terça-feira, 10 de abril de 2012

Testamento de Custódio José da Costa

A descoberta do Testamento de Custódio José da Costa é uma boa notícia para os amigos da Beata Alexandrina, dada a relação que a Santa Cruz tem com ela. Ignorava-se mesmo a data da sua morte, por não existirem os assentos de óbito do tempo. Agora sabe-se que faleceu no Lousadelo, em 11 de Agosto de 1850.
Fizera o testamento em Janeiro de 1848. Nele se mostra o mesmo homem abastado e piedoso de que já dera provas. Vejam-se as linhas iniciais:

Jesus, Maria, José.
Em nome da Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, em Quem creio e em tudo o mais que ensina a Santa Madre Igreja de Roma, em cuja fé protesto viver e morrer, determino eu, Custódio José da Costa, do lugar de Lousadelo desta freguesia de Santa Eulália de Balasar, fazer meu testamento, última e derradeira vontade, na forma seguinte:
Primeiramente, encomendo minha alma a Deus, Nosso Senhor, e Lhe peço que de mim Se compadeça pelos infinitos merecimentos de seu Unigénito Filho e rogo a Maria Santíssima e seu esposo S. José, ao Anjo da minha guarda e a todos os Santos da Celestial Jerusalém que queiram ser meus advogados e medianeiros no Supremo Tribunal a fim de que me sejam perdoados todos os meus pecados e a pena que por eles me é devida.

Embora isso não venha no Testamento, ele deve ter sido marinheiro, piloto mesmo. Uma vez falou assim aos seus críticos:

[…] e vós dizeis que o fundador das obras (ele, Custódio) é pateta. Mas sabe levar bom navio ao Brasil e torná-lo a trazer. Isso para vós é latim.

Custódio José da Costa é o mais antigo balasarense de que se possui um retrato.
Retrato de Custódio José da Costa.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Morrer com Jesus, ressuscitar com Jesus

Atendendo ao carácter de alma-vítima da Beata Alexandrina, devia haver em Balasar uma Via-Sacra pública, cujas estações estivessem documentadas com textos extraídos dos seus escritos. A D. Eugénia preparou-a. Dela se apresentam aqui o Prólogo e o Epílogo.


PRÓLOGO

JESUS IMOLADO

Tu não quiseste nem sacrifício nem oblações,
em vez disso preparaste-me um corpo...
Então disse:
-Eis que venho, ó Deus, fazer a tua vontade!" (Heb.10,5-7)


Viu a minha alma
a grande montanha do Calvário
e no cimo a cruz ao alto onde eu havia
de estar crucificada. S (3-11-50)

Esta cruz chegava ao Céu
e fazia-o abrir e resplandecer. S (3-11-50)

Era cruz de triunfo
que brilhava mais que o sol! S (7-11-52)

********************************
EPÍLOGO

Por entre aquelas nuvens da morte rompeu Jesus, sobressaiu,
foi brilhar mais além.
Venceu tudo e de tudo triunfou.
(...) Ele foi, mas ficou sempre comigo.
(...) Transformado em mim, sofria. S (9-11-45)
 Jesus morreu e viveu sempre.
Senti que Ele morreu e senti que Ele vivia.
Ó vida, vida celeste! S (23-12-49)

Ficou o Céu reconciliado com a Terra. S (20-5-49)
O Céu abriu-se quando Jesus expirou.
Já todos, do Calvário, podíamos passar ao Céu. S (3-10-47)
O sangue regou a Terra. (...)
Ia ser para as almas, no decorrer dos tempos,
orvalho de vida e de salvação. S (4-7-47)

Jesus declara:
"Quem com Jesus vive
com Jesus morre,
com Ele ressuscita
para a verdadeira vida".

terça-feira, 27 de março de 2012

Livro em letão

Já temos connosco o livro do Leo Madigan em tradução para letão. Cremos que o título  diz "Beata Alexandrina da Costa, Mística de Fátima e Mártir".
O livro tem 174 páginas e foi usado um formato muito pequeno. Sensivelmente ao centro, encontra-se um conjunto de fotografias coloridas.
Editor: Kala Raksti.

sábado, 24 de março de 2012

Um museu

É nosso entender que Balasar deveria possuir um museu para guardar memória do seu passado. Um museu com uma forte componente agrícola, mas aberto a outros aspectos das antigas vivências locais.
Recentemente visitámos um museu excelente, o Museu da Agricultura de Fermentões, próximo de Guimarães: podia servir de inspiração para quem se quisesse abalançar à tarefa de criar o de Balasar.
Nesta freguesia, conservam-se bons jugos. Colocam-se a seguir imagens de dois, o primeiro de Balasar, de 1897, e outro do museu mencionado, de 1886. O de Balasar tem ao centro o brasão nacional monárquico, o segundo, procedente de S. Tiago de Antas, tem a mais usual cruz.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Exposição em Balasar

Só soubemos hoje desta exposição, por isso é agora que colocamos aqui o cartaz respectivo.

segunda-feira, 19 de março de 2012

A cruz de Jesus segundo a Alexandrina, um desafio para os artistas


Veja-se esta conversa do P.e Terças com a Beata Alexandrina em que falam da forma da Cruz de Jesus:

- Quando a Alexandrina viu a Jesus crucificado, qual era o feitio da cruz? Eu explico melhor: a travessa superior da cruz do Senhor era, como essa, uma só, inteira e perpendicular ao tronco principal?  
- Ai, não... A cruz do Salvador tinha este feitio. - E alongou os braços, de forma a desenhar um V.
A piedosa vidente, de facto, estando no leito, tem habitualmente diante dos olhos um crucifixo vulgar, ou seja, com a haste superior fixada em ângulo recto, no madeiro principal.
A cruz, porém, em que ela viu o Senhor tinha forma dife­rente: no alto, havia dois madeiros embutidos em forma de V no tronco vertical. No todo, a cruz devia ter a forma aproximadamente um y grego.
Os artistas têm aqui uma oportunidade de criar um crucifixo que reflicta a perspectiva dela.

sábado, 17 de março de 2012

A vinha do Senhor, a ave Fénix, a Alexandrina…

Eu frequento a igreja de S. João Baptista de Vila do Conde, aquela igreja onde a pequena Alexandrina recebeu o crisma. Desde há muito intrigava-me certa decoração dumas colunas de talha nacional que lá existem e que não é diferente da de muitas outras de variadas paragens.
O caso é este: pelas colunas acima trepam ramos de videira com fartos cachos (pâmpanos) e no meio daquela vegetação luxuriante vêem-se um menino e uma ave. Um e outro debicam as uvas. Mas eu não fazia ideia do que aquilo ali significava.
Há dias, de visita ao antigo Mosteiro de Tibães, lá vi de novo esta decoração. Perguntei à guia, mas ela não me deu explicação satisfatória. Então fui mais uma vez à internet tentar descobrir o significado daquilo e consegui o que queria.
A ramagem de videira e as uvas representam a vinha do Senhor, que produz o vinho que dá a vida eterna. A ave é a Fénix da mitologia, que renasce das cinzas e que significa a ressurreição.
Cruzam-se ali dois textos bíblicos, o da vinha do Senhor e o do Evangelho de S. João, quando Jesus diz que “quem comer deste pão e beber deste vinho viverá para sempre”.
A pequena Alexandrina não soube nada disto com certeza, mas agradeceria que lho dissessem.
Na mesma igreja, num festão de pedra, há esculpido o motivo da vinha e da Fénix.
Como isto é instrutivo!
Neste fragmento de coluna do coro alto do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde, actualmente pousado no chão, vêem-se bem as videiras, as uvas e o menino; a Fénix está à direita, quase ao fundo.
Festão do séc. XVI com os motivos da vinha e da Fénix (a ave está na terceira "pedra" a contar de baixo - clique sobre a imagem para a ver melhor).