quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Amostra de poesia mariana da Beata Alexandrina

Honra e glória ao Senhor nos altos Céus!
Chegou enfim o dia da minha alegria
e de todos os que são verdadeiramente devotos da querida Mãezinha!
Ó Virgem da Assunção, ó Mãezinha Imaculada,
mais que os Anjos pura e bela!
Criou-Vos o Senhor tão pura, tão pura,
com a sua mesma pureza,
criou-Vos para serdes sua Mãe.
Oh, como és bela e imaculada,
em Ti não há mancha de pecado!
Ó Céus, falai de mim,
por mim aclamai à Mãe do Senhor e Mãe nossa,
a Rainha dos Céus e da Terra!
Mãezinha, sou tua, faz-me pura!

Parabéns, parabéns, ó Mãezinha!
Renovo a consagração da minha oferta total:
corpo, alma, virgindade, pureza e todo o meu ser.
Colocai tudo nos braços de Jesus.
Agradecei em meu nome à SS. Trindade:
ao Pai, por Vos ter criado;
ao Filho, por Se ter dignado baixar ao vosso seio;
e ao Divino Espírito Santo, por gerar a Jesus, de quem sois Mãe.
Mãezinha, vede os meus desejos,
aceitai as minhas preces,
ouvi os meus segredos,
e tende compaixão de mim.
Dai-me a vossa bênção e o vosso amor!

Ó minha bendita Mãezinha,
eu Vos saúdo e Vos dou os meus parabéns!
Sou vossa, toda vossa
e tudo Vos dou por Jesus.
Não posso mais,
lede em mim o que o meu coração
quer dizer-Vos e oferecer-Vos.
A pobre Alexandrina

Ó minha querida Mãezinha,
quantos favores, quantas graças me tendes dispensado!
Sois Mãe, mas, oh, que Mãe sem igual!
Com que carinho, com que amor
me tendes guiado para Jesus!
Ó Mãezinha,
e que mal eu tenho correspondido ao vosso amor!
Dai-me pureza, dai-me amor.

Ó Jesus, ó Mãezinha,
eu não Vos amo, não sinto que Vos amo,
mas quero fazer de conta que Vos amo muito, muito.
E para Vos dar consolação,
sofro hoje pelo mundo inteiro,
para que não peque,
Vos ame e se salve.

Mãezinha, bendita e louvada sejais!
Eu Vos saúdo, ó cheia de graça!
Parabéns, ó Mãezinha!
Quando passarei este dia convosco no Céu!
Ai, que saudade, ai, que saudade!
Eu queria neste dia dar-Vos,
ó minha doce Mãezinha,
uma prenda do mais alto valor;
pobrezinha, nada tenho.
Consagro-Vos mais uma vez
a minha virgindade e a minha pureza,
o meu corpo e a minha alma,
com todo o seu ser.
Aceitai também o ramalhete das minhas dores,
as agonias da minha alma,
as angústias e os punhais
que já e logo me cravam o coração.
São flores tristes, muito tristes, Mãezinha,
mas de resignação.
Tirai-as à minha inutilidade,
porque foi ela que tudo me roubou.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Fotografias tiradas na Trofa (1941)

Em Julho de 1941, a Alexandrina foi a consulta ao Porto, ao Dr. Gomes de Araújo. Levou-a o industrial trofense Sr. Sampaio, amigo da casa e do Dr. Azevedo.
Na Autobiografia, ela conta a viagem; veja-se o que se passou na Trofa:

Era já dia claro quando parámos em casa do senhor que nos acompanhava, na Trofa. Era aí que eu ia descansar e receber o meu Jesus, esperando pela hora de seguir para o Porto. Antes de continuar a minha viagem, levaram-me ao jardim do Sr. Sampaio. Amparada e sob a mesma acção divina, fui até junto de umas florinhas, que colhi, dizendo:
Quando Nosso Senhor criou estas florinhas, já sabia que hoje as vinha aqui colher.
Depois, fui fotografada em dois lugares escolhidos. Desloquei-me de um lugar para o outro por meu pé, o que nunca pude fazer depois que acamei, pois nem sequer podia voltar-me de lado, na cama. Só um milagre divino, porque sem ele não me mexia, nem sequer consentia que me tocassem.
Ela tirou ao menos cinco fotografias, mas falta-nos uma. Têm a originalidade de no-la mostrarem fora do seu quarto e da sua cama.
Ela parece uma mulher ainda jovem, nos seus 38 anos, sem moléstias especiais. Mas é não é assim: na fotografia que nos falta ela assemelha-se a uma planta que desenterraram e expuseram ao sol. Como as folhas e os ramos da planta caem, sem o vigor da seiva que lhes dava força, também a Alexandrina se mostra incapaz de segurar direitos a cabeça, o tronco e os membros. Ela sabia o que dizia quando falava em "milagre divino".
Creio que é deste mesmo ano o famoso filme que existe em Balasar.


Na primeira fotografia, a Alexandrina está ladeada pela irmã, a Deolinda, à esquerda, e pela professora Sãozinha, à direita.
Na segunda vêem-se mais o pároco da Trofa, o Dr. Azevedo e o Sr. Sampaio com a esposa.
Na terceira, já não estão o pároco nem o Dr. Azevedo, mas vê-se agora o filho do casal Sampaio.
Na última, figuram as mesmas pessoas da anterior, menos o pequeno, mais o Dr. Azevedo.
As três últimas fotografias pertenceram ao espólio do P.e Mariano Pinho e vieram do Recife, Brasil, quando foram trazidos para Balasar os seus restos mortais.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Uma fotografia de 1939


Do período em que a Alexandrina reviveu a Paixão com movimentos há mais fotografias do que as que vamos colocar aqui. Mas sobre esta, de 1939, não queremos deixar de dizer algumas palavras.
A Alexandrina está em êxtase e, junto à cama, o P.e Pinho, de quem só se vê parte duma mão, a caneta e um caderno, toma apontamentos.
Um dia a D. Eugénia Signorile pediu-me que a esclarecesse se a fotografia era mesmo de 1939 ou anterior, de 1934, como alguém tinha escrito.
A princípio, não sabia, mas depois notei que por cima da cabeceira da cama estava um quadro – e nalgumas cópias da fotografia ele vê-se mais até cima. Então pensei que ele poderia ter uma data e se a tivesse possivelmente ajudaria a resolver o caso. Não foi fácil localizá-lo, pois estava por cima da porta que dá acesso ao andar do quarto e naturalmente é recanto em que pouco se repara. Mas tinha mesmo uma data, de 1937. Naturalmente a fotografia era posterior, logo de 1939.
Não é preciso ser detective para chegar até aqui...

Esta deve ser do mesmo dia. O cabelo está bastante desalinhado como na anterior, a coberta da cama parece a mesma, diversos pormenores nas almofadas e na parede apontam para a mesma ocasião.
Mas agora não está mais em êxtase e a sua mão direita segura o crucifixo.
Se imaginarmos o permanente tormento por que passa e soubermos que lhe é pedido um contínuo sorriso, concluiremos que o que aqui mostra é mais do que o comum sorriso para a fotografia.

domingo, 4 de dezembro de 2011

25 anos da Consagração de Vila do Conde ao Imaculado Coração de Maria

Realizou-se hoje, nas Caxinas, a cerimónia dos 25 anos da Consagração de Vila do Conde ao Imaculado Coração de Maria. Estava já prevista a vinda do Sr. Arcebispo, mas, dado o dramático episódio dos caxineiros que passaram dois dias e meio perdidos no mar, optou o prelado bracarense por fazer anteceder a consagração duma Missa de Acção de Graças.
Como é sabido, a nossa Beata pugnou por que o mundo inteiro fosse consagrado ao Imaculado Coração de Maria.
Na imagem de cima, multidão a entrar para a Missa de Acção de Graças pelo salvamento dos náufragos caxineiros; na debaixo, grande painel da fachada da igreja, que mostra Jesus a acalmar a tempestade.

sábado, 3 de dezembro de 2011

As fotografias dos êxtases da Paixão


Veja-se a cronologia dos principais acontecimentos contemporâneos do período em que a Alexandrina reviveu a Paixão com movimentos:

1938: em 3 de Outubro, em êxtase, a Alexandrina revive a Paixão pela primeira vez, desde o meio-dia às 15 horas. Em 24 de Outubro o Pe. Pinho, em consequência do fenómeno, escreve ao Papa Pio XI a pedir a consagração do mundo. Em 6 de Dezembro, terceira viagem ao Porto, para radiografias (Dr. Roberto de Carvalho); depois, estada no Colégio das Filhas de Maria Imaculada, com exame da parte do Dr. Pessegueiro. Volta para casa em 11 de Dezembro. Em 26 de Dezembro, vem visitá-la o Dr. Elísio de Moura, psiquiatra.
1939: em 5 de Janeiro, primeira visita do cónego Vilar enviado da Santa Sé para a estão da consagração do mundo. Aumento dos sofrimentos físicos.
1940: em 4 de Julho oferece-se vítima, com outras almas-vítimas, para obter que ao menos Portugal seja poupado à guerra. Em 5 de Setembro, escreve de seu punho, com grande sacrifício, uma carta ao Patriarca Cerejeira e uma outra a Salazar.
1941: em 29 de Janeiro, primeiro encontro com o médico Azevedo, que se tornará o seu médico assistente até à morte. Em 1 Maio, o Dr. Azevedo chama para consulta o Dr. Abel Pacheco. Em 15 de Julho, quarta viagem ao Porto; consulta com o Dr. Araújo. Em 29 Agosto, o Pe. José Alves Terças assiste ao êxtase da Paixão e toma notas para depois o publicar.
1942: a 7 de Janeiro, visita de despedida do Pe. Pinho.
A 27 de Março revive pela última vez a Paixão com movimentos.

A Paixão impressionava vivamente as pessoas; pelos vistos a sua violência escandalizava-as. O Pe. Pinho limitou o número dos que a ela assistiam, para evitar a publicidade do caso.
Mas a recuperação dos movimentos numa paralítica acamada há 13 anos era coisa estranhíssima. Ele quis ouvir os médicos, que acorreram.
É natural que se quisesse registar fotograficamente o fenómeno, e há de facto várias fotografias deste período. As que aqui se colocam pertenceram ao espólio do Pe. Pinho e devem datar ainda de 1938.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Uma fotografia de 1935

Esta fotografia data de 1935 e foi tirada pelo Pe. Mariano Pinho, que dirigia a Alexandrina desde 1933. Sabe-se que foi tirada por ele porque se sabe que alguém pretendeu ver no acto menos rectas intenções…
Uma fotografia era então coisa rara nos meios rurais, mas o Pe. Pinho precisava duma máquina para obter as ilustrações para as revistas que dirigia ou para a Cruzada, que fundara.
Ao tempo, padecia a família uma penúria extrema, não detectável na imagem. De facto, aquelas almofadas hão-de ser de empréstimo; também há-de ser de ocasião a cortina que se nota à direita, pois a Deolinda era costureira. A Alexandrina passava então frio e fome sob a pressão da dívida contraída pela mãe.
É possível que a fotografia já tenha sido tirada no quarto.
Desta vez já não tem flores na mão, mas o crucifixo de alma-vítima; no rosto porém abre-se-lhe um sorriso, o célebre e forçado sorriso que Jesus lhe pedia.
Até 1941, manter-se-á na cama cuja cabeceira aqui se vê; será depois substituída, embora se mantenha ainda na casa.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A mais antiga fotografia da Beata Alexandrina


Quem repara nas fotografias da Beata Alexandrina que encontra na Internet, nos vídeos, por exemplo, verifica que elas têm às vezes má qualidade. Nós organizámos há tempos uma colecção muito seleccionada dessas fotografias e vamos colocá-la aqui; esperamos que ajude a valorizar a sua imagem.
Ela tirou a mais antiga fotografia em 1928 ou 1929, quando tinha aproximadamente 25 anos. Era uma jovem, mas acamada desde há uns cinco. Desconhece-se quem foi o fotógrafo, mas não é impossível que fosse Cândido dos Santos. Foi com certeza tirada ainda na sala – a sala do Salto, pois ainda não havia o seu futuro quarto – mas uma peça preta de pano colocada por trás da cabeceira impede que se identifiquem pormenores do lugar.
Ainda é tempo do P.e Manuel de Araújo.
Na fotografia, vê-se a imagem de Nossa Senhora de Fátima que ela adquiriu com muito custo. A Alexandrina tem aqui um ramo de flores na mão - ela gostava muito de flores; de futuro, em seu lugar, terá o crucifixo.
A Alexandrina pelos vistos era uma moça alta, vigorosa, boa figura, como a mãe.
À data, já desistira de obter a cura e pedia agora amor ao sofrimento. Jesus ia começar em breve as suas comunicações com ela.