segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A mais antiga notícia sobre a Santa Cruz de Balasar


A mais antiga notícia sobre a Santa Cruz de Balasar data de 6 de Agosto de 1832, isto é, mês e meio após a sua aparição, e encontra-se numa exposição dirigida pelo Pároco da freguesia à autoridade eclesiástica de Braga. Dividimo-la aqui em quatro partes:

Notícia do aparecimento

Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor
Dou parte a Vossa Excelência de um caso raro acontecido nesta freguesia de Santa Eulália de Balasar.
No dia de Corpo de Deus próximo pretérito, indo o povo da missa de manhã em um caminho que passa no monte Calvário, divisaram uma cruz descrita na terra: a terra que demonstrava esta cruz era de cor mais branca que a outra: e parecia que, tendo caído orvalho em toda a mais terra, naquele sítio que de­monstrava a forma da cruz não tinha caído orvalho algum.
Mandei eu varrer todo o pó e terra solta que estava naquele sítio; e continuou a aparecer como antes no mesmo sítio a forma da cruz. Mandei depois lan­çar água com abundância tanto na cruz como na mais terra em volta; e então a terra que demonstrava a forma da cruz apareceu de uma cor preta, que até ao presente tem conservado.
A haste desta cruz tem quinze palmos de comprido e a travessa oito; nos dias turvos divisa-se com clareza a forma da cruz em qualquer hora do dia e nos dias de sol claro vê-se muito bem a forma da cruz de manhã até as nove horas e de tarde quando o Sol declina mais para o ocidente, e no mais espaço do dia não é bem visível.

Reacção popular e milagres

Divulgada a notícia do aparecimento desta cruz, começou a concorrer o povo a vê-la e venerá-la; adornavam-na com flores e davam-lhe algumas esmolas; e dizem que algu­mas pessoas por meio dela têm implorado o auxílio de Deus nas suas necessidades e que têm alcançado o efeito desejado, bem como: sararem em poucos dias alguns animais doentes; acharem quase como por milagroso animais que julgavam perdidos ou roubados e até algumas pessoas terem obtido em poucos dias a saúde em algumas enfermidades que há muito padeciam. E uma mulher da freguesia da Apúlia, que tinha um dedo da mão aleijado, efeito de um penando que nela teve, tocando a Cruz com o dito dedo, repentinamente ficou sã, movendo e endireitando o dedo como os outros da mesma mão, cujo facto eu não presenciei, mas o atestam pessoas fidedignas que viram.
Enfim, é tão grande a devoção que o povo tem com a dita cruz que nos domingos e dias santos de guarda concorre povo de muito longe a vê-la e venerá-la, fazem romarias ora de pé ora de joelhos em volta dela e lhe deixam esmolas; e eu nomeei um homem fiel e virtuoso para guardar as esmolas.

Projecto de oratório

Querem agora alguns moradores desta freguesia com o dinheiro das esmolas se faça, no sítio onde está a cruz, como uma espécie de capela cujo tecto, coberto de tabuado, seja firmado em colunas de madeira e em volta cercado de grades também de madeira, para resguardo e decência da mesma cruz e, dentro e defronte da cruz descrita na terra, pôr e levan­tar outra cruz feita de madeira, bem pintada, com a Imagem de Jesus Crucificado pintada na mesma cruz.

Opinião do signatário

Eu não tenho querido anuir a isto sem dar a Vossa Excelência parte do acontecido e mesmo em fazer a sobredita obra sem licença de Vossa Excelência, per­suadido que nem eu nem os moradores da freguesia temos autoridade para dispor a nosso arbítrio do di­nheiro das esmolas, que por agora ainda é pouco e não chega para se fazer obra mais dispendiosa e decente à proporção do objecto.
Agora sirva-se Vossa Excelência determinar o que lhe parecer e o que eu devo praticar a este respeito.
Santa Eulália de Balasar, aos seis dias do mês de Agosto de mil oito centos trinta e dois.
De Vossa Excelência súbdito o mais reverente,
O Reitor António José de Azevedo.

Um mês antes de o reitor António José de Azevedo redigir a sua exposição, ocorrera o desembarque do Mindelo, precedido pela tentativa de desembarcar em Vila do Conde.
Antes do final do mesmo mês de Agosto, este reitor de Balasar desaparece da cena ou por morte ou por expulsão imposta pelos adeptos das ideias liberais.
A aparição da Santa Cruz de Balasar não é um acontecimento lendário ou envolto na névoa do diz-se ou conta-se.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Faleceu um ilustre admirador da Beata Alexandrina

Faleceu um ilustre admirador da Beata Alexandrina, Óscar Luigi Scálfaro. De acordo com Gabriele Amorth:
E também sobre ela escreveu o actual Presidente da República da Itália, então deputado Óscar Luigi Scalfaro.
Vimos num número recente da Cruzada esta cura obtida pela intercessão da mesma Beata Alexandrina:

Um meu filho de 53 anos foi atingido por um AVC. Os médicos, após vários exames, declararam que ele não teria mais que três dias de vida.
Recorremos à mediação da Beata Alexandrina junto de Deus, para que curasse o meu filho.
Graças a Deus a cura foi alcançada.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Estudar a história de Balasar

O texto seguinte é a parte principal duma breve exposição a ser passada hoje na Rádio Onda Viva, daí o modo da sua apresentação não ser o comum:

Uma vez, uma conceituada professora de História do ensino secundário perguntou-me como é que se estudava a história duma freguesia. Curiosa a pergunta vinda de quem veio. Eu vou hoje falar dos caminhos que segui para estudar a história de Balasar, dos passos precisei de dar para esse efeito.
Antes de mais, é preciso conhecer Balasar, a sua geografia, digamos assim. É preciso conhecer os seus lugares, as suas casas principais, os seus caminhos, em especial os mais antigos, as suas estradas, o traçado da linha férrea, o relevo da freguesia, os hábitos do rio Este, etc. Isto ainda não é história, mas é condição prévia e imprescindível. O seu conhecimento vai-se naturalmente alargando à medida que se contacta com a realidade local.
Que fontes é que há disponíveis? Esta é que parece ter sido a questão da tal professora.
Há fontes mais gerais e outras mais particulares.
Nas primeiras, incluem-se documentos como o Censual do Bispo D. Pedro, do século XI (Portugal ainda não era reino independente...), que dá algumas informações muito antigas sobre as freguesias; as Inquirições dos reis Afonso II, III e IV, respectivamente de 1220, 1258 e 1343. A partir de 1623, para Balasar, há os assentos ou registos paroquiais, disponíveis na Internet até cerca de 1900, que são uma fonte de informação abundante; depois temos as Memórias Paroquiais de 1736 e 1758 e a informação da Corografia Portuguesa, dos primeiros anos de 1700. De 1845, há os Inquéritos Paroquiais. Estas as fontes mais gerais.
Em termos de fontes mais particulares para Balasar, há na Internet o Tombo da Comenda, de 1831 (quase duas centenas de páginas), há os estudos publicados no Boletim Cultural sobre temas como a anexação de Gresufes, o Roteiro dos Culpados, os Grã-Magriços, aspectos etnográficos da freguesia e os estudos pioneiros do P.e Leopoldino e os seus noticiários; e há os livros paroquiais (entre eles os da Santa Cruz). Para tempos recentes, existe ainda a informação do Arquivo Municipal, a da imprensa poveira, etc.
Há também os livros sobre a Beata Alexandrina, os livros de poesia do pároco P.e António Martins de Faria, um livro dum poeta balasarense, um livro sobre marcos do concelho que naturalmente interessa a Balasar, um outro sobre património construído em Laundos, Rates e Balasar, etc. E devem-se explorar as fontes orais e a toponímia, as datas dos lintéis e cartelas das frentes das casas, as das ferragens das portas, sem esquecer de estar atento à dezena e meia de nichos de Alminhas ou outros, distribuídos por vários lugares, e às pontes (tão importantes para as populações).
Estudar a história de Balasar é então conhecer a freguesia tão bem quanto possível, explorar e ordenar tudo o que estas fontes podem oferecer, tendo sempre em conta os lugares, as casas e as pessoas que os habitaram, verificar as transformações operadas ao longo do tempo…
Quanto mais culta for a pessoa que se abalança a um estudo destes, mais sugestões descobre na documentação que lhe chega às mãos, porque a relaciona com os mais diversos acontecimentos.
É possível fazer apaixonantes descobertas neste campo de investigação ainda pouco explorado.
A professora que fez a pergunta sabia muitas coisas do país, da Europa, da Ásia, da África, das Américas, o que parece é que sabia pouco do que lhe era mais vizinho. E a verdade é que a escola não presta atenção a isto, com grave prejuízo para a cultura dos seus alunos, que se convencem que as suas terras não têm qualquer valor para a cultura. Se o tivessem, a escola falava-lhes disso, supõem eles.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Lintéis


Noutros tempos, os lintéis com inscrições deviam ser muito frequentes nos portais das casas de lavoura em geral e por isso também nas balasarenses; hoje ainda se conservam alguns.
O primeiro que aqui se vê é o do portal da casa onde a Beata Alexandrina nasceu. Tem a cruz ao centro!... O resto tanto pode ser português como latim, mas diz mais ou menos o mesmo. Este lintel, de que só se vê a parte da inscrição, como nos restantes, está hoje despromovido a banco de namoro.
De data próxima é o duma casa do Matinho, de 1752, o terceiro. Aquele a significa anos e é um arroba.
Estes dois lintéis devem ter tido origem na emigração do Brasil.
O terceiro lintel, de 1861, do lugar do Telo, deve ter origem diferente. Por essa altura, com o fim dos foros, as casas de lavoura tornaram-se mais rentáveis e isso levou os lavradores a ostentarem sinais de bem-estar económico. Essa deve ser a explicação para a origem dele.


Juntamos mais três outros lintéis, da nossa terra natal, para que fique claro que o fenómeno dos lintéis com inscrições era popular e que a presença da cruz e até do arroba era bastante comum.
No primeiro, de 1768, a cruz pousa sobre o monograma IHS (Iesus Hominum Salvator - Jesus Salvador dos Homens); no segundo, que é de 1726, a mesma cruz está ladeada por duas pombas e duas rosas (?); o terceiro tem a particularidade de ostentar um arroba muito bem desenhado.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Filme sobre Kateri Tekakwitha

As Mary's Dowry Productions produziram um filme sobre a vida de Kateri Tekakwitha; ele segue a vida de certa mulher jovem Mohawk que foi baptizada por missionários jesuítas franceses no século XVII. Filmado em locais que incluem sequóias deslumbrantes, riachos, cachoeiras e florestas, combinando com pinturas nativas americanas e uma narrativa que segue o ponto de vista Kateri Tekakwitha, sintetiza os 24 anos de vida dessa mulher num documentário de 50 minutos originais tornando-a acessível a todos.
Kateri Tekakwitha vai ser canonizada pelo Papa Bento XVI em Outubro de 2012.
O DVD tem um tempo de execução de 50 minutos e está disponível mundialmente em todos os formatos regionais.
Como é sabido, as Mary Dowry's Productions fizeram um filme sobre a Beata Alexandrina.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Divulgação da Beata Alexandrina


Foi adquirida uma casa espaçosa em Balasar, próximo de Gresufes, destinada à divulgação da Beata Alexandrina. Vai ter salas, quartos, etc.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Da Santa Cruz à Beata Alexandrina

Senhoras e Senhores Peregrinos pela Paz

Nas suas comunicações à Beata Alexandrina, Jesus chama-lhe doutora das ciências divinas, escola de toda a humanidade, luz e farol do mundo, etc., etc. Por isso, é preciso que quem vem a Balasar vá daqui mais informado, conheça melhor a mensagem dela, que é também a do Evangelho. Se ela é luz e farol do mundo, escola de toda a humanidade, ela convida à esperança.
É certo que muita gente se afasta da Igreja, que a juventude é incitada pelos mais diversos meios a abandoná-la, mas a vitória está do lado dos que permanecem, daqueles que, como a Beata, lhe são fiéis contra ventos e marés.
Jesus disse uma vez à Alexandrina: 
A tua vida é semelhante à da Santa Igreja: a Igreja sempre combatida, nunca vencida até ao fim dos séculos.
Eu não conheço santos que tenham sido antecipadamente anunciados, mas a Beata de Balasar foi. Isto é extraordinário! Ela foi misteriosamente anunciada pela Santa Cruz.
A aparição da Santa Cruz em 21 de Junho de 1832 não foi um fenómeno muito vistoso: na encosta duma pequena elevação a menos de 200 metros do rio, apareceu desenhada no chão uma cruz, em tamanho que podia corresponder ao do instrumento de suplício original: 3,3×1,76 m[1]. Mas impressionou as pessoas.
O pároco, o reitor António José de Azevedo, mês e meio depois, no dia 6 de Agosto, achou por bem informar as autoridades eclesiásticas da diocese de Braga sobre “um caso raro acontecido nesta freguesia de Santa Eulália de Balasar”. Fê-lo numa exposição rigorosa, objectiva, sóbria, sem tomar partido: indicou a data da aparição, o tamanho da cruz e terminou pedindo instruções sobre como lidar com a devoção entretanto surgida e sobre uma medida que disse que tomara: nomeara “um homem fiel e virtuoso para guardar as esmolas”. Esse homem era Custódio José da Costa.
Esta medida foi a mais oportuna, pois ele, reitor, ainda antes do fim daquele mês, cessava a actividade em Balasar. Desconhecemos se morreu ou se foi vítima das circunstâncias revolucionárias do momento. Efectivamente, em 8 de Julho de 1832 aconteceu um episódio que iria mudar radicalmente o país e que teve as mais graves consequências para a Igreja: vinda de Inglaterra, via Açores, uma esquadra de liberais desembarcou perto do Porto e dois anos depois punham termo ao absolutismo em Portugal. Em Balasar, na Diocese de Braga, como de resto no país todo, seguiu-se uma década terrível, inclusive com um corte de relações com a Santa Sé de quase dez anos.
Em finais de 1833, será colocado um jovem reitor em Balasar, mas poucos meses depois foi expulso, só regressando oito anos mais tarde (mas houve sempre um sacerdote para ministrar os sacramentos).
No meio da tempestade, Custódio José da Costa resistiu, com a sua determinação e mesmo com o seu dinheiro, que não hesitou em aplicar em favor da nova devoção. Apesar das dificuldades, conseguiu divulgar e fazer respeitar essa devoção ao longe e ao largo, como é testemunhado pelos ex-votos.
Há na paróquia de Balasar um importante documento, de 1834, sobre a Santa Cruz: é uma sentença do tribunal eclesiástico de Braga. Na sua origem, está uma investigação exigente sobre a aparição e sobre se havia ou não condições para criar e manter aberta ao culto a capela da Santa Cruz.
Além da capela actual, com a sua cruz pintada, houve uma outra, muito próxima, a nascente, e certamente bastante mais ampla. ambas foram devidas à determinação de Custódio José da Costa.
Aquela grande cruz, com a imagem de Nossa Senhora das Dores ao pé, que se vê à esquerda da entrada da Igreja Paroquial, devia pertencer à segunda dessas capelas.
Ouçamos agora como em 21 de Janeiro de 1955 Jesus falou à Beata Alexandrina sobre a Santa Cruz:
Há mais de um século que mostrei a cruz a esta terra amada, cruz que veio esperar a vítima. Tudo são provas de amor!
Ó Balasar, se me não correspondes!...
Cruz de terra para a vítima que do nada foi tirada, vítima escolhida por Deus e que sempre existiu nos olhares de Deus!
Vítima do mundo, mas tão enriquecida das riquezas celestes que ao Céu dá tudo e por amor às almas aceita tudo!
Em 21 de Junho próximo faz 180 anos que a Santa Cruz apareceu. Hoje nós podemos avaliar melhor o sentido dela e sabemos que é do maior alcance. Ela sozinha merecia uma basílica…


[1] Curiosamente, a altura da cruz aparecida é igual à da altura da janela por onde a Beata saltou.