terça-feira, 23 de outubro de 2012

Uma Via-Sacra


Escrever e publicar livros sobre a Beata Alexandrina pode ser muito bom, se eles trouxerem algo de novo ou se se dirigirem a um público novo. Mas não é só com livros que se promove a sua divulgação. Fazê-lo por pagelas pode ser um meio eficaz, sabendo-se que as pessoas lêem pouco.
Nós possuímos uma pagela com uma Via-Sacra em italiano, editada em Milão pelos Salesianos. É pequenina: menos que meia folha A4 dobrada, com texto na frente e no verso. Foi certamente o P.e Humberto que a preparou e a fez publicar.
Embora já conhecêssemos esta pagela há bem meia dúzia de anos, só agora é que temos um exemplar nosso.
Mas há uma coisa curiosa: possuímos um documento, em quatro folhas A4, que nos deram há bastantes anos, que parece ser o original português desta Via-Sacra.
Na cópia da pagela, a D. Eugénia acrescentou no epílogo uma frase: essa frase está no original português: "Um som harmonioso encheu o céu e a  terra"…
As indicações à margem identificam com certeza as datas dos colóquios donde foram retiradas as citações.
Clique sobre as imagens para as ver em tamanho maior.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Livros dos Signoriles sobre a Beata Alexandrina


Os Signoriles publicaram muito sobre a Beata Alexandrina: livros volumosos como Figlia del Dolore Madre di Amore ou La Gloria dell'Uomo dei Dolori nel Sorriso di Alexandrina, livros de tamanho médio como Mio Signore Mio Dio! Come Pregava Alexandrina, Solo per Amore! ou L'Amor che Muove il Sole e l'altere Stele!, vários livros pequenos, opúsculos e pagelas. Foram muitos anos de trabalho, de paixão, de muito estudo e muito saber. É difícil encontrar quem se deixe absorver assim por uma tarefa e sem ser movido por aquelas razões que tantas vezes movem as pessoas, o dinheiro ou o prestígio. 
Salvo as pagelas, de que possuímos alguns exemplares, mas que aqui não apresentamos, pensamos que abaixo vai a lista completa ou quase completa das obras que publicaram.

A D. Eugénia enviou recentemente para a tipografia um novo livro.


COSTA, Alexandrina Maria da, Maria, Madre mia. Come Alexandrina sente la Madonna, selecção e tradução de textos pelo Casal Signorile, Mimep-Docete, Pessano (MI), Itália, 1987.

COSTA, Alexandrina Maria da, Anima pura, cuore di fuoco, selecção e tradução de textos pelo Casal Signorile, Mimep-Docete, Pessano (MI), Itália (profusamente ilustrado), 1990.

COSTA, Alexandrina Maria da, Venite a me (richiami di Gesù), selecção e tradução de textos pelo Casal Signorile, Mimep-Docete, Pessano (MI), Itália, 1991.

COSTA, Alexandrina Maria da, Ho sete di voi, selecção e tradução de textos pelo Casal Signorile, Mimep-Docete, Pessano (MI), Itália (sem data).

COSTA, Alexandrina Maria da, Mi Amasti fino all’Estremo!, selecção e tradução de textos pelo Casal Signorile, Mimep-Docete, Pessano (MI), Itália (sem data).

COSTA, Alexandrina Maria da, Mio Signore, mio Dio! Come pregava Alexandrina, selecção e tradução de textos pelo Casal Signorile, Mimep-Docete, Pessano (MI), Itália, 1992.

COSTA, Alexandrina Maria da, Figlia del Dolore, Madre di Amore. Quasi una autobiografia, selecção e tradução de textos pelo Casal Signorile, Mimep-Docete, Pessano (MI), Itália, 1993.

COSTA, Alexandrina Maria da - Sofferenza amata! La Passione di Gesù in Alexandrina, selecção e tradução de textos pelo Casal Signorile, Mimep-Docete, Pessano (MI), Itália, 1999.

SIGNORILE, C.E., Croce e sorriso, Mimep-Docete, Pessano (MI), Itália, 2002.

SIGNORILE, Eugenia C., Sulle Ali del Dolore, Ed. Gamba, Verdello, Itália, 2002.

SIGNORILE, Eugenia C., Alexandrina, Voglio Imparare da Te!, Gamba Edizioni, Verdello, Itália, 2002.

GIACOMETTI, Giulio, SESSA, Piero, SIGNORILE, Eugenia, La Gloria dell'Uomo Dei Dolori nel Sorriso di Alexandrina, Segno, Udine, Itália, 2005. 

COSTA, Beata Maria Alexandrina da, Solo per Amore!, selecção e tradução de textos por Eugénia Signorile, Mimep-Docete, Milão, Itália, 2006.

COSTA, Beata Maria Alexandrina da, Zampilli Incandescenti, selecção e tradução de textos por Eugénia Signorile, Mimep-Docete, Milão, Itália, 2007.

COSTA, Beata Maria Alexandrina da, L'Amor che Muove il Sole e l'altere Stelle, selecção e tradução de textos por Eugénia Signorile, Mimep-Docete, Milão, Itália, 2008.

COSTA, Beata Maria Alexandrina da, Quei Due Cuori, selecção e tradução de textos por Eugénia Signorile, Gamba Edizioni, Verdello, Itália.


COSTA, Beata Maria Alexandrina da, Il Sorriso nella Croce, selecção e tradução de textos por Eugénia Signorile, Gamba Edizioni, Verdello, Itália, 2010: reelaboração de Croce e Sorriso.

SIGNORILE, Eugénia e Chiaffredo, Vida Interior da Beata Alexandrina, Apostolado da Oração, Braga, Portugal, 2002: tradução portuguesa de Mio Signore, mio Dio! Come pregava Alexandrina.

COSTA, Beata Maria Alexandrina da, Seulement par Amour!, Alex-Diffusion, Reims, França, 2010: tradução francesa de Solo per Amore!

COSTA, Beata Maria Alexandrina da, Orar com a Beata Alexandrina, Fábrica da Igreja de S. Eulália de Balasar, Portugal: tradução duma Via-Sacra e duma Novena preparadas pelos Signoriles.


Solo Per Amore! está traduzido, mas não publicado, para português, inglês e cremos que para tailandês.

Zampilii Incandescenti e Alexandrina, Voglio Imparare da Te!: estão também traduzidos, mas não publicados, para português, inglês, espanhol e francês.

Anima pura, cuore di fuoco: traduzido para várias línguas.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Um livro precioso


O livro a que nos referimos é italiano e tem um título poético, Una Lacrima Succhiata dal Sole, “Uma lágrima sugada pelo Sol”. Como seu autor, figura na capa Chiaffredo Signorile, um cooperador salesiano grande estudioso da Beata Alexandrina. Mas ele é autor e também tema.
Mas não se trata duma autobiografia propriamente dita, embora naturalmente se apresentem muitas informações biográficas. Foi preparado pela sua esposa, a D. Eugénia, e fala dos últimos dez anos da vida do marido, do período em que ele foi afectado pela doença de Alzheimer. Tem mesmo como subtítulo “um caso de Alzheimer”.
É um livro do casal, dum casal apaixonado e ferido pela dor. É um poema de amor e de vivência cristã. Divide-se em duas partes: Sombras e Luz. As sombras nascem das moléstias de Chiaffredo, que chega mesmo a tornar-se violento. A luz é a da fé que ilumina o casal, que lhe dá a certeza de que o discípulo de Cristo também participa dos seus sofrimentos.
Chiaffredo Signorile, que tanto se dedicara à Beata Alexandrina, morreu, como ela, no dia 13 de Outubro, no ano de 1999.

Breve excerto biográfico do livro:
No verão seguinte (1965) voltam a Balasar, onde o padre Humberto  Pasquale (segundo  director espiritual  Alexandrina) está a trabalhar incansavelmente para preparar o processo diocesano de beatificação.
Há uma reunião agradável com Chiaffreddo, a quem o padre Humberto  pediu  para colaborar no trabalho de divulgar as mensagens de Alexandrina. Com grande paixão o casal  começa a estudar português para, em seguida, traduzir  para italiano vários de seus escritos. Ardendo na mesma chama  de amor - que os une ainda mais - os dois cônjuges lançam-se de "corpo e alma" neste empreendimento. Juntos, estudam, juntos seleccionam, e depois ele dita e ela escreve à máquina; corrigem provas ...
Todas as suas capacidades e energias, inclusive económicas, são jogados naquela fornalha que os inflama mais e mais.
Compreendem também porque lhes foi negada a graça (tão desejada) de ter filhos: tinham sido escolhidos para essa única missão.
Imagens:  ao cimo, capa do livro aqui mencionado; aqui ao lado, o casal Signorile numa fotografia que cremos que foi tirada no Sameiro em 1965 ou 1966.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Um balasarense arrependido


Toda a gente comete faltas, maiores ou menores, e por isso todos têm razão para arrependimento. Mas se as faltas são grandes, a razão para o arrependimento é maior.
O caso que se apresenta a seguir é certamente lamentável, mas aproxima-se bastante do que se passou com o pai da nossa Beata. A diferença porém é enorme: aqui, o pai solteiro assume a paternidade e faz testamento aos filhos. Bem difícil há-de ter sido tomar tão louvável decisão!

Registo do testamento cerrado com que no dia 30 de Novembro de 1910 faleceu no Rio de Janeiro, Brasil, António Alves de Sousa Campos, de Balasar

Em nome da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, três pessoas distintas e um só Deus verdadeiro, digo eu, António Alves de Sousa Campos, solteiro, lavrador, de maior idade, natural da freguesia de Santa Eulália de Balasar, do concelho da Póvoa de Varzim, filho legítimo de António Alves de Sousa e de Rita Alves, da dita de Balasar, que temendo a morte, as contas que hei-de dar a Deus e tencionando ausentar-me para o Império ou República Brasileira, resolvi fazer o meu testamento, o qual efectivamente faço pela forma seguinte:
Em primeiro lugar encomendo a minha (alma) a Jesus Cristo, que a remiu com o seu preciosíssimo sangue, à Virgem Santíssima, ao Anjo da minha Guarda, ao Santo do meu nome, a todos os Santos e Santas da Corte do Céu, para que orem a Deus por mim.
E dispondo do temporal declaro, como acima fica dito, que sou filho António Alves de Sousa e Rita Alves e que por fraquezas humanas tive relações ilícitas com Ana Domingues da Costa Gomes, filha de António Domingues Gomes e Maria da Costa e Silva, de cujas fraquezas nasceu uma criança do sexo feminino a que se deu o nome de Felismina, a qual considero como filha minha e instituo por herdeira, assim como por iguais fraquezas tive relações com uma filha de José Domingues Martins e de Maria da Costa Lopes, do lugar de Gestrins, da mesma de Balasar, a qual nesta data se acha em estado de grávida, e por isso também instituo como meu herdeiro ou herdeira o fruto que esta der à luz e venha a salvamento, e isto se entende não só dos adquiridos como das legítimas paterna e materna que me possam pertencer por falecimento de meus pais, quando a eles sobreviver, mas com a condição destes meus herdeiros ou quem os representar se conformarem com as partilhas amigáveis que terão lugar por falecimento de meus pais, para o que deixo procuração com poderes especiais; e isto se entende quando os meus irmãos ou mais herdeiros do casal de meus pais com isto se conformem, pois não se o conformando estes e sendo as partilhas feitas judicialmente neste caso terão também os meus referidos herdeiros aquilo que por justiça lhes pertencer.

Na imagem, provável retrato do jovem António Alves de Sousa Campos

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Uma atribulada festa em honra do Sagrado Coração de Jesus em 1911


A pressão republicana sobre a Igreja nos anos de 1911 e seguintes foi duríssima. Foram os anos em que a pequena Alexandrina estudou na Póvoa e depois regressou à sua Balasar. Não é abundante a informação que possuímos sobre o que se passou nesta freguesia e por isso paga a pena ver o que aconteceu com a festa do Sagrado Coração de Jesus no vizinho Outeiro Maior:

Outeiro, Vila do Conde, 2/8/1911

Realizou-se no domingo passado a festividade do Coração de Jesus, precedida de práticas preparatórias feitas pelo novel orador sagrado Adelino Anselmo de Matos, pároco de Curvos, Esposende, que muito agradou e tirou abundante fruto, não obstante ter sido chamado à última hora.
De manhã houve comunhão geral, distribuindo-se o Pão dos Anjos a umas trezentas pessoas.
De tarde realizou-se uma procissão em honra do SS. Sacramento, promovida por um grupo de devotos e que este ano quiseram cooperar com a Associação do Coração de Jesus, revestindo a festa mais solenidade em virtude de se ter levantado um novo e lindo cruzeiro oferecido à freguesia por um grupo de briosos rapazes que daqui foram para o Brasil e que, entregues ao labutar constante da vida, não se esqueceram da sua terra natal nem da sua fé.
À frente da procissão ia uma bandeira que, pela sua frente, em puro veludo de sedas, ostenta os emblemas do Coração de Jesus, circundados por um ramo a ouro, entrelaçado por uma fita a matiz, rematando tudo em uma espécie de dossel, que produz um efeito surpreendente. Do lado oposto, encontra-se, também bordado a ouro, o emblema JHS, tendo ao fundo um ramo a matiz de belo gosto, e ao cimo a palavra “particular”, em semicírculo.
Como que a pôr um embargo à alegria que todos sentiam no meio de tão linda e religiosa festividade, por ser a única que agrada e consola o coração do verdadeiro cristão e está no ânimo de todos os habitantes desta freguesia, apareceu um ofício do cidadão Administrador do Concelho de Vila do Conde, com a nota de “urgente”, que ao conhecer-se produziu o efeito de um frigidíssimo duche. Dizia assim:

Tendo conhecimento de que nessa freguesia se costuma anualmente fazer umas práticas e confissões, sob a denominação de Coração de Jesus, tenho a dizer-lhe que tais práticas são proibidas e punidas por lei. Queira pois não consentir e participar-me, caso não sejam acatadas as minhas ordens.
Saúde fraternidade.
Ao cidadão regedor da freguesia de Outeiro.
Vila do Conde, 27 de Julho de 1911.
O Administrador do Concelho – Luís da Silva Neves.

Está claro que se a autoridade da freguesia – o Sr. António Gonçalves de Azevedo – não fosse um cavalheiro prudente, um católico prático a quem agradam sobremaneira os actos da nossa santa religião, na qual se esmera por educar toda a sua família, este ofício viria privar este bom povo da sua querida festa, contristando-o e talvez exaltando-o. Felizmente tudo se fez sem o mais pequeno incidente e no meio da mais franca alegria. – P. A.

(Informação saída no jornal O Poveiro, da Póvoa de Varzim, em 10/8/1911)

De notar que a notícia refere a Associação do Coração de Jesus, que também se conhece em Balasar e poderia existir na generalidade das freguesias

Na imagem, cruzeiro do Outeiro Maior, de que a notícia faz menção e que pode ter sido obra de artista que participou na construção da Igreja de Balasar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus e a Alexandrina


Em finais do séc. XIX a Póvoa decidiu avançar para a construção da Basílica do Sagrado Coração de Jesus: era um grande empreendimento que supunha uma profunda devoção.
“Deus amou de tal modo o mundo que lhe entregou o Seu Filho Unico”. A redenção é a suprema obra do Amor e é deste amor que fala o Coração de Jesus.
Depois de sabermos que no Arquivo de Vila do Conde se conservam os arrolamentos dos bens paroquiais feitos pelos republicanos, quisemos verificar que sinais havia dessa devoção nas igrejas do concelho a norte do Ave, que se integram na Arquidiocese de Braga e portanto no arciprestado da Alexandrina. O testemunho é convincente.
As freguesias são dez. Seis tinham altares do Sagrado Coração de Jesus, três tinham só a sua imagem no Altar da Almas e apenas o inventário duma, Parada, não menciona mesmo a imagem.
A devoção ao Sagrado Coração de Jesus não era antiga: em Portugal popularizou-se apenas no séc. XIX. Mas apesar de ter sido um século de hostilidade à Igreja, ela impôs-se. E para isso há-de ter dado contributo decisivo a revista jesuíta o Mensageiro do Coração de Jesus.  
A Beata Alexandrina pertenceu à associação do Sagrado Coração de Jesus de Balasar, foi por altura dum tríduo em honra do Sagrado Coração, pregado pelo P.e Mariano Pinho na freguesia, que este conheceu a Alexandrina, as primeiras palavras de Jesus sobre a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria evocam Santa Margarida…
A devoção ao Sagrado Coração de Jesus está no cerne da mensagem da Beata Alexandrina e Jesus pediu-lhe que a espalhasse.

Na imagem, conjunto escultórico da Igreja de Bagunte, vizinha de Balasar: o Sagrado Coração de Jesus e S. Margarida Maria Alacoque.

sábado, 13 de outubro de 2012

Directo de Balasar

Acompanhe aqui os eventos da Festa da Beata Alexandrina.

Estivemos de tarde em Balasar. O movimento que vimos e que a fotografia abaixo documenta fazem crer que na Missa da Festa a igreja vá registar uma grande enchente. Idos dos lados da Póvoa, alguns grupos de peregrinos dirigiam-se a pé para Balasar.