sábado, 3 de novembro de 2012

Pagelas 6

Uma em duas

Neste caso, as línguas são duas (italiano e espanhol) e o colorido usado é diferente. Mas é a mesma pagela em duas versões ligeiramente distintas, publicada com o livro da D. Eugénia  Solo per Amore!
Desdobrável em três “folhas”, depois da página principal belamente ilustrada, abordam-se os temas do “Preciosíssimo Sangue e a Alexandrina”, do “Preciosíssimo Sangue e a humanidade”, “Quem é a Alexandrina?” e conclui-se com uma inspirada oração que traduzimos abaixo.
Inspirada é também a ilustração (clique sobre ela para a ver em tamanho maior), a mesma da capa de Solo Per Amore! O pintor partiu duma fotografia da Alexandrina em êxtase e reduziu-lhe a idade para a infância. E é esta inocente Alexandrina que quer recolher todo o Sangue derramado pelo Redentor para com ele salvar a humanidade.
Quando surgirão em Portugal e Brasil pintores com esta inspiração?

Ó Jesus, meu Sumo Bem,
Amor encarnado,
eis-me aqui inclinado(a),
todo(a) vibrante de reconhecimento
a Ti que fizeste da Alexandrina
uma centelha puríssima do teu amor.
Em virtude do teu Preciosíssimo Sangue,
peço-Te que me ajudes a imitá-la
no seu amor ardente à Eucaristia,
no seu devoto afecto filial à Mãezinha,
na sua loucura de amor pelas almas,
no seu espírito de oração intensa,
no seu abando o cego à tua vontade.
Assim saberei eu também consumir-me
num forte anseio de entrega
a Ti e ao próximo.
Peço-Te também:
concede-me, por sua intercessão,
a graça… que tanto desejo.
Mas seja sempre feita a tua vontade!
Tem piedade de todos nós, pobres pecadores!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Uma reportagem do Porto e do Minho do tempo em que a Beata Alexandrina era criança

Paga a penas ver: a reportagem fala sobretudo do Porto, mas é sempre o Portugal do tempo da infância da nossa Beata. Clique aqui.

Pagelas 5


Duas pagelas parecidas

Os Cooperadores Salesianos publicaram recentemente uma pagela sobre a Beata Alexandrina: já existe pelo menos em italiano e em inglês, mas a ideia é de a publicar em mais línguas.
A pagela é contudo a actualização duma anterior. Na frente mudou a fotografia e a classificação oficial, digamos assim: na primeira, de 1997, a Alexandrina era Venerável, na mais recente é Beata.
O resto do texto contém os “pedidos e promessas”, com a devoção das primeiras quintas-feiras e a oração da comunhão espiritual; uma biografia, agora mais desenvolvida; e uma oração a pedir a canonização, com redacção diferente da que pedia a beatificação.
As semelhanças são grandes, as diferenças de pormenor.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

De Balasar a Rates


Há alguns meses fizemos umas leituras sobre a Igreja românica de S. Pedro de Rates que nos impressionaram, sobretudo o que se refere ao tímpano do portal principal desta igreja.

Às vezes parece que há a ideia de que na Idade Média as pessoas eram todas cristãos praticantes e exemplares. Mas o nosso rei D. Afonso Henriques teve vários filhos fora do casamento, D. Sancho I a mesma coisa, D. Afonso III foi muito pior, D. Dinis foi também muito fraco marido. Se abrirmos o chamado Cancioneiro da Biblioteca Nacional, que é um livro muito grande e com poesia dos séculos XII, XIII e XIV, por cada cantiga decente que lá se encontra deve haver meia dúzia delas obscenas, ou mais. Nas Inquirições há comuns informações de roubos e às vezes de assassínios.
De facto, chegou-nos muita notícia de maldades que então se cometiam.
Ora o tímpano da Igreja de S. Pedro de Rates, que datará de cerca de 1220, parece um programa de ataque a este estado de coisas.
Ao centro, vê-se Cristo em Majestade ou o Pantocrátor, Cristo vencedor, ladeado pelos apóstolos S. Pedro e S. Paulo, o primeiro papa e o primeiro grande propagador do Cristianismo. Sob os pés de Cristo e dos apóstolos jazem dois homens, que os entendidos identificam como Ario e Judas. Ario foi um heresiarca e a sua heresia vigorou algum tempo na Península, sob os suevos. Judas representa o judaísmo, que pode ter tido relevância no período visigótico.
Ora, segundo os mesmos especialistas da história da arte, a imagem de Cristo em majestade apresentá-lo-á de acordo com estas palavras de um salmo: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Senta-te à minha direita enquanto eu ponho os teus inimigos sob o escabelo dos teus pés”. Deus Pai promete a Cristo colocar-lhe os inimigos sob os pés, isto é, derrotá-los.
A mensagem é clara, a vitória de Cristo no passado sobre Ario e Judas garante a sua vitória no presente e no futuro.
Em capitéis do mesmo portal, representa-se o Tetramorfo, isto é, os símbolos dos Evangelistas, o que indica que essa vitória passa pelo Evangelho, pela sua divulgação.
Não está aqui, ao menos directamente, uma mensagem guerreira, de luta pelas armas contra os mouros, embora possa incluí-la, mas é antes uma mensagem para dentro das comunidades cristãs, para irem às fontes genuínas.
No tímpano da chamada porta sul, representa-se o Agnus Dei, o “Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”, do Evangelho de S. João, e o mesmo Cordeiro do Apocalipse, em cujo sangue os redimidos lavaram as suas vestes. E também aí terá estado representado o Tetramorfo.
Este segundo tímpano continua a mensagem do da porta principal, a do regresso ao Evangelho.
Sabemos que, apesar desta espécie de manifesto de luta, ali em Rates se desenvolveu a lenda de S. Pedro de Rates, a que andou associada a de S. Félix. E a lenda de S. Pedro de Rates teve um apêndice em Balasar. Em Bagunte, parece ser sobre uma lenda que se criou a ermida da Senhora das Neves, em S. Clara de Vila do Conde houve a Lenda da Berengária e outras.
É mais difícil estar com os Evangelhos, de um tempo e uma cultura distantes, do que com uma piedosa lenda do nosso lugar.
Esta mensagem, em imagens tão toscas, trazida pelos monges franceses de Cluny, é surpreendentemente actual, convidando os cristãos a seguir o caminho da verdade evangélica, na certeza de que a vitória os espera.
Muito curioso é tudo isto.
Ouçam-se estas palavras de um crítico de arte sobre o tímpano que serviu de ponto de partida para esta reflexão:
Talvez o mais interessante dos tímpanos portugueses seja o de S. Pedro de Rates, mosteiro de refundação beneditina do séc. XII que teve uma importância primordial na difusão artística da Ordem no Norte de Portugal, bem como um papel decisivo na “normalização” teológica e litúrgica empreendida pelos Beneditinos cluniacenses no novo reino peninsular, facto que ajuda a explicar o tema do tímpano do seu portal principal.
Jorge Rodrigues, História da Arte Portuguesa, direcção de Paulo Pereira, vol. I, páginas 268-269.
A Alexandrina conheceu certamente a Igreja de S. Pedro de Rates (Rates confronta com Balasar), que foi restaurada em finais dos anos de 1930, em tempo dela portanto, quando a paroquiava o P.e Arnaldo Moreira, que era bom músico e que ensaiou frequentemente o coro de Balasar.
Algumas vezes o órgão de Rates foi trazido por uma mulher, à cabeça, para tocar em Balasar.
Em fins de Outubro ou começos de Novembro de 1938, Salazar foi a Rates ver as obras do restauro.

Imagens a partir de cima: Igreja românica de S. Pedro de Rates, tímpano do portal principal da mesma e tímpano do portal sul.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Pagelas 4


Uma pagela poliglota

Esta é uma das pagelas mais antigas: com o mesmo texto, embora com alguma variação na imagem, foi editada quando a Alexandrina era ainda Serva de Deus, depois quando já era Venerável e por fim já Beata.
O primeiro Nihil obstat tem a assinatura de Molho de Faria e data de 1965, de quando o P.e Humberto já preparava o Processo Informativo Diocesano. Foi sem dúvida este que a preparou e conseguiu as traduções para italiano, espanhol, francês, inglês e alemão.
Houve tempo em que era disponibilizada com uma pequena relíquia.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Pagelas 3


Na Beatificação

Esta pagela, desdobrável, em três colunas, do Secretariado da Beatificação, é bastante cuidada, contém com muita informação e três ilustrações. Mas é negativo que nenhuma das duas fotografias da agora beata a mostre na cama e que ela seja chamada Alexandrina de Balasar.
Coloca-se a seguir um texto do antigo abade de Singeverga, D. Gabriel de Sousa, que frequentou a casa da Alexandrina. Dispusemo-lo em verso, como tínhamos feito para a pagela:

Uma flor que não seca

Às vezes, de visita a lugares célebres,
trago entre as folhas do canhenho
a pétala duma flor;
ela seca, perde o aroma,
e só fica a valorizá-la a data que se lhe inscreve.
Fui a Balasar um dia. Voltei uma segunda vez.
E também trouxe de lá,
entre as folhas do Livro de Horas de minha pobre vida,
uma pétala de lembrança.
Mas essa ainda não murchou,
ainda não perdeu o aroma:
a visão duma alma angelical,
através duns olhos de pureza,
como nesta derrancada terra se não encontram.
E, do Calvá­rio da Alexandrina Costa,
foi esta a dolorosa e ima­culada lembrança
que me ficou.

D. Gabriel de Sousa, abade de Singeverga

Clique sobre as imagens para as ver em tamanho maior.

domingo, 28 de outubro de 2012

Pagelas 2

Associação pela Conversão dos Pecadores

A pagela ao fundo, desdobrável em três e com destacável, tem aprovação de 1974, depois do fim do Processo Informativo; deve ter sido criação do P.e Humberto, que naquele ano fez uma comunicação ao II Congresso Eucarístico de Braga sobre "A Alexandrina e a Reparação". Além disso, este exemplar concreto remete para uma associação italiana.
A conversão dos pecadores era um dos temas primeiros da Alexandrina: tudo pelo amor de Deus e pela salvação das almas.
Pena foi que a associação proposta não vingasse.

Clique sobre as imagens para as aumentar.