perigoso! Em breve deve ter sido apanhado.
A Estalagem do Galego, do Casal de Pedro, deve ser a que depois, em virtude duma novela de Camilo, ficou conhecida como Estalagem das Pulgas.

sábado, 13 de abril de 2013

A perseguição aos Padres Falperristas ao tempo de Custódio José da Costa


Como já foi dito, os liberais cortaram relações com Roma e colocaram à frente das dioceses pessoas da sua confiança e executoras das suas determinações. Depois, defendiam os seus pontos de vista como se eles fossem os únicos legítimos.
Na Diocese de Braga, entre os sacerdotes, houve aqueles que se colaram aos liberais, aqueles que adoptaram uma posição que rejeitava o principal, mas não excluía certa cooperação com a autoridade civil, e houve os que mais decididamente se opuseram à tirania que era o Estado mandar na Igreja e arrogar-se o direito de a dirigir. A estes sacerdotes chamavam falperristas (a palavra tem a ver com o monte da Falperra).
Dos anos de 1838 a 1840, há vários documentos do concelho da Póvoa que conservam recordação da perseguição que lhes movia a autoridade civil. Colocam-se a seguir dois:

Administração Geral do Distrito do Porto
1ª Repartição, nº 14

Ilustríssimo Sr. Administrador do Concelho da Póvoa de Varzim

Ilustríssimo Senhor
S. Ex.cia o Sr. Administrador Geral manda participar a V. Senhoria, em resposta ao seu ofício n.º 31 de 26 do corrente, expedido pela 4ª Repartição (devendo ser pela 1ª, em virtude de sua matéria pertencer a objecto de polícia preventiva), que muito recomenda a maior vigilância para desviar dentre o povo rude os falperristas que insidiosamente desvairam a tranquilidade das consciências com fins danados, não devendo V. Senhoria perder de vista também que os alucinados do seguimento das doutrinas perversas que receberam dos referidos falperristas, porquanto consta nesta Administração Geral que alguns recém-nascidos não têm sido apresentados ao respectivo pároco para receberem o sacramento do Baptismo e muitos adultos de um e outro sexo não assistem ao Santo Sacrifício da Missa na Igreja Paroquial.
S. Ex.cia confia que V. Senhoria empregará todos os meios legais para que acabem os males causados pela demora que entre o povo de Rates tiveram aqueles maus eclesiásticos, os quais abusando do seu augusto ministério, ensinaram doutrinas erróneas.
Deus guarde V. Senhoria.
Porto e Secretaria da Administração Geral, 30 de Abril de 1839.
António Luís de Abreu, Secretário-geral.


Ilustríssimo Sr. Administrador do Concelho da Póvoa de Varzim

Ilustríssimo Senhor
Manda S. Ex.cia o Sr. Administrador Geral participar a V. Senhoria, em resposta ao seu ofício n.º 96, por esta Repartição, de 23 do corrente, em que expôs a resistência que o minorista da freguesia de Rates, por nome Luís, e outros fizeram ao Regedor de Paróquia de Rio Mau quando, por ordem de V. Ex.cia, foi àquela freguesia para capturar os falperristas, que V. Senhoria, sem perda de tempo, faça proceder a um auto circunstanciado deste acontecimento, com expressa declaração dos nomes dos oficiais (?) empregados nesta diligência e das testemunhas presenciais, o qual remeterá ao Delegado do Procurador Régio dessa Câmara para fazer com que este insulto seja devidamente punido. E de assim o haver cumprido dará parte a esta Repartição.
Deus guarde V. Senhoria.

Porto e Administração Geral, 28 de Janeiro de 1840.
José Maria Ribeiro Vieira de Castro, Oficial maior (ilegível).

Ao tempo destes dois documentos era administrador do concelho da Póvoa o balasarense adoptivo António José dos Santos, que, dentro dos constrangimentos legais, se deve ter portado muito bem.
Pela mesma altura, preparava Custódio José dos Santos a criação da Confraria do Senhor da Cruz.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A menina de Fradelos


Há uma breve história duma menina de Fradelos que um dia recorreu à Beata Alexandrina.
A pequena frequentava a escola, mas em Janeiro adoeceu e ficou de cama todo o trimestre. Quando voltou às aulas, a professora apressou-se a dizer-lhe que não iria passar de ano. Só que a pequena viu nisso uma grave injustiça pois não tinha culpa de ter estado doente.
Um dia, pediu autorização à mãe para ir brincar com as colegas, mas em vez disso desatou a correr até à casa da Alexandrina. Quando chegou, naturalmente esfalfada, ficou-se à porta do quarto. Então a Alexandrina chamou-a e a menina lá fez a sua queixa.
Foi dali sossegada: iria passar de ano. 
Se a Alexandrina o disse, lá tinha a sua certeza. 
E transitou mesmo.
Creio que ainda é viva.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Novo número do Boletim da Beata Alexandrina


Saiu mais um número do Boletim da Beata Alexandrina: fala da Páscoa, fala já do 9.º aniversário da Beatificação e de outros temas. Anuncia a publicação do CD Florinha da Eucaristia, já disponível para o público, e duma obra, cremos que opúsculo, com o título de Livro do Peregrino, a sair no dia 25 de Abril e que aparenta vir a ser de grande utilidade.
Um dos pormenores mais interessantes do número é sem dúvida o fragmento da carta dum filipino a residir na Arábia Saudita, onde só pode rezar em privado, e que pede uma relíquia.
Quando será que os islamitas concedem aos outros liberdade que tanto defendem para si?
Como o jornal menciona uma peregrinação sul-coreana, apraz-nos dizer que, no exemplar que temos do Alexandrina. The Agony and the Glory, alguém escreveu a lápis: “translate to Korean and Taglog”. Taglog é língua das Filipinas. Será que o livro está traduzido para aqueles idiomas?
Recebemos ultimamente dois novos livros sobre a Beata Alexandrina, um em francês e outro em português, bem como uma carta da Austrália.