domingo, 17 de junho de 2012

Relíquias (6)


Os Restos Mortais do P.e Mariano Pinho

O P.e Mariano Pinho, aparentemente ao menos, está para a Beata Alexandrina como S. Cláudio La Colombière está para S.Margarida Maria Alacoque: ambos foram instrumentos ao serviço de Jesus para conduzir as duas santas aos cumes da mística.
Mas a acção do P.e Pinho não se esgota na orientação espiritual da Alexandrina: ele foi o dinamizador da Cruzada Eucarística, dirigiu as principais revistas jesuítas no seu tempo, pregou em todo o território nacional e em parte do Brasil, publicou livros como Regresso ao Lar e O Imaculado Coração de Maria à Luz de Fátima, as duas biografias da sua dirigida, criou uma revista como a Cruzada, etc.
Foi um sacerdote exemplar, mesmo quando incompreendido e caluniado.
Jesus prometeu-lhe a canonização, por exemplo, em 1 de Novembro de 1948, dirigindo-se à Vítima da Eucaristia:

Diz ao teu Paizinho que os eleitos do Senhor o esperam. Ele será contado entre eles; como os meus santos, ele será honrado na terra; como eles, subirá às honras dos altares.
Preparo-o para isso pelo sofrimento. Escolhi-o para luz e guia das almas, missão difícil e espinhosa, missão que exige a maior perfeição e sabedoria; missão que exige a ciência das coisas divinas.
Diz-lhe que o Senhor é fidelíssimo, não falta ao que promete.
Diz-lhe que as nuvens se dissiparam, o sol apareceu, brilhou.
Dá-lhe todo o meu amor, todo o amor da Trindade Divina e de minha Mãe bendita.

Os seus restos mortais conservam-se em Balasar desde 2007, na Capela-Jazigo que fora construía para a Beata Alexandrina.
Ignora-se o paradeiro das cartas que enviou à Alexandrina, o que o prejudica a ele e à Alexandrina. Rezemos para que elas apareçam.

Imagens: em cima, a arca tumular com as relíquias do P.e Mariano Pinho; em baixo, a capela-jazigo onde ela se guarda.

sábado, 16 de junho de 2012

Relíquias (5)


Os Restos Mortais da Beata Alexandrina

Destruição cadavérica sem corrupção
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Veja-se o que o P.e Humberto Pasquale escreveu na sua autobiografia Il Monello di Dio, Don Umberto Maria Pasquale (Elledici, 2006, páginas 110-111) sobre a trasladação dos restos mortais da Alexandrina da campa original para a capela jazigo.

“Em 1957, o Bispo Auxiliar de Braga veio a Balasar para benzer a capela mandada construir no cemitério e exumar o corpo da Alexandrina que fora sepultado ma terra e transportá-lo para o novo túmulo. Era o dia 11 de Outubro; estiveram presentes, além do Bispo Auxiliar, o presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, o Dr. Manuel Melo Adriano, professor de Medicina na Universidade do Porto, o médico subdelegado de saúde da área, Dr. Costa Azevedo, e o Dr. Manuel Augusto Dias de Azevedo.
À multidão dos fiéis foi proibido entrar no cemitério, mas muitos puseram-se sobre o muro da vedação por curiosidade.
O Dr. Adriano, a pedido do Bispo Auxiliar D. Francisco Maria da Silva, redigiu um relatório sobre a exumação do corpo da Alexandrina em 23 de Novembro seguinte. Lá se escreve:
Procedendo à remoção da terra, apareceu um nicho de cimento de cerca de dois metros de comprimento por um de largura e um de altura, aberto num dos lados; no fundo vê-se a parte do caixão. Retirada a placa de cimento, munida de dois anéis de ferro e atravessada por dois arames que que envolviam o mesmo nicho, e removida a terra que cobria caixão, esta apareceu em moderado estado de conservação, corroída apenas numa pequena parte da tampa, na extremidade mais larga, correspondente à cabeça do corpo.
Não se sentiu o mínimo odor de putrefacção cadavérica. Foi convidado o Bispo Auxiliar a entrar na capela mortuária. Tirado a tampa do caixão, apareceu o corpo que não apresentava o mínimo sinal de putrefacção. Do exame feito posso dizer que me encontrei face a um caso de destruição cadavérica sem corrupção.
Com todo o respeito, tomo como testemunha N. S. Jesus Cristo e frente a Ele juro humilimamente que tudo quanto escrevo não depende de mínima sugestão externa de quem quer que seja e que é a pura expressão da verdade, e não é da minha parte uma ideia pré-concebida.
O Dr. Azevedo afirmou-me que a incineração do corpo da Alexandrina, sem a prévia putrefacção, é um facto notável, porque há uma excepção à lei natural”.

Uma extraordinária promessa 

Os restos mortais da Alexandrina são uma relíquia extraordinária, mas Jesus fez também uma extraordinária promessa a seu respeito, em Junho de 1946:

Prometo-te – confia – que depois da tua morte todas as almas que visitarem o teu túmulo serão salvas, a não ser que o visitem para prevalecer no pecado, abusando da grande graça que por ti lhes dei.
Para todas as que visitarem o teu túmulo se salvarem, necessitam doutras graças, que não são precisas às que o teu leito visitarem, mas por ti lhes serão dadas.
Estas frases deviam estar escritas em letras muito grandes, bem visíveis junto ao túmulo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Relíquias (4)

O Rosário da Alexandrina
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Um pouco antes da Beatificação, o Rosário da Alexandrina foi roubado da Casa do Calvário. A informação chegou aos jornais: pode-se ver o que escreveu o Correio da Manhã.
Mas nós tínhamo-lo fotografado e por isso esta relíquia pôde figurar na medalha que então se cunhou.

Na altura, propusemos duas frases para a medalha:

No Céu estarei como o pobre cego
À beira da estrada, de mão estendida,
Pedindo esmola.
Eu pedirei graças para as espalhar
Sobre a Terra.

Fala às almas!
Fala-lhes da Eucaristia! 
Fala-lhes do Rosário!
Palavras de Jesus à Alexandrina

A primeira é poética, mas extensa; a escolha recaiu sobre a segunda, mais breve e directa.
Cremos que ainda há em Balasar para venda exemplares das medalhas então cunhadas.
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Na mensagem Salto (2) colocámos hoje uma fotografia com a janela do Salto vista do exterior.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Relíquias (3)


O emblema da Cruzada Eucarística

Quando os padres Mariano Pinho e Leopoldino Mateus, em 1933, instalaram em Balasar a Cruzada Eucarística das Crianças, já a Alexandrina e a irmã eram adultas há muito. Mas conserva-se na Casa do Calvário um emblema da Cruzada. Esta organização infantil foi criada em Balasar, e talvez em muitas outras paróquias, em estreita ligação com a Associação do Coração de Jesus, a que a Alexandrina e a Deolinda pertenciam, como consta dum livro desta última associação. É possível que ambas fossem zeladoras da Cruzada, apesar de a Alexandrina se encontrar acamada.
Motivos desenhados no emblema: a Cruz, o Cálice e a Hóstia radiante; legenda dourada latina do círculo a azul: Eccce Panis Angelorum – Eis o Pão dos Anjos. No braço horizontal da cruz, encontram-se as letras C E, Cruzada Eucarística.
A ilustração da capa da edição original de Uma Vítima da Eucaristia é também constituída pelo Cálice e pela Hóstia, sem faltarem os raios que partem da Hóstia.



De cima para baixo:
Emblema da Cruzada Eucarística da Alexandrina;
Capa de Uma Vítima da Eucaristia;
Fragmento duma página que regista os associados de Balasar do Sagrado Coração de Jesus.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Relíquias (2)


Anéis

A fé das pessoas nem sempre é a mais pura; e sabe-se da história que isso é coisa antiga. Quem não recorda o uso de ferraduras como amuleto? Em Balasar, vimos nalguns jugos o sino saimão.
Para combater o mau hábito de certos populares que visitavam a Alexandrina e que traziam nos dedos anéis de bruxaria, o P.e Humberto adquiriu, para esta oferecer, uns pequenos anéis em prata com uma imagem minúscula de Nossa Senhora Auxiliadora. Na Casa do Calvário encontram-se umas duas centenas dos anéis aí deixados.
Uma senhora de Gresufes, actual dona da casa onde a Alexandrina nasceu, possuía um dos que ela oferecia e autorizou-nos a fotografá-lo. Mais tarde, ofereceu-o à Causa da Alexandrina.



A partir de cima:
Anel oferecido pela Alexandrina;             
Anéis (amuletos) deixados pelas visitas;
Jugo com o sino saimão ao centro e a cruz nas extremidades.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Relíquias (1)


Uma relíquia de primeiro grau

Por altura da Beatificação, a Santa Sé pediu uma relíquia da Beata Alexandrina. A princípio, pensou-se que bastaria uma relíquia de segundo grau, um fragmento de vestuário, mas não, devia ser enviada uma relíquia óssea (em latim: non vestimenta, sed ossa). Por isso, o túmulo teve de ser aberto. Apesar de o autor desta página integrar então o Secretariado da Beatificação, não esteve presente. Disseram-nos contudo que o corpo da Alexandrina, à excepção dos ossos, estava reduzido a cinzas e que a sua estrutura óssea indicava que ela devia ter uma altura de cerca de 1,70m.
Foram feitos três relicários, um que foi enviado para Roma, outro para Braga e um terceiro que ficou em Balasar.

Na imagem, relicário de Balasar.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Magnificat, uma oração da Beata Alexandrina (3)


O Magnificat responde à saudação de Isabel, que declara a sua jovem prima “Mãe do Meu Senhor” (Mãe de Deus) e “bendita entre as mulheres” (a mais notável e a mais santa entre as mulheres). S. Lucas não estava lá para a ouvir a saudação, mas procedeu como era uso dos historiadores do tempo, reconstituindo inspiradamente o que poderia ter sido o cântico original, se é que não ouviu mesmo Nossa Senhora sobre o assunto.
É curioso notar que o Magnificat tem muito evidentes aproximações a um cântico antigo, que vem no livro Primeiro de Samuel e atribuído a uma senhora de nome Ana.
S. Lucas distingue-se dos outros evangelistas por vários traços: é o mais mariano de todos eles, é o que mais relevo dá à acção do Espírito Santo e o seu evangelho é atravessado por um radicalismo muito curioso (considere-se por exemplo a sua versão das Bem-Aventuranças[1]). É no seu evangelho que se encontram narrativas como a do Filho Pródigo, a do Bom Ladrão (a quem Jesus promete “hoje” o Céu – apesar de ser ladrão – só porque ele Lho pediu numa atitude de respeito e arrependimento) e a dos Discípulos de Emaús. Paga a pena ver também a sua versão do Pai-Nosso, muito diferente da de S. Mateus.
Mas S. Lucas é também o autor dos Actosdos Apóstolos, com aquela manifestação grandiosa do Espírito Santo e com a história dos primeiros passos dados pela Igreja, que a levam até à capital do Império.
Nos Actos, há muito outros textos a merecer atenção, mas aquele solene encontro entre o cristianismo e o mundo da cultura pagã no coração de Atenas é especial. Chega-se a mencionar filósofos e a citar um poeta grego.


[1] As Bem-aventuranças em S. Lucas não são proclamadas no cimo da colina, como em S. Mateus, que vê em Jesus o novo Moisés (que proclamou os Dez Mandamentos no Sinai), mas na planície: Jesus quer-Se ombro a ombro com os homens, onde eles estiverem: “Paz aos homens de boa vontade!”
O radicalismo desta versão das Bem-aventuranças consiste em colocar frente a frente os que não têm nada - e esses é que são bem-aventurados - e os que têm tudo ("Ai de vós ... !") Este extremar dos campos já estava no Magnificat:  o Senhor derruba os poderosos dos seus tronos e exalta os humildes.
A Ela, a humilde Maria, todas as gerações A proclamarão bem-aventutrada.