segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Uma associação irlandesa de fiéis inspirada na Beata Alexandrina

Para os leitores que não sabem inglês colocamos aqui a tradução um pouco livre do terceiro texto que se vê na página inicial de A Blessed Call to Love.

Um Abençoado Apelo ao Amor inspira-se na vida da Beata Alexandrina da Costa, a Santinha de Balasar (30 de Março de 1904 - 13 de Outubro de 1955), que ficou paralisada e acamada em consequência dos ferimentos mal tratados produzidos pela sua fuga a uma tentativa de estupro quando saltou da janela. Tinha então catorze anos. O Papa João Paulo II beatificou a Alexandrina em 25 de Abril de 2004. Ela foi apresentada como "modelo de pureza e de perseverança na fé para os jovens de hoje. Um Abençoado Apelo ao Amor" junta-se a todos os que vêem no sofrimento bem-humorado desta mística contemporânea uma imagem do nosso tempo: a tragédia da violência e a vitória transformadora da bondade. A sua vida representa uma explosão impressionante do divino no mundo hipnotizado pelo materialismo secular e sua ganância egoísta. A sua mensagem espiritual é simples: "Fazei penitência, não volteis a pecar, rezai o Rosário, recebei a Eucaristia". A Alexandrina ensina como ver tudo o que é triste e doloroso na vida e fá-lo nobre através do amor. Ela ofereceu a sua vida ao seu Amado. O segredo da sua santidade não é senão o seu amor a Cristo.

Novo site em inglês sobre a Beata Alexandrina

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Patrick Reynolds, filho de Francis Reynolds, o fundador da Alexandrina Society, está a colocar em linha um novo site em inglês sobre a Beata de Balasar.
Este novo trabalho já se pode consultar aqui, embora ainda incompleto. Espera-se que a versão definitiva fique pronta em princípios de Março.
Abra também este link onde encontra uma pequena informação sobre a nossa Beata.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

"És rainha dos pecadores, és rainha do mundo"

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No mesmo tempo veio para o meu lado direito a Mãezinha tomando-me para os seus braços. Pediu-me coragem em nome do seu divino Filho.
— Anima-te, minha filha, anima-te, peço-te em nome do meu amor e do teu e meu Jesus. Aceita, sofre tudo, consola o seu divino Coração ferido com os pecados do mundo.
Olha, filhinha, venho confirmar as palavras do meu divino Filho.
És rainha dos pecadores, és rainha do mundo. Aceita o meu santíssimo Manto, é teu, faz o meu lugar. Envolve nele, põe à tua volta os que te são queridos e mais de perto partilham a tua dor. Os que partilham dela e cuidam da causa do meu Jesus são queridos do teu coração, do meu e do de meu bendito Filho. Aqueles que mais associamos ao teu sofrimento são aqueles a quem mais de perto queremos purificar. Coloca depois em volta todos os pecadores. Podes cobrir com o meu Manto o mundo inteiro, chega para todos.
Aceita a minha coroa, és coroada por mim: és rainha.
Meu Deus, que vergonha a minha!
Como eu era pequenina, mesquinha ao pé da Mãezinha! Que vergonha ao sentir Ela colocar sobre os meus ombros o seu santíssimo Manto e sobre a minha cabeça uma coroa de rainha que da sua santíssima cabeça tirou para colocar na minha.
Mãezinha, Mãezinha, que vergonha tenho de Vós e de Jesus! Eu não sou digna de tal. Oh, que miséria a minha !
— Coragem, filhinha, não te envergonhes.
Estás purificada pelo sofrimento e pelo Sangue do teu Jesus, que purificou tudo; tens a alvura do arminho.
O brilho da tua pureza e das tuas virtudes iluminam o mundo, irradia-o o teu perfume.
Enche-te, recebe amor, é meu, é de Jesus.
O amor, carinho e carícias que recebes de Nós atraem a ti as almas.
Dá tudo em nosso nome aos que te são queridos.
Enche-te para salvares o mundo inteiro. Enche-te, é teu, pertence-te, salva-o.
A Mãezinha e Jesus inundaram-me de amor e depois das suas ternas carícias retiram-se.
Fiquei com mais vida e mais alegre.
À medida que o tempo vai passando, a alegria foge, a vida vai falhando. Contudo, grito e gritarei sempre:
— Amo Jesus e a Mãezinha; quero o que Eles quiserem!

Sentimentos da Alma, 1944-12-2

sábado, 22 de janeiro de 2011

Breve mas interessante nota sobre o DVD da Beata Alexandrina

Um influente sacerdote católico inglês colocou no seu blogue uma breve mas muito positiva apreciação sobre o DVD da Beata Alexandrina. Veja aqui.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Santa Eulália

Santa Eulália (c. 292-304) nasceu e foi martirizada em Mérida, cidade da província de Badajoz, a menos de 100 km de Elvas; foi pois martirizada ainda na adolescência. Foi mais uma vítima da perseguição romana contra o cristianismo que, em breve aliás, iria ser legalizado. É por isso uma figura sobre quem há algumas informações históricas mais rigorosas do que sobre outros mártires dos quais pouco mais sabemos que o nome. 100 anos após a sua morte, houve um poeta chamado Prudêncio que lhe dedicou um poema biográfico. 100 anos é muito, mas não vamos exagerar, são por exemplo os anos que nos separam da implantação da República. Ora nós ouvimos aos nossos pais histórias desse tempo que lhes contavam os nossos avós. E Prudêncio já fala dum belo templo que tinha sido dedicado a Santa Eulália. Ora isso também é um dado historicamente significativo: havia um culto já enraizado.
Aparentemente, a menina Eulália seria uma espécie de sobredotada que, apesar da sua idade, decidiu enfrentar afoitamente o poder instituído, sabendo que tal resultaria na sua morte.
Santa Eulália é a padroeira de duas freguesias poveiras, Balasar e Beiriz. Estas freguesias, como a maior parte das actuais, já estavam formadas há 1.000 anos atrás e já a Santa Eulália era a sua padroeira.
Houve um pároco de Balasar que depois veio para Beiriz, o P.e António Martins de Faria. Como era poeta e pessoa culta, escreveu um poema sobre Santa Eulália que dedicou aos seus paroquianos de Beiriz e aos seus ex-paroquianos de Balasar. Começa assim:

Anjos do Céu, que louvores
Cantais sem nunca cessar
A Deus, que nessas alturas
Vos deu tão santo lugar,
Por piedade ensinai-me
Hoje também a cantar
Eulália, a virgem, a santa,
O meu anjo tutelar.

Eulália, que toda a vida
Amou a Deus de maneira
Que, se não é entre as santas
Virgens mártires a primeira,
Também não é com certeza
De todas a derradeira,
Como Balasar o comprova,
Tomando-a por padroeira.

Dai pois luz à minha mente,
E à minha frase atavio;
Dai justeza ao meu conceito,
E ao meu génio força e brio;
Fazei enfim que meu canto,
Além de suave e pio,
Seja também a Deus grato,
Que eu desde já principio.

Corria o terceiro século
Dos dias da Redenção,
Quando num jardim de Espanha
Brotou dum lindo botão
Uma rosa, mas tão bela
Que não só toda a atenção
Roubava de quem a via,
Mas também o coração.

Isto já dá para perceber o estilo claro da narrativa, culta sim, mas sem alardes inoportunos de ciência. Qualquer pessoa com um pouco de saber lia o poema e entendia-o quase na íntegra.
A palavra Eulália quer dizer bem-falante. É possível que as narrativas biográficas desta santa tivessem em conta o facto e por isso a mostrassem propositadamente eloquente. Ouçamos por isso mais um pouco do poema quando Eulália se dirige ao governador e desacredita os deuses do panteão romano:

Essa Vénus, esse Apolo,
E muitos outros que tais,
A quem vós, filhos das trevas,
Deuses penates chamais,
Alguns até com figuras
Dos mais feios animais,
Não são deuses, são quimeras,
Pau e pedra e nada mais.

Se tais deuses, entretanto,
Que meu gosto era calcar,
Quereis na vossa cegueira,
Como loucos adorar,
Adorai-os muito embora,
Mas não queirais obrigar
Os cristãos, como já disse,
Vossa loucura imitar.

Santa Eulália partilha com a Beata Alexandrina o seu empenho religioso e o seu destemor. Ambas foram luz que iluminou duas vezes, porque ia à frente,
Ela foi uma santa popular para além das fronteiras da Península. Na França, há um célebre e antigo poema intitulado A Cantilena de Santa Eulália. É pelos vistos o mais antigo texto que se conhece escrito em francês.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Curiosos assentos paroquiais de Balasar



Um exorcismo
Aos doze dias do mês de Setembro de 1702, fiz os exorcismos a Maria, que enjeitaram na aldeia de Gestrim (sic), e trazia um escrito que dizia vinha já baptizada, e por verdade fiz este assento que assinei, era ut supra.
João Silva

Outra enjeitada
Aos sete dias do mês de Abril de 1754, apareceu uma menina exposta nesta freguesia de Santa Eulália de Balasar e, por duvidar do seu baptismo, foi baptizada sub conditione por mim António da Silva e Sousa, Reitor desta mesma igreja, com licença do padre Encomendado desta mesma, aos oito dias do mesmo mês e ano, e chama-se Antónia de S. José. Foram padrinhos o Rev. Reitor desta mesma igreja, e Teresa, solteira, filha de Francisco Machado, de Gresufes, estando por testemunhas o Rev. Encomendado, João, criado, e José, criado do Rev. Reitor. E por assim ser verdade mandei fazer este termo, que assinei. Era ut supra.
O Rev. Encomendado João Carvalho
João, solteiro
José, solteiro

Estranha mortandade
Desde o dia de Natal de 1629 até aos 8 de Janeiro de 1630, a saber, 15 dias, sepultei eu, o P.e Manuel Nunes Cansado, cura nesta Igreja de Balasar, seis pessoas da casa de André João, de Gardes, scilicet, dois filhos e quatro filhas, e duas se enterraram num dia numa cova.
Hoje, 10 de Janeiro da era ut supra.
Manuel Nunes Cansado

Estes assentos estão disponíveis no Etombo.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Uma balasarense célebre


Depois da Beata Alexandrina, a mais célebre balasarense deve ser D. Benta. D. Benta viveu no séc. XVIII, era da pequena nobreza rural e casou com um abastado brasileiro do Louro (Vila Nova de Famalicão). Graças aos haveres do marido, que morreu cerca de 10 anos antes dela, D. Benta passou a ser uma senhora muito considerada, cujo filho (ela tinha várias filhas) foi vereador da Câmara poveira. A casa que lhe pertenceu, e que possui uma grande capela, é uma das poucas que no concelho ostenta brasão.
Há dias descobrimos o registo de óbito desta senhora. Ela vivia em Vila do Conde (alguma filha dela terá professado em Santa Clara?), mas acabou por morrer na Póvoa de Varzim, em 1774.