sábado, 28 de maio de 2011

HINO AOS SACRÁRIOS



Sobre este hino escreve o Pe. Humberto Pasquale que ele “em o ritmo dum salmo” e que “é pontilhado de arrebatamentos poéticos e percorrido pelo ardor seráfico de Francisco de Assis”. O P.e Mariano Pinho fala dele como “canto precioso de louvor que recorda o Canto ao Sol de S. Francisco ou o Benedicite. O Casal Signorile, por sua vez, chama-lhe “estupendo Cântico de Oferta”: “o seu amor (de Alexandrina) abrasado, incontido, transbordando do coração cheio, irrompe num estupendo Cântico de Oferta”.
Uma vez veio a Balasar um bispo que era professor do ensino superior. Na Missa fez uma homilia muito cuidada, concluindo-a com a leitura do Hino aos Sacrários. Houve depois um sacerdote que lhe disse que a parte mais feliz da sua alocução tinha sido sem margem para dúvidas o final. Como o autor deste blogue esteve presente, pode confirmar inteiramente tal opinião.
O poema não recorre à imagem ou à metáfora, recorre antes aos processos elementares da repetição e da enumeração, e é abrangente: as suas dez estrofes, terminadas em refrão, convocam todo o Universo para o louvor de Jesus na Eucaristia.
“Longe do Céu, longe de Jesus estão todos os que estão longe do sacrário.
Eu quero almas, muitas almas verdadeiramente eucarísticas”, dirá um dia o mesmo Jesus à Alexandrina.
Reveja-se o hino:


Ó meu Jesus, eu quero que cada dor que sentir, cada palpitação do meu coração, cada vez que respirar, cada se­gundo das horas que passar, sejam
actos de amor para os vossos Sacrários.

Eu quero que cada movimento dos meus pés, das mi­nhas mãos, dos meus lábios, da minha língua, cada vez que abrir os meus olhos ou os fechar, cada lágrima, cada sorriso, cada alegria, cada tristeza, cada atribulação, cada distracção, contrariedades ou desgostos, sejam
actos de amor para os vossos Sacrários.

Eu quero que cada letra das orações que reze, ou oiça rezar, cada palavra que pronuncie ou oiça pronunciar, que leia ou oiça ler, que escreva ou veja escrever, que cante ou oiça cantar, sejam
actos de amor para com os vossos Sacrários.

Eu quero que cada beijinho que Vos der nas vossas santas imagens ou da vossa e minha querida Mãezinha, nos vossos santos ou santas, sejam
actos de amor para os vossos Sacrários.

Ó Jesus, eu quero que cada gotinha de chuva que cai do céu para a terra, toda a água que o mundo encerra, ofe­recida às gotas, todas as areias do mar e tudo o que o mar contém, sejam
actos de amor para os vossos Sacrários.

Eu Vos ofereço as folhas das árvores, todos os frutos que elas possam ter, as florzinhas oferecidas pétala por pé­tala, todos os grãozinhos de sementes e cereais que possa haver no mundo, e tudo o que contêm os jardins, campos, prados e montes, ofereço tudo como
actos de amor para os vossos Sacrários.

Ó Jesus, eu Vos ofereço as penas das avezinhas, o gor­jeio das mesmas, os pêlos e as vozes de todos os animais, como
actos de amor para os vossos Sacrários.

Ó Jesus, eu Vos ofereço o dia e a noite, o calor e o frio, o vento, a neve, a lua, o luar, o sol, a escuridão, as estrelas do firmamento, o meu dormir, o meu sonhar, como
actos de amor para os vossos Sacrários.

Ó Jesus, eu Vos ofereço tudo o que o mundo encerra, todas as grande­zas, riquezas e tesouros do mundo, tudo quanto se passar em mim, tudo quanto tenho costume de oferecer-Vos, tudo quanto se possa imaginar, como
actos de amor para os vossos Sacrários.

Ó Jesus, aceitai o Céu, a terra, o mar, tudo, tudo quanto neles se encerra, como se esse tudo fosse meu e de tudo pudesse dispor e oferecer-Vos como
actos de amor para os vossos Sacrários.

Autobiografia

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Grandiosa recepção à Imagem Peregrina de Nossa Senhora da Fátima, nas Fontainhas, em 5/9/51


No Idea Nova de 15 de Setembro de 1951, o P.e Leopoldino manifesta o seu grande regozijo pela recepção prestada à Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima aquando da sua passagem nas Fontainhas, no dia 5 anterior. De notar de novo a presença de D. António Bento Martins Júnior e do Sr. Arcipreste.
Foi para abrilhantar este evento que o Dr. Josué Trocado, originalmente, criou o Coro Regional do Norte.

"Não podemos deixar de louvar o povo crente de Balasar e a Comissão, presidida pelo nosso Rev. Abade, pela grandiosa recepção que fizeram ao anoitecer do dia 5 à bendita imagem peregrina de Nossa Senhora da Fátima. A larga Avenida da Feira estava lindamente ornamentada com be­las decorações e artísticos tapetes de flores, bem como as janelas dos prédios vizinhos, embandeiradas com colchas.
No grande recinto, reuniu-se a quase totalidade das freguesias de Balasar, Rates e Macieira, com os seus párocos e organismos da Acção Católica e Confrarias de Balasar. Foram vistas também muitas pessoas dessa vila, de Bei­riz, Courel, Gueral e de outras partes. Os cânticos, dirigidos e acompanhados pelo Sr. Dr. Josué Trocado, foram ampliados por um alto-falante dessa vila.
Quando se aproximava a noite, o recinto, já iluminado, recebeu a bendita Imagem, onde a esperava o povo crente, que a vitoriava com palmas, vivas, lenços brancos, bandeiras, cânticos, orações e lá­grimas. Enquanto os foguetes estralejavam nos ares, o Sr. Arcebispo, o Sr. Arcipreste e os Rev.os Párocos acompanhavam a Imagem, por entre alas de crianças, adultos e doentinhos, implorando a chorar as graças da Senhora de Fátima. Foi uma manifestação rápida, mas linda, sentimental e digna da Mãe do Céu!
Já na véspera tinham ido a essa vila, assistir às festas da Se­nhora, as Confrarias, crianças da Cruzada, Juventude Católica Feminina, em comboio especial organizado pelo C.P. a pedido do Chefe Oliveira, o que muito concorreu para o bom êxito da recepção das Fontainhas. Parabéns a todos".

Imagem - Nicho recente em honra de Nossa Senhora de Fátima nas Fontainhas.

sábado, 21 de maio de 2011

Visita pastoral de D. António Bento Martins Júnior a Balasar em Março de 1949


A notícia abaixo, enviada pelo P.e Leopoldino para o Idea Nova em 21 de Março de 1949 e saída em 26, quase na véspera dos anos da Beata Alexandrina, aparentemente tem pouco a ver com ela. Mas isso é só na aparência, porque na realidade deve ter muito. O Sr. Arcipreste, que acompanhava o Sr. Arcebispo, visitou-a na altura e ficou certamente com a melhor impressão. A Alexandrina fala disso ao P.e Pinho em 24 de Maio:

No dia 17 de Março veio a Balasar, em visita pastoral, o Sr. Arcebispo.
Enquanto ele esteve na Igreja a administrar o Santo Crisma, o Sr. Arcipreste da Póvoa, que o acompanhou, veio visitar-me. Falámos muito.
Na despedida ele perguntou o que podia fazer por mim. Sem saber a que ponto se referia, perguntei-lhe: para a alma ou para o corpo? Ele disse:
– Sim, para o corpo.
– Respondi-lhe não me falta nada, etc.
– E para a alma quer qualquer coisa?
– Queria o meu director.
– Qual?
– O Sr. P. Pinho.
– E  precisa, precisa - respondeu-me - e Nosso Senhor há-de dar-lho.
Pedi-lhe para beijar no meu nome a mão do Sr. Arcebispo. Já me escreveu a dizer que lá transmitiu os meus pedidos.

Muita coisa ia mudar. Veja-se a notícia do P.e Leopoldino.

Constituiu uma manifestação de apreço e estima a grandiosa recepção feita pelo nosso povo ao Sr. Arcebispo Primaz, por ocasião da sua Visita Pastoral. Sua Ex.cia Rev.ma visitou, pela primeira vez, oficialmente, esta freguesia, que soube corresponder à sua gentileza de uma forma condigna.
O ilustre Prelado foi esperado à Capela da Quinta pelas Confrarias, organizações católicas, pessoas de representação e muito povo desta freguesia e das vizinhas.
Depois de paramentado, foi saudado pelo estudante António Joaquim Machado, seguindo o cortejo pela estrada municipal até à Igreja, ostentado o trajecto uma artística decoração e um lindo tapete. Em todo o percurso os morteiros estouraram fortemente e o povo ia cantando o Hino do seu Prelado. Na Igreja, o Sr. D. António agradeceu no púlpito a recepção que lhe prestaram e fez uma substanciosa instrução sobre o Sacramento do Crisma e deveres dos Católicos.
Receberam o Sacramento da Confirmação 480 pessoas de ambos os sexos, sendo padrinho dos indivíduos do sexo masculino o Sr. Dr. João Ferreira Gonçalves Costa e do feminino a Sra. D. Germana Ferreira Machado Costa. Ao Crisma, seguiu o exame de doutrina das crianças que correu muito bem porque restavam bem preparadas. A procissão ao cemitério, que estava muito limpo e ornamentadas as campas, graças ao zelo da Junta e à piedade do povo, realizou-se sem grande acompanhamento.
Na despedida, Sua Ex.cia Rev.ma foi cumprimentado pelas pessoas gradas e pelo povo, cantando entusiasticamente o seu Hino, e saudado com fortes baterias de morteiros que se ouviam muito ao longe. A verdade é só uma – o nosso Ex.mo Prelado, na sua visita, prende o povo de Balasar pelo seu trato amável e zelo apostólico.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Um padre poeta



A Beata Alexandrina conta na Autobiografia que, quando estava na Póvoa, na Rua da Junqueira, e via ao longe aproximarem-se padres, sentava-se para se poder levantar quando eles passassem para assim mostrar o amor filial que lhes devotava. Então havia muitos padres na Póvoa, além do pároco. Havia padres professores, como Afonso Soares, Micallef Pace e o cónego Ricca; havia padres na política, dos quais se destaca Ribeiro de Castro; havia-os no jornalismo e na oratória (como o P.e Leopoldino), na história, na poesia, padres já de idade e padres jovens. Nós abrimos uma página para um deles, poeta, o P.e Meira Veloso. Era mais ou menos da idade do P.e Leopoldino, mas morreu novo, de tuberculose.
Poeticamente é um caso muito interessante já que se aproxima do parnasianismo, distanciando-se assim da poesia tradicional mais subjectiva e romântica, como era a do P.e A. Martins de Faria. Depois, aposta muito no epigrama, na sátira… Isto proporciona-lhe a abordagem de temas inesperados.

Para ver

Veja-se esta página do Portal da Povoa de Varzim , onde se fala da Turel e também de projectos para Balasar:

sábado, 14 de maio de 2011

Ora isto não é novo?


Mais um dos muitos noticiários semanais do P.e Leopoldino. Este tem a particularidade atestar uma vinda do P.e Mariano Pinho a Balasar. Data de Março 1939, quando a Alexandrina já tinha começado a viver a Paixão com movimentos e os médicos indagavam sobre a sua doença. Repare-se na atitude de apreço pela obra do abade de Balasar. Atitude de apreço que aliás é uma constante por parte do noticiarista para com as mais variadas pessoas, abastadas ou pobres.

Entrámos no novo ano e realmente para o povo religiosos e temente a Deus desta freguesia coisas novas se vêm realizando para a sua renovação espiritual. Logo na entrada do ano se verificou o tríduo da Acção Católica, promovido pela J.A.C. Durante o decurso das conferências, o auditório era mais de homens do que de mulheres e na comunhão geral da Festa do Menino Deus abeiraram-se da Mesa Eucarística mais pessoas do sexo masculino do que do sexo feminino. Ora isto não é novo?
Concluída a festa da Acção Católica, a J.A.C., dirigida pelo nosso estimado pároco, promoveu na casa Família Campos Matos, no Telo, um retiro espiritual, sendo conferente o Rev. Dr. Mariano Pinho, S.J. Neste retiro tomaram parte 30 raparigas, quase todas da Juventude Católica Agrária, desta e doutras freguesias. É de esperar abundantes frutos espirituais. Os rapazes, ao saberem da realização dos exercícios espirituais para as jovens, perguntavam: - E para nós não há retiro? Não somos filhos de Deus?
Ora isto não é novo para o povo das nossas aldeias? Quando entre nós se falou de Acção católica e exercícios espirituais para o povo? Eis a obra da J.A.C. Se os pais querem ter filhos bons e patriotas, amigos de Deus, da Pátria e da Família, devem filiá-los na J.A.C., o braço direito dos párocos.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Uma página para o P.e António Martins de Faria


Já aqui escrevemos uma vez que o P.e António Martins de Faria foi quem baptizou a mãe da Beata Alexandrina. Mas como ele morreu na Póvoa em 1913, talvez já lá estivesse no ano anterior e então a pequena Alexandrina pode tê-lo conhecido. De qualquer modo ele foi pároco de Balasar e escreveu um poema sobre a padroeira da freguesia. Agora dedicámos-lhe uma página onde reunimos uma amostra da sua poesia.