sexta-feira, 15 de março de 2013

Eugénia e Chiaffredo Signorile (2)


Livros e opúsculos sobre a Beata Alexandrina

Os Signoriles publicaram ao menos os vinte livros e opúsculos que a seguir se listam, ordenados pela data de publicação. Pode haver ainda algum mais, mas talvez não. Como se viu quando falámos das pagelas, a D. Eugénia publicou também várias.

Alexandrina Maria da Costa – Maria, Madre mia (Come Alexandrina Sente la Madonna), Mimep-Docete, Pessano (MI), 1987.
Alexandrina M. da Costa – Un Essere Umano che Soffrì. Una Vita Divina che Vinse (La Passione di Gesù), Nazareth Editrice, Milão, 1989.
Alexandrina M. da Costa – Anima pura, cuore di fuoco, Mimep-Docete, Pessano (MI).
Alexandrina M. da Costa – Venite a me… (Richiami di Gesù), Mimep-Docete, Pessano (MI), 1991.
Alexandrina M. da Costa – Figlia del Dolore, Madre di Amore. Quasi una Autobiografia, Mimep-Docete, Pessano (MI), 1993.
Alexandrina Maria da Costa – Mio Signore, mio Dio! Come Pregava Alexandrina, Mimep-Docete, Milão, 1997.
Venerabile Alexandrina Maria da Costa – Sofferenza Amata. La Passione di Gesù in Alexandrina, Mimep-Docete, Pessano (MI), 1999.
Venerabile Alexandrina Maria da Costa – Croce e Sorriso, Mimep-Docete, Pessano (MI), 2000.
C.E. Signorile – Sulle ali del dolore, Edição extra-comercial, Associazione "Sotto il manto di Maria Regina della Pace", Gorgonzola (MI), 2002.
Beata Alexandrina Maria da Costa – Ho sete di Voi. Quale Amore, il Suo!, Mimep-Docete, Pessano (MI), 2004.
C.E. Signorile – Alexandrina, voglio Imparare da Te!, Gamba Edizioni, Verdello (BG), 2004.
Giulio Giacometti, Piero Sessa, Eugenia Signorile – La Gloria dell'Uomo dei Dolori nel Sorriso di Alexandrina, Edizioni Segno, Tavagnacco (UD), 2005.
Beata Alexandrina Maria da Costa – Solo per Amore!, Mimep-Docete, Pessano (MI), 2006.
Beata Alexandrina da Costa – Zampilli Incandescenti. Alexandrina Mediatrice, Mimep-Docete, 2007.
Beata Alexandrina Maria da Costa – L’Amor che Muove il Sole e l’Altere Stelle, Mimep-Docete, 2008.
Beata Alexandrina Maria da Costa – Croce di Triunfo, Mimep-Docete, Milão, Itália, 2009.
Beata Alexandrina Maria da Costa – “Mi Amasti fino all’Estremo!”. La Passione del Rdentore e la Via Crucis, Mimep-Docete, Pessano (MI), 2009.
Beata Alexandrina M. da Costa – Quei Due Cuori,  Gamba Edizioni, Gorgonzola (MI), 2010.
Beata Alexandrina M. da Costa – Il Sorriso nella Croce. Breve Biografia di un’Anima Vittima,  Gamba Edizioni, Gorgonzola (MI), 2010
Beata Alexandrina M. da Costa – Il Nascere e l’Evolversi di un’Anima Vittima, Gamba Edizioni, Gorgonzola (MI), 2012.

Imagem: Os Signoriles no Sameiro com o P.e Humberto.

Eugénia e Chiaffredo Signorile (1)

Breve currículo

Chiaffredo nasceu em 9 de Outubro de 1913, em Stroppo, uma aldeia de alta montanha na província de Cuneo. Estudou em Turim: fez o ensino secundário em Valdocco, com os Salesianos, depois a Universidade, onde se formou em Matemática e Física.

Eugénia nasceu em 9 de Setembro de 1914, em Milão, onde estudou regularmente até à formatura em Matemática e Física.
Chiaffredo pediu transferência para Milão para não deixar só na grande cidade uma irmã menor que estudava na Escola de Enfermagem. É-lhe entregue uma cadeira no Liceu de Beccaria, onde Eugénia ensina.
Colaboram em textos de Matemática para o ensino secundário e casam.

Em 1964 acontece uma viragem nos seus interesses espirituais e intelectuais. Em Agosto vão a Balasar, depois de lerem no Boletim Salesiano o Caso da Alexandrina. Encontra-se ali o P.e Humberto Pasquale, mergulhado no trabalho de preparação do Processo Informativo Diocesano. Tem um encontro encantador com Chiaffredo, e pede-lhe ajuda. Vendo-o entusiasta, encarrega-o de difundir na Itália o conhecimento daquela grande Serva de Deus.
Ardendo na mesma chama de amor, os dois cônjuges dedicam-se de alma e corpo a esta empresa, principiando logo a estudar a língua portuguesa, por sorte neo-latina!
Visto o zelo, o P.e Pasquale convida-os a traduzir os cinco grossos volumes dos “Sentimentos da Alma”. Assim começa a sua obra de difusão. Todas as suas energias são lançadas àquela fornalha que os inflama sempre mais: sentem que aquela é a missão que Jesus lhes confiou.

O novo livro de D. Eugénia Signorile


Recebemos o novo livro de D. Eugénia Signorile. Tem por título Il Nascere e l’Evolversi di un’Anima Vittima (la Beata Alexandrina), “O Nascer e o Desenvolver-se de uma Alma Vítima (a Beata Alexandrina)” e a sua autoria é atribuída a Beata Alexandrina M. da Costa. A edição é das Gamba Edizioni, Gorgonzola (MI), 2012. Possivelmente será o último.
No “intento”, escreveu a D. Eugénia:
Há dois anos apresentámos já uma biografia da Beata Alexandrina; mas pretendia pôr em evidência só a heroicidade do seu amor a Jesus e aos irmãos, que a levava a conseguir aceitar com o sorriso qualquer sofrimento, mesmo atroz: Il Sorriso nella Croce, “O Sorriso na Cruz”.
A nova biografia que apresentamos quer pôr em evidência dois grandes fenómenos místicos: o pré-anúncio da sua vinda à terra, um século antes do seu nascimento (fenómeno que não aconteceu em mais nenhum caso) e a sua mística identificação com Cristo (que aconteceu em algumas outras almas místicas).
Com certeza estas são as melhores palavras para apresentar o livro.
Estamos a preparar um pequeno estudo de homenagem à D. Eugénia e ao seu marido, que colocaremos em linha logo que o concluamos.

quinta-feira, 14 de março de 2013

A IGREJA PAROQUIAL DE BALASAR (5)


Nos assentos paroquiais

Para localizar as sepulturas, os registos de óbito, ao menos em certos períodos, fornecem diversas informações sobre a Igreja Paroquial. Mas isso desapareceu quando se dividiu o interior em sepulturas numeradas e a localização passou a ser feita pelos seus números.
As capelas laterais (a da Jesus Cristo Crucificado, a norte, e a de Santo Antão, a sul), o coro, a pia baptismal, as portas travessas, a capela-mor (no interior), as cruzes da via-sacra, certa “pedra que serve de sepultura” (no exterior) são recorrentes. A localização também se fazia por referência a divisões da casa da residência (que ficava junto ao adro, do lado  sudeste), como a cozinha e a sala.
O que nunca ocorreu neles foi a mesa do acordo, onde os homens da fala decidiam (sobre os homens de fala e vários outros temas curiosos, procure aqui). No Tombo da Comenda, são mencionadas oliveiras no adro, certamente destinadas a fornecer azeite para a lamparina do Santíssimo. No assento seguinte, menciona-se a Capela de Nosso Senhor Jesus Cristo Crucificado: 
Aos dez dias do mês de Abril do ano de mil setecentos e quarenta e dois, faleceu Francisca, solteira, de Vila Pouca, com todos os sacramentos, abintestada (sem testamento). Foi sepultada no adro, da parte do norte, defronte da Capela de Nosso Senhor Jesus Cristo Crucificado.
E por assim ser verdade, fiz este assento, que assinei. Era ut supra
O Reitor António da Silva e Sousa.
Interessante a invocação desta capela, que parece antecipar a da Santa Cruz, como esta antecipa a Beata Alexandrina.

segunda-feira, 11 de março de 2013

O ensino primário na Póvoa de Varzim em 1889


Nos 41 anos que medeiam entre 1848 e 1889, tanta coisa mudou no País: abriram-se estradas e caminhos-de-ferro, pôs-se o ensino a funcionar, etc., etc.
Nesta última data, no concelho da Póvoa todas as freguesias possuíam escola. E já havia algumas femininas.
Perto do final do fragmento desta folha de pagamentos de Janeiro desse ano, já figura a professora Emília Rosa (é a quarta a contar do fundo) que um pouco mais de 20 anos adiante iria ensinar a pequena Alexandrina (estamos convencidos de que é ela).

Sítio Oficial da Beata Alexandrina


Disseram-nos ontem em Balasar que havia coisas novas no sítio oficial da Beata Alexandrina. Fomos hoje ver e ficámos bem impressionado. Nomeadamente agradou-nos que tenha aumentado em quantidade e qualidade a informação em inglês e italiano. Falta em espanhol.

sexta-feira, 8 de março de 2013

O ensino na Póvoa de Varzim em 1848


Relatório do Administrador do Concelho para o Governo Civil

A propósito da ida da pequena Alexandrina para a Póvoa, para estudar, coloca-se aqui este relatório.
Como estava a educação naquele tempo! E alguma vez teria estado melhor?
Mas nos 50 anos seguintes muita coisa ia mudar: as escolas, ao menos as masculinas, iriam generalizar-se nas freguesias rurais, num esforço enorme dos governos da Regeneração e posteriores.

Ilustríssimo e excelentíssimo Senhor

Em cumprimento da Circular n.º 3 enviada pela 2.ª Repartição desse Governo Civil, em data de 23 de Agosto pretérito, tenho a honra de enviar a V. Senhoria o Mapa Estatístico do número das Escolas Régias e Particulares de Ensino Primário e Secundário existente neste concelho em 31 de Julho do corrente ano, pelo qual se mostra que neste concelho há apenas um mestre régio, na freguesia de Rates, com carta régia de 26 de Fevereiro de 1839, cuja aptidão, zelo e assiduidade e comportamento moral e político é sofrível (e no mesmo grau o aproveitamento dos seus discípulos), de idade de 55 anos, solteiro, sem família e sendo filho de lavradores que o sustentam, natural da freguesia de Gueral, concelho de Barcelos, meia légua distante da freguesia de Rates onde tem estabelecida a sua escola em casa de aluguer e aonde acorre com prontidão e a horas próprias de principiar e continuar as suas lições, sem a menor falta. Está no centro do concelho e lugar sadio ou salubre, com a capacidade necessária para o número de 60 discípulos, sendo que destes não frequentam no tempo senão a metade por serem ocupados nos trabalhos agrícolas com seus pais.
Nesta vila não há mestre régio nem de ensino primário nem secundário: esta cadeira foi suprimida pelo Conselho Director da Instrução Pública a título da proximidade desta vila com Vila do Conde, no que tem experimentado uma falta notável e digna de contemplação do Governo, enquanto a primeira de Ensino Primário se acha vaga desde a morte do último professor Tomás Martins Mouta, em 28 de Dezembro de 1845, havendo apenas dois professores particulares do dito ensino, que recebem salários dos mesmos discípulos, cuja aptidão, zelo e comportamento social, moral e político não pode notar-se defeito algum, não sendo (a não ser?) a falta de método e utensílios necessários para uma boa escola normal, ensinado apenas a conhecer e juntar as letras, nomes e as quatro operações aritméticas pelo método antigo que aprenderam.
Não há escolas do sexo feminino, nem régia nem particular, e apenas algumas mestras de costura e meia ensinam o que sabem (às suas discípulas) de ler e escrever.
É quanto se me oferece dizer a V. Senhoria a semelhante respeito, resumindo uma matéria que tanto tem que dizer sobre a necessidade que há de mestres e mestras que não somente sejam hábeis para o ensino, mas mesmo para a educação física, moral e política de que tanto se carece.
Deus guarde V. Senhoria.

Administração do Concelho da Póvoa de Varzim, 25 de Setembro de 1848.
O Administrador do Concelho, Filipe António Pereira da Silva