sábado, 30 de abril de 2011

Beatificação de João Paulo II


Evocação da Beatificação da Beata Alexandrina

O Afonso Rocha enviou-nos hoje um endereço para seguir a Beatificação de João Paulo II: http://alexandrina.balasar.free.fr/televisio.htm
Isso levou-nos a recordar a Beatificação da nossa heroína. Eis então as palavras com o Papa João Paulo II, na cerimónia da Beatificação, apresentou a Alexandrina à Igreja:

“Amas-me?”, pergunta Jesus a Simão Pedro.
 “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”.
A vida da beata Alexandrina Maria da Costa pode-se resumir neste diálogo de amor. Penetrada e abrasada por estas ânsias de amor, não quis negar nada ao seu Salvador: de vontade forte, aceitou todo para mostrar que o amava.
Esposa de sangue, revive misticamente a paixão de Cristo e oferece-se como vítima pelos pecadores, recebendo a força da Eucaristia, que se converte no único alimento dos seus últimos treze anos de vida.
Na esteira da beata Alexandrina, expressa na trilogia «sofrer, amar, reparar», os cristãos podem encontrar estímulo e motivação para enobrecer tudo o que a vida tenha de doloroso e triste com a prova do amor máximo: sacrificar a vida por quem se ama.

Algumas fotografias da Beatificação da Alexandrina:





De cima para baixo:
João Paulo II a aceder à Praça de S. Pedro.
João Paulo II já junto ao altar.
O Painel da Beata Alexandrina durante a cerimónia.
A fachada da Basílica após a cerimónia, onde se vêem os painéis dos beatificados. A Alexandrina ficou na extremidade certamente por ser a mais recente, aquela cuja beatificação demorou menos tempo a ocorrer.
Clique sobre as imagens para as ver em tamanho maior.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Croce di Trionfo


Nova publicação da D. Eugénia Signorile. Intitula-se Coce di Trionfo, Cruz de Triunfo. Retoma primeiro o capítulo 11, revisto, da segunda parte de Figlia del Dolore Madre di Amore, sobre a Paixão do Redentor, depois conclui com uma nova Via-Sacra composta a partir dos escritos da Beata. Profusamente ilustrado e alongando-se por 96 páginas, o livro foi composto na Mimep-Docete, mesmo que a edição seja do Grupo Eucarístico-Mariano Beata Alexandrina.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O CRUZEIRO PAROQUIAL DE BALASAR


Os balasarenses têm razão para se orgulhar do seu Cruzeiro Paroquial: ele é um dos monumentos mais artísticos da terra. Houve até o cuidado de o aproximar, por certo preciosismo setecentista, ao estilo da Capela da Senhora da Lapa, da Casa da Quinta.
O P.e Leopoldino, quase a terminar o segundo dos artigos publicados no Boletim Cultural, fala dos cruzeiros. Depois de afirmar que a dada altura não existia nenhum, continua:

Por este motivo, paroquiando nós a freguesia, organizou-se uma comissão de homens bons para promover a construção de um cruzeiro paroquial, com o produto de uma subscrição aberta entre os paroquianos. O artístico cruzeiro, réplica de um existente na freguesia de Vairão, foi erguido em 1955, no lugar da Quinta, aonde costumavam e ainda costumam ir a s procissões.
O povo da freguesia, como reconhecimento pela feliz iniciativa, mandou colocar na sacristia da Igreja Paroquial uma fotografia do novo cruzeiro com a comissão.

Salvo melhor opinião, um cruzeiro paroquial é da Paróquia e destina-se a marcar o termo até onde vão as procissões, para iniciarem depois o regresso à igreja. Isto está implícito ou afirmado na citação. Não vale dizer que o Cemitério Paroquial, apesar da qualificação de paroquial, não é da Paróquia: os tempos republicanos da sua construção não se podem confundir com os de 1955 – embora o cemitério tenha sido colocado no lugar da antiga igreja e do seu adro… Ao tempo do P.e Leopoldino, o entendimento entre o poder religioso e o civil era muito diferente.
Na Internet, há uma descrição do cruzeiro típico que se aplica com poucos ajustes ao de Balasar:

A maioria dos Cruzeiros possui plataforma, que pode ter dois, três, quatro ou mais degraus.
Além da plataforma, têm ainda o pedestal, a coluna, o capitel e a cruz.
O pedestal é composto pelo soco, dado e cornija. É no dado que normalmente aparecem as inscrições ou outros elementos relacionados com a origem do Cruzeiro. O dado costuma ter forma cúbica ou cilíndrica.
A coluna é composta pelo fuste e capitel. O fuste pode ser diminuído ou pançudo, conforme o seu diâmetro vai diminuindo de baixo para cima. Pode ter forma cilíndrica lisa ou estriada.
O capitel é a parte superior, normalmente mais ou menos cónica, invertida, com ou sem adornos. Consta de formas variadas, com predomínio da troncopiramidal.
O capitel pode ser da ordem jónica, dórica ou coríntia.
Os Cruzeiros que possuem uma legenda, normalmente no dado, explicam os motivos que estiveram na origem da sua edificação.
A cruz pode ser constituída de formas muito diferentes: nodosa, cilíndrica, florejada.

O cruzeiro de Balasar singulariza-se por certa “gordura” ainda barroca do pedestal, por aquele adorno do fuste que divide a parte estriada inferior da lisa, superior, e pelo capitel coríntio. O fuste é de um tipo toscano (florentino), frequente em muitos retábulos de talha. A cruz eleva-se acima duma espécie de globo (que representa a Terra) e não é nodosa nem cilíndrica, mas mais ou menos quadrada. As suas extremidades serão talvez “florejadas”, de acordo com a citação.
Deve-se reter que este cruzeiro foi erguido no último ano de vida da Alexandrina, a vítima do Calvário. Mais, a sua inauguração, se a houve, deve ter coincidido praticamente com a morte dela.
Vejam-se duas referências que o P.e Leopoldino faz ao cruzeiro da sua Paróquia nos noticiários para o Ala Arriba. Em 7 de Fevereiro de 1955 escreveu:

A Junta de Freguesia, auxiliada por alguns amigos, vai erigir, no lugar da Quinta, um cruzeiro paroquial porque os antigos desapareceram há muito. Postas as obras a concurso, foi adjudicada ao canteiro Rafael Vasco Leite, mestre-de-obras de pedreiro, de Laundos, porque dos concorrentes foi o que apresentou proposta mais razoável. Serve de modelo o cruzeiro do lugar do Crasto, de Vairão, que é artístico.

A outra referência data do dia 10 de Outubro (a Beata falece a 13, recorde-se) e diz que:

Está concluído o Cruzeiro que a freguesia, de acordo com o Rev. Abade, mandou construir no lugar da Quinta. É uma obra de arte que tem sido muito elogiada por entendidos e revela o mérito artístico do construtor – humilde pedreiro de aldeia. Mais uma vez endereçamos sinceros parabéns à digna comissão, presidida pelo Sr. Joaquim Machado.

Ao cimo: Comissão promotora da construção do Cruzeiro Paroquial: primeiro plano – Joaquim António Machado, P.e Leopoldino Mateus, José António de Sousa Ferreira e João Domingues de Azevedo; segundo plano – António Alves da Costa, Manuel Murado Torres, Laurentino da Silva Malta e José Ferreira da Silva e Sá.
Mais abaixo: duas vistas de pormenor do mesmo cruzeiro em fotografias recentes.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Balasar – os noticiários do P.e Leopoldino


Durante quase todo o tempo, ou mesmo durante todo o tempo, em que paroquiou Balasar, o P.e Leopoldino enviou para jornais poveiros, breves, mas variados noticiários da freguesia. Primeiro, foram enviados para A Propaganda, depois para a Idea Nova e por fim para o Ala Arriba. Escrevia na terceira pessoa e assinava apenas por C, pelo que só com algum estudo se pode deduzir, mas com uma segurança quase completa, que fosse ele. Ainda complica a identificação o facto de o noticiarista nutrir uma grande simpatia pelo pároco…
Como o P.e Leopoldino esteve lá entre 1933 e 1956, compreende-se que essas notícias se revistam de significativa importância para o conhecimento do contexto da vida da Beata Alexandrina, embora o nome dela lá não apareça por vezes durante anos inteiros.
Desses anos todos, temos connosco cerca de 50 noticiários. Um dos mais antigos e certamente dos mais interessantes para o nosso caso saiu em 3 de Setembro, mas fora enviado em 23 de Agosto de 1933, e é o que se segue:

Balasar
Realizou-se nesta importante freguesia do nosso concelho uma grandiosa festividade em honra do Sagrado Coração de Jesus, precedida de um tríduo de práticas pelo Rev.o P.e Mariano Pinho, apostolado orador sagrado.
A pregação do ilustre orador foi tão frutuosa que toda a população da freguesia, com poucas excepções, se abaixou à Mesa Eucarística, recebendo o Pão dos Anjos, administrado pelo novo pároco, Rev.o P.e Leopoldino Mateus, que foi incansável na organização e direcção desta solenidade. À Mesa Santa curvaram-se criaturas que já há alguns anos não davam preceito às Igrejas [sic], o que muito alegrou o coração do nosso pároco.
Na mesma ocasião, a pedido e esforço do nosso Rev.o Pároco, foi fundada pelo Director Diocesano, Rev.o P.e Pinho, a Obra das Cruzadas Eucarísticas, inscrevendo-se 20 crianças [70 segundo a Cruzada] de ambos os sexos, devidamente uniformizadas.
A festa concluiu com uma linda procissão eucarística em que tomaram parte as Confrarias da freguesia com os seus estandartes, cruzados eucarísticos entoando lindos hinos a Jesus Sacramentado, passando por caminhos tapetados de verdes e por entre alas compactas de povo desta freguesia e das circunvizinhas.
Recolhida a procissão, todas as crianças da cruzada, devidamente vestidas com os seus uniformes, tiraram com o Rev.o Pároco uma fotografia nas escadas do Calvário, encarregando-se deste serviço um hábil amador.
Merecem parabéns pelo bom êxito da festa e da Obra das Cruzadas o Rev.o pároco, Leopoldino Mateus, a distinta professora oficial, Sra. D. Maria da Conceição Leite Reis Proença, e mais algumas zeladoras que foram incansáveis na sua organização. Foi uma festa que muito devia agradar ao SS. Coração de Jesus e santificar os fiéis desta laboriosa freguesia.
Estiveram nesta freguesia os Rev.os Arcipreste António Gomes Ferreira, Manuel de Amorim, P.e José Cascão e P.e António Flores, dessa vila, que vieram coadjuvar o nosso Rev. pároco no serviço de tríduo.
Encontram-se nesta freguesia a passar uma longa temporada as famílias dos nossos amigos Dr. Armindo Graça, António Caetano Calafate e Adelino Silveira.
Está gravemente enferma a Sra. D. Ana Murado, veneranda sogra do nosso amigo Sr. Luís Murado Torres, abastado proprietário desta freguesia. C.

A fotografia acima saiu na Cruzada e deve ter sido tirada por Cândido dos Santos, talvez também autor da mais antiga fotografia da Beata Alexandrina. Está lá o P.e Leopoldino, à esquerda.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Cresce a devoção à Beata Alexandrina


O padre Casado Neiva salientou que “faz falta que as pessoas venham e aqui fiquem mais tempo para que possam interiorizar e sentir a mensagem da Alexandrina”.
É a pensar nesta dimensão de crescimento interior que, em breve, nascerá o Centro de Espiritualidade Alexandrina Maria da Costa que, segundo o sacerdote, permitirá às pessoas levar mais de Balasar do que até agora têm conseguido.
Por outro lado, a pensar na recepção de tantos milhares de pessoas, o padre Casado Neiva aponta também para breve a construção do Centro Paroquial de Acolhimento.
Ambas as estruturas serão criadas perto uma da outra e vão “complementar-se”, refere o pároco.
Com “alguns sinais” de que poderá estar em curso o aparecimento de um novo milagre que leve a beata à condição de santa da Igreja, o padre Casado Neiva confirma que “a devoção há muito que pode ser considerada universal”, indicando como exemplo as recentes cartas que recebeu de devotos das Filipinas, do Gana, Brasil e Itália. Diário do Minho, 26/4/2011

Nota - A informação acima saiu na edição escrita do jornal, mas não se encontra na edição em linha nem na Agência Ecclesia.

Sobre a imagem de Nossa Senhora da Conceição da Igreja de Balasar


Em 9 de Outubro de 1950, o P.e Leopoldino noticia a vinda a Balasar do escultor José Ferreira Thedim, de S. Mamede do Coronado. À partida pensar-se-ia que era mais um dos peregrinos que vinham visitar a Alexandrina, mas talvez não, talvez ele viesse colher informações para uma imagem nova de Nossa Senhora da Conceição que se pretendia para a paróquia. Veja-se o que o mesmo jornalista noticiou relativo ao dia da Imaculada Conceição de 1952.
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Na festa da Imaculada Conceição, em que pregou o Sr. Dr. José de Jesus Ribeiro, ilustre prior da freguesia de S. Sebastião, cidade de Guimarães, foi benzida uma nova imagem da Senhora, generosa e devota oferta dos nossos conterrâneos ausentes no Estado do Rio de Janeiro, Brasil. A imagem está um primor, tanto na escultura como na pintura, revelando a perícia do autor, que muito acredita a sua oficina. Todas as pessoas lhe tecem rasgados elogios.

A Mãe de Deus calca a serpente, como é usual em tais representações, e sob os seus pés está o globo terrestre. As quinas enviam para o facto de ser Nossa Senhora da Conceição a padroeira de Portugal.

José Ferreira Thedim (1892-1971) nasceu em S. Mamede do Coronado e aí desenvolveu a sua arte.
O pai era escultor e os irmãos também. As estátuas de Thedim primavam pela exuberância: era o único a moldar, a desenhar e a fazer. Na oficina havia uma educação especial, com um silêncio que parecia de igreja.
Em 1917 foi-lhe solicitado que talhasse a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Thedim foi então levado até à Irmã Lúcia para recolher dados para o seu trabalho, mas terá colhido também ideias num catálogo espanhol.
Acabada a obra, com um metro e três centímetros da peanha ao crânio, a imagem seguiu para Fátima e foi benzida pelo pároco local em 13 de Maio de 1920 e colocada na Capelinha das Aparições em 13 de Junho.
A partir daí o trabalho de Thedim internacionaliza-se, a ponto de em 1931 Pio XI agraciar com o título de comendador.
Em 1947, o escultor cria a imagem da Virgem Peregrina, voltando a contactar Lúcia.
A obra de Thedim está espalhada por galerias, igrejas, mosteiros e conventos de todo o mundo.
As primeiras imagens eram feitas em madeira de cedro vinda do Brasil, dos estados de S. Paulo, Paraná e Santa Catarina; era um material lenhoso, colorido e com um cheiro característico, bom para a talha.
Sobre Thedim, veja-se o que escreve a Wikipédia espanhola.
Sobre a imagem de Nossa Senhora de Fátima, ver aqui.
Ver ainda aqui e aqui.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

“Ofereci-me como vítima”



O modo como na Autobiografia a Beata Alexandrina conta que se ofereceu como vítima não é fácil de entender. Escreveu ela:

Sem saber como, ofereci-me a Nosso Senhor como vítima, e vinha, desde há muito tempo, a pedir o amor ao sofrimento. Nosso Senhor concedeu-me tanto, tanto esta graça que hoje não trocaria a dor por tudo quanto há no mundo. Com este amor à dor, toda me consolava em oferecer a Jesus todos os meus sofrimentos. A consolação de Jesus e a salvação das almas era o que mais me preocupava.

Esta oferta vai-lhe marcar toda a vida futura e foi feita “sem saber como”?...
Antes de mais, é claro que a poucos ou nenhuns de nós ocorreria fazer uma oferta como esta. Mais, não saberíamos o que isso queria dizer.
Ela não saberia mesmo?
Alguma coisa sabia, e isso lhe bastou. E como sabia?
A resposta, a nosso ver, encontra-se num livro paroquial. Veja-se o termo de abertura dele:
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Este livro há-de servir para inscrever os nomes de todos os associados do Coração de Jesus desta freguesia de Santa Eulália de Balasar, Arciprestado de Vila do Conde, Arquidiocese de Braga; substitui o livro primitivo com a data de 2 de Julho de 1893, por não estar em condições de servir. Vai ser rubricado e numerado com data de 27 de Julho de 1932.
O Director Local, P.e Manuel d’Araújo

A Alexandrina, a sua irmã e a sua mãe, todas estavam inscritas na Associação do Coração de Jesus.
Numa acta de 1933 - a secretária era a Sãozinha - do tempo do P.e Leopoldino e já de após o tríduo pregado pelo P.e Pinho em Balasar, esta associação aparece integrada no Apostolado da Oração. Ora isto significa sem dúvida que desde há anos a Alexandrina acompanhava o que se escrevia no Mensageiro do Coração de Jesus, na recente Cruzada Eucarística, etc., onde se falava insistentemente da reparação.
Sendo assim, ela tinha oportunidade de saber muitas coisas sobre o sentido da oferta de vítima. Se o fez algo inconsideradamente, tal não se opõe a que ela não tivesse já meditado muito no assunto. O nome do P.e Pinho já há alguns anos lhe seria familiar.

Ilustração - Imagem do Sagrado Coração de Jesus que se venera em Balasar.