terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A mais conhecida fotografia da Alexandrina


Esta é talvez a mais conhecida fotografia da Alexandrina. Sabemos apenas que foi tirada já nos anos finais da sua vida, certamente pelo fotógrafo bracarense Pelicano.
Em tempos circularam cópias muito fracas dela; a que apresentamos, forneceu-no-la uma senhora de Balasar.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Três fotografias sem data


Das fotografias que se apresentam hoje, desconhece-se a data, mas devem ser todas posteriores a 1943.
Na primeira, estão ao lado da Alexandrina a mãe e mais quatro parentas. Na parede posterior à cabeceira da cama há visíveis sinais da acção da humidade.
Na segunda, surge o P.e Humberto em cena, que só veio em meados de 1944; talvez a fotografia seja do ano adiante. Ele era um homem ainda muito jovem. Na parede posterior à cama parece que apagaram tudo: os sinais de pobreza e os próprios quadros.
Na terceira, a grande família do Dr. Azevedo rodeia a Alexandrina: ele, a esposa e os 14 filhos. Para isso houve que a retirar do quarto e trazê-la para o pequeno pátio exterior. O Dr. Azevedo, que tomara a Alexandrina por madrinha, sabia quanto poderia esperar dela.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Grandes semelhanças, diferenças de pormenor


Comparem-se estas duas imagens.
A primeira é uma cópia fraca do conhecido “registo” da Santa Cruz de Balasar; seria uma espécie de pagela.
A segunda é um conjunto escultórico que se encontra na matriz de Balasar e que deve provir da Capela da Santa Cruz que existiu onde agora está a igreja. As semelhanças são grandes, as diferenças são de pormenor.
A segunda deve ser o original, a primeira uma recriação de pintor.
O registo ainda deve vir do tempo das lutas miguelistas, da Maria da Fonte e da Patuleia.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Fotografia de 1943


Esta fotografia data de Abril de 1943, de quando o P.e Pinho já tinha sido afastado. A Alexandrina já entrou no jejum, mas ainda não foi à observação à Foz: iria em 10 de Junho. Nesse dia ela encontrava-se com febre alta; uma ligeira inchação da cara aformoseia-lhe o rosto. Reparar no seu sorriso e também no seu belo rosto.
Atenção à nova cama, que nem parece muito nova.
Um pouco de sol que entra pela janela não permite que a Deolinda fique tão bem como a mãe. Repare-se na mãe: encorpada e serena, apesar do fardo que a traição do pai das filhas fez carregar sobre os seus ombros. O seu “luto” não é tão carregado como se poderia pensar.
A primeira das duas digitalizações é dum profissional, que usou os tons de cinzento, a segunda mostra mais os pormenores do interior avelhado do quarto.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Amostra de poesia mariana da Beata Alexandrina

Honra e glória ao Senhor nos altos Céus!
Chegou enfim o dia da minha alegria
e de todos os que são verdadeiramente devotos da querida Mãezinha!
Ó Virgem da Assunção, ó Mãezinha Imaculada,
mais que os Anjos pura e bela!
Criou-Vos o Senhor tão pura, tão pura,
com a sua mesma pureza,
criou-Vos para serdes sua Mãe.
Oh, como és bela e imaculada,
em Ti não há mancha de pecado!
Ó Céus, falai de mim,
por mim aclamai à Mãe do Senhor e Mãe nossa,
a Rainha dos Céus e da Terra!
Mãezinha, sou tua, faz-me pura!

Parabéns, parabéns, ó Mãezinha!
Renovo a consagração da minha oferta total:
corpo, alma, virgindade, pureza e todo o meu ser.
Colocai tudo nos braços de Jesus.
Agradecei em meu nome à SS. Trindade:
ao Pai, por Vos ter criado;
ao Filho, por Se ter dignado baixar ao vosso seio;
e ao Divino Espírito Santo, por gerar a Jesus, de quem sois Mãe.
Mãezinha, vede os meus desejos,
aceitai as minhas preces,
ouvi os meus segredos,
e tende compaixão de mim.
Dai-me a vossa bênção e o vosso amor!

Ó minha bendita Mãezinha,
eu Vos saúdo e Vos dou os meus parabéns!
Sou vossa, toda vossa
e tudo Vos dou por Jesus.
Não posso mais,
lede em mim o que o meu coração
quer dizer-Vos e oferecer-Vos.
A pobre Alexandrina

Ó minha querida Mãezinha,
quantos favores, quantas graças me tendes dispensado!
Sois Mãe, mas, oh, que Mãe sem igual!
Com que carinho, com que amor
me tendes guiado para Jesus!
Ó Mãezinha,
e que mal eu tenho correspondido ao vosso amor!
Dai-me pureza, dai-me amor.

Ó Jesus, ó Mãezinha,
eu não Vos amo, não sinto que Vos amo,
mas quero fazer de conta que Vos amo muito, muito.
E para Vos dar consolação,
sofro hoje pelo mundo inteiro,
para que não peque,
Vos ame e se salve.

Mãezinha, bendita e louvada sejais!
Eu Vos saúdo, ó cheia de graça!
Parabéns, ó Mãezinha!
Quando passarei este dia convosco no Céu!
Ai, que saudade, ai, que saudade!
Eu queria neste dia dar-Vos,
ó minha doce Mãezinha,
uma prenda do mais alto valor;
pobrezinha, nada tenho.
Consagro-Vos mais uma vez
a minha virgindade e a minha pureza,
o meu corpo e a minha alma,
com todo o seu ser.
Aceitai também o ramalhete das minhas dores,
as agonias da minha alma,
as angústias e os punhais
que já e logo me cravam o coração.
São flores tristes, muito tristes, Mãezinha,
mas de resignação.
Tirai-as à minha inutilidade,
porque foi ela que tudo me roubou.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Fotografias tiradas na Trofa (1941)

Em Julho de 1941, a Alexandrina foi a consulta ao Porto, ao Dr. Gomes de Araújo. Levou-a o industrial trofense Sr. Sampaio, amigo da casa e do Dr. Azevedo.
Na Autobiografia, ela conta a viagem; veja-se o que se passou na Trofa:

Era já dia claro quando parámos em casa do senhor que nos acompanhava, na Trofa. Era aí que eu ia descansar e receber o meu Jesus, esperando pela hora de seguir para o Porto. Antes de continuar a minha viagem, levaram-me ao jardim do Sr. Sampaio. Amparada e sob a mesma acção divina, fui até junto de umas florinhas, que colhi, dizendo:
Quando Nosso Senhor criou estas florinhas, já sabia que hoje as vinha aqui colher.
Depois, fui fotografada em dois lugares escolhidos. Desloquei-me de um lugar para o outro por meu pé, o que nunca pude fazer depois que acamei, pois nem sequer podia voltar-me de lado, na cama. Só um milagre divino, porque sem ele não me mexia, nem sequer consentia que me tocassem.
Ela tirou ao menos cinco fotografias, mas falta-nos uma. Têm a originalidade de no-la mostrarem fora do seu quarto e da sua cama.
Ela parece uma mulher ainda jovem, nos seus 38 anos, sem moléstias especiais. Mas é não é assim: na fotografia que nos falta ela assemelha-se a uma planta que desenterraram e expuseram ao sol. Como as folhas e os ramos da planta caem, sem o vigor da seiva que lhes dava força, também a Alexandrina se mostra incapaz de segurar direitos a cabeça, o tronco e os membros. Ela sabia o que dizia quando falava em "milagre divino".
Creio que é deste mesmo ano o famoso filme que existe em Balasar.


Na primeira fotografia, a Alexandrina está ladeada pela irmã, a Deolinda, à esquerda, e pela professora Sãozinha, à direita.
Na segunda vêem-se mais o pároco da Trofa, o Dr. Azevedo e o Sr. Sampaio com a esposa.
Na terceira, já não estão o pároco nem o Dr. Azevedo, mas vê-se agora o filho do casal Sampaio.
Na última, figuram as mesmas pessoas da anterior, menos o pequeno, mais o Dr. Azevedo.
As três últimas fotografias pertenceram ao espólio do P.e Mariano Pinho e vieram do Recife, Brasil, quando foram trazidos para Balasar os seus restos mortais.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Uma fotografia de 1939


Do período em que a Alexandrina reviveu a Paixão com movimentos há mais fotografias do que as que vamos colocar aqui. Mas sobre esta, de 1939, não queremos deixar de dizer algumas palavras.
A Alexandrina está em êxtase e, junto à cama, o P.e Pinho, de quem só se vê parte duma mão, a caneta e um caderno, toma apontamentos.
Um dia a D. Eugénia Signorile pediu-me que a esclarecesse se a fotografia era mesmo de 1939 ou anterior, de 1934, como alguém tinha escrito.
A princípio, não sabia, mas depois notei que por cima da cabeceira da cama estava um quadro – e nalgumas cópias da fotografia ele vê-se mais até cima. Então pensei que ele poderia ter uma data e se a tivesse possivelmente ajudaria a resolver o caso. Não foi fácil localizá-lo, pois estava por cima da porta que dá acesso ao andar do quarto e naturalmente é recanto em que pouco se repara. Mas tinha mesmo uma data, de 1937. Naturalmente a fotografia era posterior, logo de 1939.
Não é preciso ser detective para chegar até aqui...

Esta deve ser do mesmo dia. O cabelo está bastante desalinhado como na anterior, a coberta da cama parece a mesma, diversos pormenores nas almofadas e na parede apontam para a mesma ocasião.
Mas agora não está mais em êxtase e a sua mão direita segura o crucifixo.
Se imaginarmos o permanente tormento por que passa e soubermos que lhe é pedido um contínuo sorriso, concluiremos que o que aqui mostra é mais do que o comum sorriso para a fotografia.